São Paulo, 26 de Julho de 2017

/ Finanças

Setor de microcrédito tenta se ajustar ao mercado
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A carteira dessa modalidade de empréstimo está estagnada desde 2014 e os calotes estão crescendo. Instituições privadas estão mapeando os clientes

Aos poucos, bancos públicos e privados começam a adequar suas linhas de microcrédito para a realidade do empreendedor brasileiro. A carteira dessa modalidade de empréstimo, voltado principalmente a microempresários de baixo faturamento - que muitas vezes atuam na informalidade - somou pouco mais de R$ 5 bilhões em 2016, segundo o Banco Central.

Embora o microcrédito seja, em sua essência, voltado ao público de baixa renda, o perfil do tomador desse recurso varia bastante, como mostra pesquisa feita pela Associação Brasileira das Sociedades de Microcrédito (ABSCM). O estudo se concentra nos clientes das instituições privadas.

A maior parte dos tomadores, 56% deles, se enquadra como pessoa física. Já entre as pessoas jurídicas (44%), a maior parcela é composta de microempresas, que totalizam 53% da carteira das instituições. Atualmente, 42% dos que tomam o recurso estão na informalidade. 

“O microcrédito é muito forte no Nordeste e Norte do país, onde a formalização não avança no mesmo ritmo das demais regiões”, diz Ricardo Assaf, presidente da ABSCM. Vale destacar que o Banco do Nordeste responde sozinho por metade do volume de empréstimos nessa modalidade.

Os microempresários do comércio são os que mais buscam esse tipo de empréstimo. Eles representam 36% da carteira de clientes pessoa jurídica, seguidos pelos empresários do setor de serviços (26%), indústria (21%) e do agronegócio (10%). Os 7% restantes não têm área de atuação definida, segundo o estudo.

O levantamento mostra também que a metade do volume de microcrédito concedido pelas instituições privadas é destinada para a atividade produtiva das empresas, como aquisição de equipamentos ou capacitação de profissionais. 

A maior parcela dos tomadores, 47% deles, tem entre 35 e 45 anos. 

POTENCIAL

Os cerca de R$ 5 bilhões concedidos no ano passado na forma de microcrédito são considerados bem aquém do potencial desse mercado. Esse volume não chega a 0,5% da carteira de crédito direcionado dos bancos.

Há projeções que mostram que as linhas de microcrédito podem chegar a R$ 20 bilhões até 2020, mas o fato é que desde 2014 os dados do Banco Central mostram que o saldo em carteira estagnou em R$ 5 bilhões ao ano. 

Para Assaf, o avanço do setor público sobre essa modalidade de empréstimo deturpou sua finalidade - que originalmente era de um crédito voltado ao empreendedorismo. “Foram criados programas voltados à baixa renda com cara de subsídio, prejudicando o setor privado, que diminuiu o interesse no microcrédito”, diz o presidente da ABSCM.

Os calotes, segundo Assaf, cresceram por causa do mau direcionamento dos empréstimos. “A inadimplência no microcrédito costuma ser menor do que no crédito convencional, mas por causa desses fatores, as dívidas atrasadas em mais de 90 dias subiram”, diz.

Hoje, segundo ele, a inadimplência no setor varia de 5% a 10% da carteira, dependendo da instituição. 

Isso tudo acontece no contexto da crise econômica, que torna mais arriscada a concessão de empréstimos. Porém, a crise pode ser vista como oportunidade para quem oferece microcrédito. 

O desemprego criou uma multidão de empreendedores por necessidade, pessoas que perderam o emprego e não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho. Aí passaram a empreender. “Esse é um público que tem crescido”,  diz Assaf. 

FOTO: Thinkstock



O indicador acusou superávit de US$ 715 milhões de janeiro a junho, contra déficit de US$ 8,487 bilhões no mesmo período de 2016, de acordo com o Banco Central

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