São Paulo, 22 de Janeiro de 2017

/ Finanças

Varejistas defendem redução de prazo de repasses no cartão
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Brasil é o único país onde o reembolso pelo sistema bancário das vendas efetuadas pelo cartão de crédito ocorre em 30 dias após a operação

Entidade que representa os maiores grupos varejistas do Brasil, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), defendeu nesta sexta-feira (23/12), a redução do prazo de repasse aos lojistas de valores referentes a vendas em cartão de crédito. 

A medida, que foi mencionada como parte do pacote de ajustes microeconômicos da semana passada, ainda é objeto de discussão entre o Banco Central e setor de cartões.

"Frente às grandes economias globais e até a países da América Latina, o Brasil é o único onde o reembolso pelo sistema bancário das vendas efetuadas pelo cartão de crédito ocorre em 30 dias após a operação, isto além das estratosféricas taxas de juros praticadas no mercado, únicas no mundo", declara o IDV.

O presidente da entidade, também presidente do Conselho de Administração da Raia Drogasil, Antonio Carlos Pipponzi, rebateu ainda em nota argumentos contrários à redução dos prazos.

Sobre o risco de que a redução no prazo resultaria em aumento das taxas de administração dos cartões, Pipponzi defendeu que isso não ocorrerá se houver concorrência no setor.

"Com a abertura do mercado, pelo uso compartilhado das máquinas de captura e a entrada de um maior número de operadoras de cartões, haverá maior concorrência, e as taxas, provavelmente cairão", concluiu.

O empresário acrescenta que vê vantagens como injeção de recursos e melhoria no capital de giro do varejo.

"De imediato, serão construídos inúmeros argumentos para que esta medida não seja implantada, como uma possível desestabilização do mercado financeiro. Mas, na realidade, virá uma nova fase na economia, com injeção de recursos no mercado em enorme velocidade para capital de giro das empresas, aumento do volume de estoques, por meio de maiores compras dos fornecedores, geração de novos empregos e crescimento dos negócios, sem dependência ou subsídio do Governo Federal", declarou.

NOVO ROTATIVO EM VEZ DE PRAZO

O Banco Central já sinalizou que a mudança de prazo aos varejistas está em estudo. O mesmo foi confirmado pela Associação Brasileiras de Cartões de Crédito e Serviços. Por enquanto, a solução do mercado para reduzir o endividamento do consumidor e, posteriormente, auxiliar a retomada do consumo foi a mudança nas regras do rotativo do cartão de crédito.

O novo crédito rotativo deve ser regulamentado no início de janeiro, antes mesmo da próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que tradicionalmente ocorre na segunda quinzena do mês.

As mudanças - anunciadas nesta quinta-feira (22/12) - pelo presidente Michel Temer e que visam a cortar ao menos pela metade os juros cobrados de quem atrasa ou não quita a fatura - devem entrar em vigor a partir de 1º de abril, dando um prazo de 90 dias para os bancos se adaptarem.

A regulamentação será feita via resolução do CMN e é esperada com ansiedade pelo setor de cartões, que pediu a publicação o quanto antes para que desse tempo de serem feitos os ajustes operacionais e, principalmente, a comunicação aos consumidores sobre as novas práticas. O governo espera que as taxas já reduzam no primeiro trimestre de 2017.

"Estudos revelam que no primeiro trimestre haverá redução de mais da metade dos juros cobrados no cartão de crédito", afirmou Temer a jornalistas, enquanto fazia um balanço de sua gestão.

Na prática, o crédito rotativo passa a contar com um prazo limitado de até 30 dias.

Passado esse período, o valor em atraso será parcelado com juros menores. Enquanto no rotativo as taxas chegam a 475,8% ao ano, segundo o Banco Central, no parcelado vão a 156,1% ao ano.

As faturas de abril que ficarem em atraso por mais de 30 dias, conforme explica uma fonte, já terão esse novo nível de juro, que vai variar em cada banco. Tanto os novos quanto os antigos contratos seguirão as mesmas regras, considerando cada ciclo da fatura.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e vice-presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, admitiu que os bancos mais perdem do que ganham com a mudança no rotativo no curto prazo, mas que a modalidade vai dar uma nova dinâmica entre receitas e perdas, reduzindo, consequentemente, a inadimplência, o que é positivo para o sistema como um todo.

Negou, porém, a possibilidade de empresas associadas à entidade quebrarem por conta da redução dos juros.

"A redução de taxas se dá por razões técnicas. Ao aumentar o prazo médio da carteira e a de capacidade de pagamento usando o rotativo eu reduzo o comprometimento do consumidor para patamares muito menores e, consequentemente, a inadimplência", destacou o presidente da Abecs, em teleconferência com a imprensa.

O rotativo representa atualmente cerca de 2% da carteira de crédito à pessoa física, num total de R$ 35 bilhões.

A inadimplência, considerando calotes acima de 90 dias, é de 7,5%. No entanto, considerando apenas os clientes que estão com atrasos entre 90 dias e 120 dias, esse indicador salta para 30%, o patamar mais alto do mercado brasileiro.

FOTO: Thinkstock



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