São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Eficiência na operação reduz custo para lojistas
Imprimir

Investimentos em shoppings com Iluminação natural, subestações de energia e reaproveitamento de água, como o RioMar Recife (na foto) reduzem despesas operacionais em 30%

“Austero nos gastos, intolerante com os desperdícios do dia a dia”. É com esse mote que o grupo pernambucano JCPM (João Carlos Paes Mendonça) atua nas áreas de shopping centers, imobiliária e de comunicação para reduzir custos operacionais. 

Em reunião recente do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Grupo mostrou a um grupo de varejistas presentes como a gestão focada no longo prazo – e com compromisso ambiental - ajuda a passar ileso aos efeitos de uma economia recessiva. E ainda ter sobra de caixa para manter a loja rodando. 

Em seus empreendimentos, há reaproveitamento de água da chuva para jardinagem, que reduz 50% do consumo. Também há subestações próprias de geração de energia de 69 KV, que diminuem o custo em 30%, e estruturas com iluminação natural, que demandam 70% menos do uso da artificial.

Tudo isso, somado a funcionalidades como descarga a vácuo, torneiras com sensores e sistema de ar condicionado inteligente, que regula a carga a partir da demanda, são a receita utilizada na hora de construir e implantar shoppings ou empreendimentos imobiliários. 

Desde 2007, todos os empreendimentos do grupo construídos a partir de então recebem um pesado investimento inicial em Capex (despesas investidas na estrutura), hoje 15% superiores à média. Mas, por outro lado, resultam em custos menores ao longo da vida do empreendimento.
 
O aporte inicial para instalar as subestações elétricas, por exemplo, varia entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões. Depois,permite fornecer energia a todo empreendimento a um custo menor, afirma Alexandre Villela, diretor de operações da divisão de shopping centers do grupo.  

“Não entendemos a necessidade de trabalhar a redução de custos, porque esse é o nosso dia a dia”, afirma.

SUBESTAÇÃO DE ENERGIA DO RIOMAR FORTALEZA/DIVULGAÇÃO

Trata-se de um exemplo típico de gerenciamento de risco que produz efeitos no longo prazo - e que não pesam tanto nem no bolso do empreendedor, e principalmente, nem do pequeno ou médio lojista. 

Esse último, aliás, é hoje o principal interessado em reduzir os custos de ocupação e de condomínio para operar dentro de um centro de compras - e viabilizar sua loja.  

“Cortar custo é como cortar unha. Acompanhamos a estrutura oferecida e a necessidade real de cada empreendimento para evitar superestimar despesas. A receita é estar sempre atento à gestão para fazer os ajustes necessários ao dia a dia.”  

MAIS EFICIÊNCIA, CUSTOS MENORES

A gestão dos custos também acaba influenciando o CRD (rateio de despesas) entre os lojistas que estão nos empreendimentos do grupo. Segundo Villela, a inadimplência é bastante baixa, e apenas a vacância de até 3% nos shoppings é rateada entre os lojistas.  

Hoje, segundo Nelson Kheirallah, coordenador-geral do Conselho de Varejo e vice-presidente da ACSP, todas as despesas de ter uma  loja no shopping – que inclui aluguel, condomínio e fundo de promoção - representam cerca de 20% do que a loja vende. “Isso inviabiliza a operação”, diz.  

DA ESQ.PARA A DIR., KHEIRALLAH, DA ACSP, E MARCELO TAVARES, VILLELA E LUIZ LEAL, DO JCPM: MENOS CUSTO PARA O LOJISTA/FOTO: KARINA LIGNELLI 

O coordenador lembra que, se shoppings “premium’ costumam ter custo mais alto, pelo investimento maior em segurança, por outro lado é comum shoppings convencionais cobrarem taxas acima da média. 

“Porém, como resultado do investimento em Capex feito pelo grupo, o custo condominial do m2 em seus empreendimentos fica cerca de 30% abaixo da média do mercado, afirma. 

Na reunião, os varejistas presentes pediram mais transparência na cobrança de taxas condominiais pelas administradoras de shoppings - uma verdadeira “caixa preta”, segundo Josué Varella, diretor comercial da TNG.

“Em alguns deles, nossos custos operacionais representam 15%, e 50% disso refere-se a esses custos”, diz.  

Já Adrian Aguilera, diretor de expansão da Cinépolis, sugeriu campanhas para que os lojistas ajudem a diminuir os custos, fiscalizando desperdícios ou sugerindo práticas positivas, como a substituição por lâmpadas de led, por exemplo.

“Os grandes lojistas têm estrutura própria. Já as lojas-satélites ficando de olho ajuda muito. Todos têm que participar”, completa Vilella.  

SOBRE O GRUPO 

Oriundo do setor supermercadista, com as redes Bompreço, HiperBom e Balaio, o grupo JCPM tem 80 anos de atividade e, desde 2000 atua nos setores de shoppings, imobiliário e de comunicação.

Hoje, administra 6 dos 13 shoppings que construiu: RioMar Recife, RioMar Fortaleza, Salvador Shopping, Salvador Norte Shopping, Jardins (Aracaju) e RioMar Aracaju. 

Atualmente, o aporte que está em curso é de R$ 480 milhões, para a construção do RioMar Presidente Kennedy, em Fortaleza – o segundo do grupo no Ceará, previsto para inauguração no final de 2016.  Em seu portfólio, há dois shoppings paulistanos: o Granja Viana e o Villa Lobos.



Fluxo de visitantes foi 2,8% menor do que na edição 2015, segundo dados da Abrasce

comentários

O fluxo de visitantes nesses estabelecimentos caiu quase 4% desde o começo do ano

comentários

Atraídas por aluguéis e taxas de condomínio mais baratas, marcas como Sketch, Dupari, Zatta e Souq (na foto) tomam o espaço de redes tradicionais. Mas há riscos, alertam especialistas

comentários