São Paulo, 28 de Junho de 2017

/ Finanças

Juros a quem paga o mínimo da fatura do cartão caíram 47% desde março
Imprimir

A taxa média do rotativo, aplicada pelos seis maiores bancos do país, foi de 283,5% nos três primeiros dias úteis de abril, segundo a Abecs

A taxa média de juro do crédito rotativo, usado por aqueles que não pagam a sua fatura totalmente, diminuiu 41,7% nos três primeiros dias úteis de abril, para 283,5%, em relação ao mesmo período de março, quando era de 486,1%, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (13/04) pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). 

Em relação aos últimos dias úteis de março, de 455,1%, segundo a entidade, o juro caiu 37,7%. Em março, a taxa média foi de 466,4%.

As taxas consideram os juros médios do rotativo em dia, aqueles que pagam ao menos o mínimo da fatura, e das concessões diárias dos seis maiores bancos que atuam no País: Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Citi, Santander e Caixa Econômica Federal.

"Teremos uma taxa bem convergente em abril, primeiro mês do novo rotativo", afirmou o presidente da Abecs, Fernando Chacon, em coletiva de imprensa.


EXPECTATIVA

O juro médio do crédito rotativo em abril, primeiro mês da mudança na modalidade, deve ficar bem próximo dos 210% ao ano, de acordo com Chacon. 

Em março, a taxa ficou em 466,4% ao ano. "O governo vai conseguir reduzir o juro do rotativo até mais do que 50% neste ano", afirmou Chacon, em coletiva de imprensa.

O primeiro mês do novo rotativo, que limitou o uso da modalidade em até 30 dias, é visto como um período de transição. Isso porque as pessoas passarão a ter de parcelar o saldo devedor do rotativo após um mês.

De acordo com o presidente da Abecs, ainda não é possível mensurar o impacto da inadimplência do novo rotativo, uma vez que não dá para saber como será o comportamento das pessoas com a modalidade. 

"Não sabemos como será o empilhamento dos parcelamentos. Precisamos de ao menos seis meses, mas o limite de crédito de cada consumidor será mantido. Não terá um consumo maior de crédito", explicou Chacon.

COMPENSAÇÕES

Os bancos terão efeito imediato do novo rotativo, cujo uso foi limitado em até 30 dias, em suas margens financeiras e vão procurar compensá-lo, de acordo com o presidente da Abecs. 

Como a modalidade entrou em vigor no último dia 3 de abril, os reflexos devem aparecer nas demonstrações das instituições financeiras do segundo trimestre deste ano.

"A compensação das margens menores por conta do novo rotativo deve vir de redução de custos e outras receitas, mas não deveremos ter necessariamente aumento de tarifas", explicou ele, em coletiva de imprensa.

Chacon admitiu, porém, que os bancos podem reduzir a quantidade de isenções que concedem para alguns clientes do cartão de crédito como uma forma de compensar a queda nas margens. 

Mas, ele acredita que a principal forma de recuperar esse menor ganho é através da redução de custos e um fator principal na conta é a queda da inadimplência que deve vir no futuro por conta do corte nos juros da modalidade.

Segundo o presidente da Abecs, os bancos vão pagar antes o preço, referindo-se à queda nas margens por conta do novo rotativo, de discutir temas que vão contribuir para o avanço do setor de cartões.

 Afirmou ainda que não havia espaço para a redução dos juros do rotativo porque a margem do produto é pequena em termos de retorno visto que a inadimplência da modalidade é de cerca de 36%, bem acima dos calotes nos cartões, que giram ao redor dos 7%.

Os representantes dos bancos emissores de cartões estiveram, inclusive, reunidos na manhã desta quinta, debatendo as mudanças na forma de divulgação dos juros do crédito rotativo.

FOTO: Thinkstock



Desde abril, os consumidores que não conseguem pagar integralmente a fatura do cartão de crédito só podem ficar na modalidade por 30 dias

comentários

Em maio, o IPCA registrou alta de apenas 0,05% nos serviços, com reflexos diretos sobre negócios do setor

comentários

No segundo ajuste monetário realizado no ano, instituição confirma a confiança na boa saúde da economia norte-americana

comentários