Finanças

Renda fixa se destaca com inflação baixa no semestre


Bolsa termina a primeira metade do ano com alta de 4,44% e ainda deve passar por volatilidade à espera de reformas


  Por Redação DC 30 de Junho de 2017 às 19:23

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em um semestre marcado pela crise política envolvendo o presidente Michel Temer, as aplicações que tiveram maior rentabilidade foram as atreladas ao euro, que subiu 11,05% no acumulado do ano, e o ouro, com alta de 10,69% no mesmo período, segundo ranking elaborado pelo administrador de investimentos Fabio Colombo. 

Com alta de 4,12% e de 0,38% em junho, respectivamente, esses ativos são mais arriscados por sua variação de preços ser brusca no mercado e depender do que acontece não só no Brasil, mas também no exterior. 

O dólar, por sua vez, terminou o semestre com valorização de 1,97%. No mês, acumulou alta 2,41%. O semestre foi bom para as aplicações de renda fixa, que têm risco menor, por causa da queda da inflação.

Ainda na renda variável, a bolsa encerrou o semestre no campo positivo. O Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado) valorizou 4,44% no mesmo período. No mês, o índice subiu 0,38%.

Segundo Colombo, o mercado ainda acredita ou - ao menos tem esperança - de que as reformas Trabalhista e da Previdência serão aprovadas neste ano.

"Só que essa crença, aos poucos, pode fraquejar. Vai depender do que ocorrerão com as denúncias fatiadas do Procurador Rodrigo Janot. Enquanto isso, os investimentos de empresários devem ficar congelados, atrasando a recuperação do emprego", diz. 

Segundo Colombo, a bolsa ainda enfrentará volatilidade por causa da espera do mercado pelas reformas. "Um consenso é a que a da Previdência precisa sair, mesmo que passe com muitas alterações", completa.

Apesar de encerrar o semestre no campo positivo, a bolsa ofereceu um retorno inferior ao de algumas aplicações da renda fixa, que ao menos no curto prazo ainda trará alegrias ao investidor. 

"A velocidade de redução dos juros está sendo menor do que a da queda da inflação. E isso é muito bom para o retorno da renda fixa", afirma. 

Com isso, o retorno dos fundos de renda fixa foi de, em média, 5,81% no semestre, e na faixa de 0,75% a 0,90% em junho, de acordo com a taxa de administração do fundo. 

O segundo maior rendimento médio foi oferecido a quem aplica nos fundos DI, de 5,77% no semestre. No mesmo período, a rentabilidade indicativa dos CDBs foi de 5,30% de janeiro a junho. 

Os títulos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) terminaram os primeiros seis meses do ano com retorno indicativo de 3,95%, próximos ao da caderneta de poupança, que proporcionou rendimento líquido de 3,56%.

Todas as aplicações ofereceram ganho real se considerada da inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que terminou os primeiros seis meses do ano em queda de 1,95%. 

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