São Paulo, 24 de Maio de 2017

/ Finanças

Risco Brasil aumenta quase 30%
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Antes de explodir o escândalo envolvendo Temer, o indicador havia regredido ao menor patamar desde janeiro de 2015

O Risco Brasil medido pelo indicador CDS (Credit Default Swap) - um tipo de seguro contra calote - operou em forte alta na quinta-feira (18/05), e chegou aos 269 pontos após o pronunciamento do presidente Michel Temer, o que representa uma alta de 28,7% em relação ao nível do fim da tarde de quarta.

No dia 15 de maio, o CDS de cinco anos havia fechado abaixo de 200 pontos pela primeira vez no governo do presidente Michel Temer, a 199,32 pontos. Esse foi o menor patamar desde 26 de janeiro de 2015.

O movimento era uma resposta ao otimismo do mercado com o andamento de reformas propostas pelo governo Temer, e pela expectativa de melhora da atividade econômica.

Também estava em linha com a situação de outros países emergentes que também viram o indicador cair, em uma sinalização de redução de risco. Foi o caso de China, África do Sul e Índia.

Embora tenha atingido nesta semana o menor patamar para o CDS em dois anos, o Brasil continuava sendo o 11º país mais arriscado para se investir entre 42 países, segundo dados da agência Bloomberg.

HISTÓRICO

O contrato de CDS atravessou o patamar de 300 pontos em 11 de julho do ano passado e começou a ceder.

Nos dias seguintes ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o contrato permaneceu na casa de 255 pontos base. Em setembro de 2015, o CDS havia atingido o maior nível recente, aos 539,40 pontos.

O CDS é um contrato que tem de um lado uma instituição financeira comprando proteção para a sua carteira de crédito e do outro, uma seguradora ou outra instituição vende essa proteção. É como se fosse um seguro.

O CDS é medido em pontos base. Se um país tem um CDS de 100 pontos, isso significa que o credor terá de pagar o equivalente a 1% de sua carteira de crédito para adquirir esse seguro.

Quanto maior o CDS, maior é o risco de o país dar um calote, o que significa que fica mais caro comprar um seguro para a dívida desse país.

RECUPERAÇÃO

Os American Depositary Receipts (ADRs) de Petrobras e Vale operam em forte alta nos negócios do pré-mercado em Nova York, sugerindo que a abertura no mercado à vista será positiva.

Por volta das 7h40 (de Brasília) desta sexta-feira, 19, o ADR de Petrobras avançava cerca de 7%, enquanto o da Vale subia mais de 3%.

Na quinta-feira, 18, os ADRs da petrolífera brasileira sofreram um tombo de 21,47% e os da mineradora caíram 6,32%, na esteira do escândalo envolvendo o presidente Michel Temer.

Já o mais popular fundo de índice de ações do Brasil negociado no Japão, o Next Funds Ibovespa Linked ETF, registrou fortes perdas pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira (19/05).

O ETF brasileiro fechou em baixa de 6,52% em Tóquio hoje, após sofrer um tombo de 7,54% na sessão anterior.

IMAGEM: Thinkstock