São Paulo, 28 de Setembro de 2016

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Como contratar temporários
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Especialistas mostram como selecionar funcionários provisórios para reforçar a equipe durante as vendas de Natal

Uma imagem se repete todo o fim de ano: lojas cheias de consumidores ávidos para comprar os presentes de Natal. As vendas aumentam consideravelmente e, por isso, os últimos meses são considerados os mais importantes para o varejo e para alguns setores da indústria. Entre novembro e dezembro, é comum que os empresários contratem mão de obra provisória para suportar esse crescimento da demanda.  

De acordo com a Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e Trabalho Temporário), até o fim de 2014 devem ser abertas mais de 163 mil vagas de trabalho temporário no país. O comércio é responsável por 70% das vagas, enquanto a indústria responde por 30%. Os maiores empregadores são as lojas de rua, os shoppings e os supermercados. 
Marcia Costantini, vice-presidente da entidade recomenda que as contratações sejam feitas com algum tempo de antecedência para que haja tempo para treinar os novos profissionais antes das semanas de pico nas vendas. 

É o caso do Lojão do Brás, rede paulista que vende roupas e acessórios, que já começou selecionar os empregados temporários – a expectativa é empregar mil funcionários em suas 15 unidades até o final de ano. “O mês de dezembro representa 25% do faturamento anual da empresa, por isso precisamos reforçar a equipe de estoquistas e vendedores”, afirma Andréia Bessa, diretora do Lojão do Brás.  

Durante o fim do ano, o trabalho nas lojas da rede é árduo: o movimento de clientes dobra e as peças tem que ser recolocadas constantemente. Para lidar com essas tarefas, os novos funcionários tem que estar familiarizados com os produtos e com a rotina de atendimento ao cliente. “Não é fácil achar mão de obra com experiência, por isso selecionamos pessoas pelo perfil adequado para cada função e realizamos treinamentos curtos”, diz Andréia.


Lojão do Brás durante as compras de natal do ano passado.
Foto: Divulgação 

 
A dificuldade de achar funcionários capacitados é comum a grande parte dos comerciantes. De acordo com a Asserttem, quase 15% das pessoas contratadas como temporárias nunca tiveram um emprego formal. Para Marcelo Olivieri, gerente executivo da Talenses, empresa de recrutamento, é possível admitir bons trabalhadores que, mesmo sem experiência, se adéquam rapidamente a essas vagas provisórias.
 
Confira quais aspectos devem ser considerados na hora de contratar funcionários temporários e como selecionar os melhores. 



Geralmente, a escolha de empregados provisórios é feita de forma apressada porque as empresas precisam atender rapidamente as demandas do período. “O ideal é que o processo de seleção dos temporários seja mais prático do que os demais, mas isso não significa que ele deva ser menos criterioso”, afirma Olivieri. Mesmo que demore um tempo, o especialista recomenda que seja feita uma análise de currículos e das habilidades dos candidatos.  

O empresário deve ser objetivo em relação às atribuições, horários de trabalho e remuneração do funcionário para facilitar o processo de escolha. Ele também deve ser claro sobre o perfil do funcionário que está procurando. “É fundamental que os candidatos sejam lembrados de que o natal é um período de trabalho intenso e cansativo, isso ajuda a excluir aqueles que não estão dispostos a cumprir essa rotina”, diz Andréia.



Cada vaga requer um perfil diferente de funcionário. Porém, no entanto, pessoas ágeis e que aprendem rápido são as mais indicadas para a maioria dos trabalhos temporários. Para a área de vendas, que representa o maior número vagas no período, o ideal é selecionar profissionais que saibam se comunicar bem e que consigam lidar com o público. Entretanto, Márcia Costantini, vice-presidente da Asserttem, acredita que há espaço para todos os tipos de profissionais: “Algumas empresas optam por contratar idosos nos postos de trabalho que exigem mais paciência”. 



Por lei, a contratação deve ser feita por intermédio de uma agência de empregos, que fica a cargo de todas as responsabilidades, como controle de ponto, pagamento e registro na carteira de trabalho. Os custos são repassados para a empresa. O tempo de duração do contrato é de 90 dias e pode ser renovado por mais 90 dias. 

Segundo a vice-presidente da Asserttem, essa forma de contratação beneficia tanto os empregadores quanto os trabalhadores. “É uma forma dos empresários terem uma mão de obra para os períodos de maiores vendas sem onerar a folha de pagamento, além disso, o funcionário tem seus direitos garantidos, como descanso semanal remunerado, férias e 13º proporcionais”, diz Márcia. A diferença é que os temporários não têm direito ao aviso prévio e nem aos 40% de multa do FGTS, por se tratar de um contrato com prazo determinado.



Mesmo que o funcionário já tenha uma experiência prévia na função, o empregador não deve dispensar um curto período de treinamento. A forma mais simples para ensinar um empregado temporário é pedir que ele acompanhe durante alguns dias as tarefas de colegas de trabalho experientes. Para Marcelo Olivieri, gerente executivo da Talenses, é fundamental que o novo funcionário seja instruído sobre os valores da empresa. “Mesmo que por poucos meses, o funcionário vai representar aquele comércio e lidar com clientes, por isso ele deve manter o mesmo padrão de atendimento e de serviços prestados.” 



Caso o funcionário atenda as expectativas do empregador e se destaque no cumprimento das tarefas, ele pode ser efetivado a qualquer momento, mesmo que contrato como temporário ainda não esteja finalizado. Basta avisar a agência de empregos responsável pelo acordo. “O índice de trabalhadores efetivados varia entre 5% e 12% nos anos anteriores”, afirma Márcia. 

 



A avaliação é da Confederação Nacional do Comércio para o volume de vendas e contratação de temporários neste ano

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