Não usa o programa de fidelidade? Peça desconto na anuidade


Se você gasta bastante no cartão de crédito tem um bom motivo para pedir isenção ou ao menos um desconto na anuidade


  Por Vitor França 08 de Agosto de 2017 às 08:00

  | Economista, é professor universitário e consultor da Boanerges & Cia., especializada em varejo financeiro


O cartão de crédito costuma estar associado a risco de endividamento e juros altos. Entretanto, ele não é apenas uma forma de financiar as compras, mas também – e principalmente – um meio de pagamento, serviço que é remunerado pela anuidade –paga pelo portador do cartão ao banco emissor – e pela taxa de intercâmbio – uma parte da taxa de desconto paga pelo lojista sobre o valor de cada compra que é repassada pela credenciadora (dona da maquininha) ao emissor do cartão.

Assim, cada vez que utiliza o cartão, você está gerando receitas para o banco emissor.

De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), no caso de um cartão premium, cerca de 2% do valor da compra, em média, vai para o emissor. A taxa de intercâmbio média cai para 1,7% nos cartões intermediários, 1,5% nos cartões básicos e 0,8% no caso dos cartões de débito.

Além dos ganhos provenientes de juros, uma das principais fontes de receita para os emissores de cartões é a taxa de intercâmbio.

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Com base nos dados do BC, estima-se que, no ano passado, as receitas advindas dessa taxa totalizaram R$ 15 bilhões, valor 2,3% inferior ao registrado em 2015 (já descontada a inflação).

O recuo pode ser explicado tanto pela queda do faturamento real dos cartões de crédito quanto das taxas de intercâmbio, reflexo, por sua vez, da crise econômica e do aumento da competição no mercado de maquininhas.

Digamos que você tenha um cartão intermediário e gaste, em média, R$ 2.000 por mês. Em um ano, os R$ 24.000 terão gerado uma receita de R$ 397 ao banco. No caso de um cartão premium, o mesmo volume de gastos gera uma receita de R$ 472.

Os serviços de pagamento prestados pelos bancos, obviamente, envolvem despesas relacionadas a atendimento, fraude, taxas para bandeiras, entre outras, além dos gastos com os prêmios dos programas de fidelidade.

Se você, porém, gasta bastante no cartão e não tem ou não utiliza o programa de fidelidade – e já até se acostumou à expiração dos pontos após um ou dois anos –, as receitas geradas nas compras provavelmente cobrem todas as despesas operacionais e ainda garantem algum lucro ao emissor.

Apesar disto, também de acordo com o BC, a anuidade média de um cartão intermediário é de mais de R$ 200, subindo para quase R$ 300 no caso de um cartão premium – em ambos os casos foi registrada alta da anuidade na comparação com 2014.

Por outro lado, por causa do dólar mais caro e da queda dos gastos no cartão de crédito, vem caindo o número de pontos adquiridos nos programas de fidelização – a maioria dos programas oferece pontos atrelados à moeda americana (reais convertidos em dólar e transformados em pontos de acordo com regra de conversão do dólar em pontos).

Você que gasta bastante no cartão de crédito, mas não utiliza o programa de fidelidade, tem, portanto, um bom motivo para pedir isenção ou ao menos um desconto na anuidade, já que pode ser um cliente lucrativo mesmo que não financie suas compras nem pague tarifas.

Não é à toa que há diversas opções de cartão sem anuidade no mercado.

Por sinal, caso a isenção ou o desconto da anuidade lhe sejam negados, não perca tempo e procure emissores que ofereçam serviços de qualidade e sem tarifas.

Ainda que o cartão não tenha programa de fidelidade, você poderá desfrutar de benefícios como o prazo maior de pagamento – em relação ao débito – e o parcelamento sem juros das compras.

A elevada concentração bancária é um problema, mas parte da baixa concorrência se deve à falta de informação e à inércia dos clientes.

Alocar os recursos escassos de acordo com as suas reais necessidades é sinônimo de eficiência econômica, o que, por sua vez, significa mais dinheiro disponível para a aquisição de outros bens e serviços e mais recursos circulando no comércio.

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