São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Finanças

Piora na percepção do Brasil faz dólar subir
Imprimir

Moeda fecha em alta de 2,06% a R$ 2,979 por causa da dificuldade de aprovação do ajuste fiscal no Congresso Nacional, operação Lava Jato e dúvidas sobre o programa de leilões do Banco Central

Depois de atingir a cotação de R$ 2,919 no fechamento do mercado de terça (3) - a maior desde setembro de 2004 – o dólar comercial continuou subindo nesta quarta-feira (4) e reflete a piora da percepção do mercado sobre se haverá, de fato, o ajuste fiscal defendido pelo governo. 

No fechamento do dia, o dólar comercial subiu 2,06% a R$ 2,979. O dólar futuro negociado na bolsa de valores subiu 2,48% e chegou aos R$ 3,010 nesta quarta (4). 

Diversos movimentos internos, a operação Lava Jato e a visita das agências de classificação de risco, também têm pesado sobre a cotação da moeda. Outro fator que influencia esse movimento é a incerteza sobre se o Banco Central (BC) continuará com o programa de leilões de dólares no mercado futuro (swap cambial). 

Boletim de conjuntura do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que a cotação próxima de R$ 3 poderia baratear a produção industrial brasileira, que caiu 5,2% em janeiro sobre igual mês de 2014.

"No entanto, apesar de ser insuficiente para compensar a perda de competitividade sofrida pela indústria na última década, o dólar deverá pressionar a inflação, e, portanto, a taxa de juros. O ajuste fiscal, baseado no aumento de impostos e eliminação de incentivos, também deverá contribuir para que não haja recuperação da atividade industrial no curto prazo", diz o boletim. 

LEIA MAISDólar caro: como programar as férias?

O forte movimento de alta do dólar nessa semanta tem acompanhado o desenrolar do projeto de ajuste fiscal Congresso Nacional, a investigação da Operação Lava Jato e a visita das agências de classificação de risco ao Brasil. 

A tensão começou nesta terça (3), quando Renan Calheiros, presidente do Senado, devolveu a MP 669, que trata sobre a redução do benefício fiscal de desoneração da folha de pagamentos das empresas.   

O governo foi rápido e no mesmo dia enviou ao Senado um projeto de lei, com urgência constitucional, com o mesmo teor da MP.

No entanto, a apreciação dessa matéria deve ser mais lenta e tende a retardar a adoção das medidas de ajuste fiscal, o que pode comprometer o cumprimento da meta de ajuste de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Na manhã desta quarta (4), Miguel Rossetto, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República disse que a devolução da MP por Calheiros não compromete a estratégia de ajuste fiscal.  "O Congresso tem grande responsabilidade, várias das medidas serão analisadas pelos congressistas e o governo está muito confiante na aprovação dessas medidas", afirmou.

Outro fato que trouxe cautela aos mercados foi a apresentação da lista de Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A lista incluiria os nomes dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, entre os políticos supostamente envolvidos nos esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

O risco político é um dos pontos que estão definindo os rumos da taxa de câmbio, juntamente com as incertezas na economia, e a avaliação das agências de classificação de risco. 

Os representantes da agência Standard & Poor's desembarcam nesta quarta (4) em Brasília e já têm agendados vários encontros com integrantes da equipe econômica, nos ministérios da Fazenda e do Planejamento. 

A agência Fitch Ratings, que deve chegar ao País no dia 16, avaliou em relatório que cortar despesas neste ano será algo "desafiador" para os Estados brasileiros do ponto de vista político e após gastarem em excesso em 2014 com as eleições. 

A Fitch previu ainda que as margens operacionais de muitos Estados vão se deteriorar no curto prazo.

Por outro lado, existe a desconfiança de que o governo poderá suspender ou alterar as condições do programa de leilões de dólares no mercado futuro, o swap cambial, a partir do 1º de abril.

Este tipo de operação tem objetivo de conter a forte volatilidade (movimentos de alta e baixa) da moeda. Joaquim Levy, ministro da Fazenda, já disse em outras ocasiões que a cotação do dólar mudou não só no Brasil, mas também em outros países, e que os leilões não devem guiar a taxa a um determinado patamar. 

*Com informações de Estadão Conteúdo



A retomada estará atrelada ao atual patamar de câmbio, com o dólar mais acomodado em cerca de R$ 3,20, depois de bater os R$ 4 no início do ano.

comentários

Ministério Público denunciou ex-presidente nesta quarta (14/09) por corrupção e lavagem de dinheiro. O apartamento do Guarujá não passaria de propina em troca de contratos com a Petrobras

comentários

Em um dia de turbulência nos mercados internacionais, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 3,317, com alta de 2,09%

comentários