São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Retorno sobre investimento em imóveis tem prazo mais longo
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Ganhar com a revenda e locação está mais difícil do que há alguns anos. Mas quem é inquilino de sala comercial pode fechar uma boa negociação

A desaceleração nos preços dos imóveis pode ser uma boa notícia para quem já estava preparado para comprar a casa própria, e até mesmo para quem pensa em investir com foco no longo prazo, sem precisar tanto de liquidez. Em outras palavras, quem pensa em investir não deve precisar rapidamente do dinheiro aplicado no imóvel, a ponto de ter de vender a um preço menor.

A regra é simples e essa é a cautela esperada de quem opta por investir em imóveis. Afinal, aumentou o risco de esperar mais para revender ou alugar, e assim o de ter de arcar por algum tempo com o custo de carregamento do imóvel (despesas com condomínio e manutenção). 

Bruno Oliva, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), diz que o investidor pode encontrar boas oportunidades nesse cenário, mas precisará pesquisar bem. “Nossa recente pesquisa mostrou que o investidor colocou o pé no freio. Quem comprou para investir em 2007 e 2008 ganhou. Hoje, para fazer um bom negócio, será preciso gastar mais sola de sapato”, afirma.

LEIA MAIS: O que esperar dos preços de imóveis em 2015

Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo), lembra que existem bons negócios no mercado hoje, mas é preciso “cavoucar” oportunidades e identificar locais onde há excesso de oferta e preços melhores. “É bom lembrar que a recuperação do preço vai demorar e dificilmente virá este ano”, diz.
 

LOCATÁRIOS VERSUS INQUILINOS

Para quem investe em renda de aluguel, a situação também não ficou muito fácil e os preços de novas locações subiram bem menos do que os 6,39% estimados para a inflação oficial de 2014, que é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e será divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O investidor que colocou o imóvel residencial para alugar no ano passado teve um rendimento bem menor. O aumento médio no preço do aluguel de residenciais anunciados em São Paulo foi de 1,66% em 2014, segundo dados apurados pelo FipeZap. Este patamar é bem inferior ao rendimento do ano anterior. Em dezembro de 2013 foi de 7,52%.

Para quem já tinha inquilinos, os reajustes foram modestos e acompanharam a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que encerrou 2014 em 3,67%.  

A situação também não foi boa para investidores de conjuntos de escritórios. O valor do aluguel de escritórios antigos e novos desacelerou bastante, segundo a consultoria Colliers International, a ponto de a diferença dos preços de ambos ter se estreitado. 

 

 

O relatório trimestral da consultoria mostra que no começo de 2013 se pagava 55% a mais no aluguel de um escritório em prédio novo e com tecnologia (do tipo classe A e A+), na comparação com o valor de uma sala antiga e localizada em um conjunto menor (classe B). No terceiro trimestre de 2014, a diferença no aluguel de escritórios novos e antigos caiu para 31% no preço por metro quadrado mensal. 

Em ambos os casos, houve redução no preço médio do metro quadrado mensal para locação. A pesquisa não considera edifícios de sede própria, os voltados para ocupação médica e nem os públicos.

Paula Casarini, vice-presidente da Colliers International, disse que o número de escritórios novos (classes A e A+) era muito alto, o que fez com que o preço diminuísse por causa da superoferta. Isso influenciou a migração de empresas para estes espaços, que antes estavam nas salas mais antigas, a um preço muito próximo. 

Ela diz que a oferta nos escritórios de classes A e A+ continua superior à demanda, em função da concentração de entregas no mesmo período. “É bom para o inquilino comercial, que pode obter uma negociação melhor para alugar escritórios modernos. As condições são boas, como um bom período de carência, desconto nos primeiros anos para que o inquilino possa fazer as adequações necessárias, o que não é oferecido nos conjuntos antigos”, diz.

Paula afirma que a tendência é de estabilização no preço de aluguel desses escritórios modernos no próximo ano.
“2016 e 2017 podem voltar a ser um período lucrativo. Principalmente para o investidor que aproveita o momento e compra as salas de classe B para transformá-las em escritórios de classes A e A+, com o objetivo de vender a um preço maior no futuro. Isso é nadar contra o ciclo imobiliário”, completa. 

 



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