São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Preço do imóvel sobe menos que a inflação
Imprimir

Pelo terceiro mês consecutivo, valor do metro quadrado em São Paulo é menor que índice de preços

A desaceleração na inflação dos imóveis residenciais chegou a um patamar inferior ao da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que configura, no jargão técnico, uma queda real de preços. É o que mostra o Índice FipeZap, que mede o vaivém desses valores a partir de anúncios de vendas que circulam em 20 capitais brasileiras.

Neste conjunto de cidades, o preço médio do metro quadrado do imóvel subiu 0,45% em novembro, percentual idêntico ao apurado em outubro, e menor do que a inflação projetada para o mês de 0,59%, segundo estimativa da pesquisa Focus, realizada junto a instituições financeiras. O preço do imóvel subiu acima da inflação apenas em nove cidades: Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Vitória, Vila Velha, Niterói, Campinas e Contagem. 

Com o segundo maior preço de imóveis de todas as 20 cidades, São Paulo tem registrado elevações de preços de imóveis menores do que a inflação nos últimos três meses. Em novembro, esse incremento do preço foi de apenas 0,26%. O metro quadrado do imóvel em São Paulo custa em média R$ 8,3 mil, menor apenas do que o do Rio de Janeiro (R$ 10,8 mil). Bruno Oliva, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas), observa nesses números uma tendência de desaceleração, que já havia começado no início do ano. 

Em São Paulo, por exemplo, o preço do metro quadrado já tinha sido menor do que a inflação em fevereiro e março e isto voltou a ocorrer em setembro. Na avaliação do economista, a desaceleração dos preços é decorrente de uma expectativa desfavorável para a economia em 2015, o que inibe a demanda de consumidores por imóveis. “A prestação da casa é um gasto importante para as famílias. Se o consumidor vê uma situação econômica incerta e um mercado de trabalho desaquecido, diminui a demanda e isso reflete nos preços”, avalia Oliva. Na capital paulista, o metro quadrado de maior preço é o do Jardim Europa, com o valor de R$ 14,7 mil, seguido pelo da Vila Nova Conceição, de R$ 14,5 mil, e Jardim Paulistano (R$ 12,9 mil). Os bairros com o metro quadrado mais barato são Guaianazes (R$ 3,597), Grajaú (R$ 3,640) e Artur Alvim (R$ 3,691). 

Apesar da desaceleração frente à inflação nos últimos três meses, o preço do metro quadrado em São Paulo subiu 7% de janeiro a novembro deste ano, mais do que o IPCA projetado para o período, que é de 5,07%, pela pesquisa Focus. Em doze meses, os preços subiram 8,13% em São Paulo. O desempenho foi melhor do que a média das 20 capitais, que ficou neste período com alta de 7,37%.

Oliva lembra que a desaceleração no preço do imóvel também deve chegar aos preços do aluguel. Nos últimos três meses, o valor médio dos aluguéis em São Paulo tem diminuído, segundo a pesquisa. Em novembro, a queda foi de 0,02% sobre o mês anterior, após duas variações negativas consecutivas – de 0,07% em outubro e de 0,29% em setembro. “O valor do aluguel guarda uma relação com o preço do imóvel. Embora ambos possam flutuar por algum tempo, o fato é que caminham para a mesma direção”, conclui o economista. 



Resultado abre espaço para uma redução menos “tímida” da taxa de juros por parte do Banco Central, segundo economistas da ACSP

comentários

Em 12 meses, o resultado ficou em 6,99%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%

comentários

Redução maior foi discutida na reunião do Copom, mas ainda depende da queda na resistência de alguns componentes do índice de preços, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BC

comentários