São Paulo, 24 de Setembro de 2016

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Sobrou menos dinheiro no orçamento das famílias em 2014
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Apenas um em cada cinco brasileiros chegou ao fim do ano passado com alguma sobra para consumo ou investimento após o pagamento das despesas mensais obrigatórias

A inflação pressionada diminuiu o total de famílias com sobra no orçamento para consumo de bens supérfluos, atividades de lazer ou até mesmo aplicações financeiras, segundo levantamento da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) e do instituto de pesquisas Ipsos, obtido com exclusividade pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O montante de consumidores que conseguiu fazer sobrar algum dinheiro após o pagamento das despesas mensais essenciais caiu de 22,9% em dezembro de 2013 para 21,4% em dezembro de 2014, o menor patamar registrado desde agosto de 2012.

O resultado significa que apenas um em cada cinco brasileiros chegou ao fim de 2014 com alguma sobra de dinheiro após o pagamento das despesas mensais obrigatórias. Em 2011, o cenário era mais favorável: um em cada três brasileiros conseguia ter um dinheiro sobrando após o pagamento das contas domésticas.

"A principal razão é a inflação disseminada, pressionada pelos serviços, alimentação, e agora a energia elétrica", lembrou Christian Travassos, gerente de economia da Fecomércio RJ.

Com o orçamento mais enxuto, o consumidor reduziu também a tomada de financiamentos. A fatia de famílias com algum tipo de parcelamento ficou em 33,1% em dezembro, uma queda de 9,4 pontos porcentuais em relação a dezembro de 2014, quando era de 42,5%.

"Foi o menor patamar de tomada de financiamento desde abril de 2009 (31,7%)", ressaltou o economista. "O consumidor preferiu diminuir o ímpeto nas compras", acrescentou.

A Fecomércio RJ atribui a redução no número de financiamentos à pressão inflacionária, ao aumento nas taxas de juros e à menor confiança do consumidor diante da deterioração da atividade econômica.

"Não houve nenhuma grande ruptura no mercado de trabalho até janeiro, então não foi por causa do emprego. Foi por causa da redução na confiança, da alta nos juros, da inflação elevada e da retirada dos incentivos do governo aos eletrodomésticos e automóveis. O lado bom é que essa desaceleração no consumo foi consciente, tanto que reduziu a inadimplência de fato", avaliou Travassos.

O receio em relação ao cenário econômico no País fez ainda com que os consumidores que registraram alguma folga no orçamento mensal mencionassem a poupança como o principal destino para o dinheiro, com 59% das citações, o maior porcentual já registrado para um mês de dezembro na série histórica da pesquisa, iniciada em 2007.

"Essa sobra ele consumiria até o fim do mês com lazer, alguma viagem, cinema, jantar fora. Agora ele vai guardar. Por isso a gente não teve um Natal dos sonhos no varejo. O consumidor está mais seletivo", explicou Travassos. A pesquisa da Fecomércio RJ/Ipsos é realizada com mil entrevistados em 70 cidades espalhadas por todo o território nacional.



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