São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Avaliação ótima/boa do governo Dilma despenca para 23%
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É, segundo o Datafolha, a pior marca desde que a presidente chegou ao Planalto e a avaliação mais baixa de um governo federal desde o governo FHC em dezembro de 1999

A avaliação ótima/boa do governo de Dilma Rousseff caiu de 42% em dezembro para 23% agora. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 7. Já a avaliação dos que consideram o governo da petista ruim e péssimo subiu de 24% em dezembro para atuais 44%, de acordo com o levantamento.

Os resultados vêm em meio à combinação do escândalo de corrupção na Petrobras e da piora da economia brasileira. Trata-se da pior marca desde que Dilma chegou ao Planalto e da avaliação mais baixa de um governo federal desde Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 1999 (46% de ruim/péssimo).

De acordo com o levantamento do Datafolha, Dilma Rousseff obteve a primeira nota vermelha (4,8) após quatro anos no governo e uma campanha vitoriosa pela reeleição. Segundo a pesquisa, 77% dos entrevistados acreditam que Dilma tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. De cada dez entrevistados, seis consideram que a presidente mentiu durante a campanha eleitoral. Para 46%, ela falou mais mentiras que verdades - desses, 25% se dizem petistas. E, para 14%, Dilma só disse mentiras.

Em São Paulo, a avaliação ótima e boa do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) caiu 10 pontos porcentuais desde outubro, de 48% para 38% agora, mostra pesquisa do Datafolha, divulgada neste Sábado (7).

O prefeito Fernando Haddad (PT) também viu a avaliação de seu governo despencar: a avaliação ruim e péssima subiu para 44% e retornou ao patamar da crise do aumento das tarifas de ônibus em 2013.

INSEGURANÇA ECONÔMICA
A percepção de piora na economia é recorde, segundo o Data Folha. Mais da metade (55%) dos brasileiros acha que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses. O patamar é o maior desde que a pergunta começou a ser feita pelo instituto em 1997. Em dezembro, apenas 28% acreditavam que o cenário econômico iria piorar.

Os fatores que impactam diretamente o dia a dia da população explicam a sensação de insegurança econômica e o pessimismo com o futuro registrados pela pesquisa. Os dados revelam o ânimo em relação à alta da inflação, maior desemprego, queda do poder aquisitivo e capacidade de consumo e crise de água e energia. Não se tratam mais de questões momentâneas, que podem ser camufladas com marketing político. Percebidos na pele, os números negativos atingem a credibilidade das três esferas de governo.

A avaliação do governo de Dilma Roussef, considerado por 44% da população em geral como ruim ou péssimo, se torna mais crítico quando se colocam os temas econômicos. Um contingente de 60% tem expectativa negativa para a economia do país e 65% esperam piora da situação pessoal. A aprovação da presidente recuou até mesmo no Nordeste - caiu de 53% para 29%. A reprovação subiu de 16% para 36%. 

A maioria absoluta dos brasileiros (81%, contra 54% em dezembro) acredita numa escalada crescente da inflação. O resultado de janeiro, quando a inflação mensal atingiu 1,24%, maior nível desde fevereiro de 2003, veio confirmar o prognóstico.

A percepção de que a elevação de preços vai corroer a renda disponível leva a maior parte da população adulta do país (57%) a esperar a redução do poder de compra dos salários. É a primeira vez que isto ocorre nesta dimensão desde 1994. 

Entre os entrevistados, o percentual dos que acham que sua própria situação econômica vai piorar mais do que dobrou entre dezembro e janeiro, chegando a 26%. Quase metade dos entrevistados (46%) pretende consumir menos nos próximos seis meses, o que trará impactos graves sobre o mercado do varejo.
Estes resultados da pesquisa estão diretamente ligados à crença de que o desemprego subirá, conforme responderam 62% dos entrevistados, um nível de pessimismo que não era visto desde julho de 2002.  

A ansiedade e o medo demonstrados pelos brasileiros por meio da pesquisa refletem a sequência de más notícias que haviam sido represadas durante o período de eleições, no que o mercado está chamando de estelionato eleitoral. Além do escândalo de corrupção na Petrobras e a crise hídrica, desde dezembro, foram anunciados aumentos de tributos e elevação dos juros sobre crédito pessoal e empréstimos imobiliários. Fatores que interferem diretamente no orçamento familiar e pesam no bolso tiveram aumentos, como os preços da gasolina e do etanol e a conta da energia elétrica. A estiagem vai afetar o custo de alimentos, como hortaliças e legumes. 

Embora o governo federal não esteja envolvido diretamente com problema da água no Sudeste, os resultados da pesquisa demonstram que a população atribui a ele também sua cota de responsabilidade. Já a ameaça de um novo racionamento de energia é questão do governo Dilma Roussef. 

SÃO PAULO: IMAGEM EM QUEDA

A preocupação com a falta de água se igualou à campeã histórica na lista de problemas do Estado, a saúde. A crise hídrica assumiu o primeiro lugar no ranking (com 22%). O tema é o principal responsável pela deterioração da imagem do governador Geraldo Alckmin. 

O Datafolha mostra que cresceu o descontentamento com a reação de Alckmin diante da crise. Em agosto de 2014, 27% dos paulistas consideravam a atuação do governador ruim ou péssima. Agora são 39%, mesmo índice que a classifica como regular. Apenas 19% dizem que a atitude de Alckmin é ótima ou boa. Há seis meses, esse índice era de 28%.

Segundo a pesquisa, a população paulista vem perdendo confiança na capacidade de trabalho do governador. Cerca de 88% dos entrevistados disseram que ele poderia ter feito "mais do que fez" para evitar a falta de água. Quando questionados sobre quem é o principal responsável pelo desabastecimento, 37% dos entrevistados apontaram o governo estadual.

No plano municipal, o fator de maior desapontamento da população em relação a Fernando Haddad é a imagem de indeciso que ele transmite. Ele foi considerado um prefeito "indeciso" por 56% dos paulistanos, contra 28% no início da gestão.

O resultado mais surpreendente em relação à gestão municipal foi a brusca queda do apoio à implantação das ciclovias. Antes aprovada por 80% dos paulistanos, caiu para 66%. Os que eram contrários subiram, em cinco meses, de 14% para 27%.

OPOSIÇÃO SE MANIFESTA
Entre os oposicionistas, foi consenso creditar a queda no índice de aprovação de Dilma ao que se tem chamado de "estelionato eleitoral". "A presidente colhe hoje os resultados das mentiras sucessivas que lançou ao País e que conduziram a sua campanha eleitoral. O Brasil real aflora a cada dia e não há marketing ou propaganda capaz de esconder a grave realidade enfrentada pelos brasileiros", disse em nota o presidente do PSDB e candidato derrotado ao Planalto, senador Aécio Neves (MG). 

"Isso é decorrência do estelionato eleitoral. As pessoas se sentem ludibriadas", afirmou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

COM ESTADÃO CONTEÚDO



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