São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Inflação do aluguel sinaliza aceleração em março
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Fundação Getúlio Vargas diz que as prévias do IGP-M deste mês mostram que os aumentos no preço da energia estão chegando ao índice

Os resultados das coletas prévias do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de março - que têm o objetivo de acompanhar a evolução dos preços - indicam que a inflação do aluguel deve encerrar este mês em aceleração, segundo Salomão Quadros, superintendente-adjunto de Inflação da FGV (Fundação Getúlio Vargas). 

O especialista não fez estimativas sobre até quanto este índice - bastante adotado em reajuste de aluguéis - pode subir.

No entanto, Quadros assegurou que o varejo deve ser a grande fonte de pressão nos dez dias restantes de apuração de preços deste mês. Além disso, os aumentos nas tarifas de energia estão chegando ao índice. O resultado fechado do IGP-M será conhecido no próximo dia 30.

Nesta quinta (19), a instituição anunciou que o IGP-M subiu 0,84% na segunda prévia de março. O indicador captou preços entre os dias 21 de fevereiro e 10 de março.

Na primeira prévia do mês, o índice havia ficado em 0,74%. "As prévias estão sinalizando aceleração, principalmente do IPC (Índice de Preços ao Consumidor)", diz Quadros.

A inflação varejista vem recebendo aos poucos o impacto dos aumentos na energia elétrica. Em 27 de fevereiro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou um reajuste extraordinário médio de 23,4% a todas as distribuidoras. 

Além disso, elevou o valor adicional cobrado segundo o regime de bandeiras tarifárias na conta dos consumidores. Na segunda prévia de março, a tarifa de eletricidade residencial ficou 12,89% mais cara, e a perspectiva é a taxa ficar ainda mais elevada.

"O efeito da energia elétrica é muito maior do que o das desacelerações em mensalidades escolares e tarifas de ônibus. Ele domina com folga", afirma Quadros.

MAIOR TAMBÉM NO ATACADO

No atacado, porém, também há pressões de alta que devem persistir até o fechamento deste mês, como é o caso da soja, que subiu 5,74% na segunda prévia. 

O grão detém o maior peso individual no atacado. "Mas o aumento da soja não vai longe", afirma o superintendente, que prevê estabilidade nos preços da commodity após boas notícias vindas do campo.

Já o minério de ferro interrompeu uma sequência de meses em queda e avançou 0,54%. "O minério não está caindo tanto quanto no ano passado. Além disso, o câmbio é um formador de preço com maior atuação sobre o minério, e a desvalorização do real supera o efeito da queda de preço", diz.

Outra sinalização de que o aumento do dólar pode já estar refletido na inflação atacadista é o grupo materiais para a manufatura. 
Considerado um termômetro do câmbio, a categoria saiu de queda de 1,43% no mês passado para um recuo bem menos intenso, de 0,13%. "Ainda há redução nas cotações (de preços), mas há suavização disso devido ao câmbio", afirma Quadros.

A atividade em baixa e a desaceleração do consumo das famílias provocou uma queda nos preços de bens de consumo duráveis na indústria este mês, com destaque para os automóveis para passageiros, com queda de 0,86%. 

"Não é comum, mas é explicável. As montadoras estão abarrotadas de carros e precisam vender. Por isso, acabam dando descontos", diz.



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