São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Factorings querem atrair as pequenas empresas
Imprimir

O empresário interessado nessa modalidade de financiamento deve organizar as informações e os recebíveis de clientes. A recomendação dos especialistas: comparar as taxas, que voltaram a subir com a alta da Selic

Se o baixo crescimento da economia já tornou a análise de crédito para a pessoa jurídica nos bancos mais rígida, nas factorings o comportamento não tem sido diferente. “O mercado está mais cuidadoso na análise e há menos crédito liberado. Neste ano, não vemos um grande crescimento do setor”, afirma João Costa Pereira, presidente da Brasil Factors. A estimativa da Anfac (Associação Nacional de Factoring) é que o setor encerre este ano com uma movimentação de R$ 100 bilhões de apoio à pequena e média empresa, o mesmo valor registrado no ano passado. 

Luiz Lemos Leite, presidente da Anfac, afirma que no último trimestre houve um incremento das operações por causa da retração do crédito nos bancos. “No entanto, não podemos ser confundidos com os bancos porque compramos os direitos das vendas”, diz Lemos Leite. Para 2015, ele diz estar otimista com a economia. “Se a presidente não interferir e deixar a equipe trabalhar será um bom ano. E as pequenas empresas são o segmento significativo para as factorings. Há espaço para crescer”, afirma. 

Atualmente, 600 factorings financiam 150 mil médias e pequenas empresas no país, o que é pouco, considerando um universo estimado em 3 milhões de empresas com este perfil. Deste total, 80% das empresas financiadas são indústrias.  O presidente da Anfac afirma que o setor de factoring financia negócios que empregam, direta e indiretamente, 2,5 milhões de pessoas no país. 

Desta forma, são três os desafios do setor. De um lado, as taxas cobradas na modalidade estão subindo e acompanhando a Selic. De outro, a análise de crédito ficou criteriosa em um ano de atividade econômica mais fraca. Mais um desafio que o setor de factoring enfrenta é o de deixar de ser associado com a agiotagem. “É uma imagem que se formou no passado, quando qualquer um podia abrir uma factoring. Mas esta é uma ideia errada, pois é atividade mercantil reconhecida pelo Banco Central e que oferece um serviço para o empresário vender mais, ao utilizar o crédito de forma alavancada. Mas isso demanda garantias da empresa e assessoria das factorings", afirma Pereira. 

O CUSTO DA FACTORING
Segundo o presidente da Brasil Factors, a factoring tem o diferencial de oferecer um conjunto de serviços para a empresa que financia, inclusive analisando seus clientes. A cesta de serviços inclui cobrança, assessoria de crédito e análise de risco. 

O empresário que opta por esta alternativa de financiamento recebe à vista o que entraria no caixa no futuro, com um deságio que, hoje, está em 3,96% a cada 30 dias, segundo uma média nacional apurada pelo fator Anfac (Associação Nacional de Factoring). Em 16 de dezembro do ano passado, esta média era menor, de 3,81%. Em 2012, no mesmo intervalo, de 3,57%. A taxa de deságio embute todos os custos da operação: o de oportunidade, tributação, despesas, cobrança, expectativa de lucro e risco. Além disso, as factorings cobram uma taxa de serviço de assessoria, que em média é de 0,5%. 

Pereira, da Brasil Factors, diz que esta é uma média nacional, que inclui as maiores e menores taxas aplicadas. Na Brasil Factors, por exemplo, ele diz que a taxa máxima não passa de 3%. 

Para ilustrar como funciona a cobrança, basta supor que uma empresa tem comprovadamente o valor de R$ 10 mil a receber de clientes daqui a 30 dias e vende esse valor para a factoring. Se for aplicada a taxa de deságio média de 3,96% por 30 dias e mais 0,5% de serviço, de forma acumulada, esta empresa receberia no ato R$ 9.552,02. O valor de R$ 447,98 ficaria com a factoring. “E com esse valor ela faz capital de giro, compra matéria-prima e paga a folha de pagamento. É diferente dos bancos, que cobram taxas de juros após o empréstimo”, diz Lemos Leite.  

A inadimplência no setor está em torno de 4% ao ano, o que é considerado um patamar baixo pelo presidente da Anfac, considerando que as empresas financiadas por factorings têm suas movimentações acompanhadas de perto por quem as financia. Desta forma, as factorings só compram títulos de crédito ou duplicatas de bons sacados.

DIFERENÇAS COM OS BANCOS
Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), diz que o financiamento por meio de factorings é bem diferente do oferecido pelos bancos. Para obter recursos na factoring, é preciso ter os papéis que comprovam os recebíveis. Já no banco, muitas vezes basta ter um histórico de crédito para obter limites em algumas linhas de crédito. 

“São alternativas peculiares. Para as empresas, cada uma pode ser melhor ou não, de acordo com as circunstâncias do momento. A pequena empresa pode precisar apenas de uma taxa menor de juro em uma situação. Em outra, a prioridade pode ser obter o recurso disponível em um prazo mais curto. É preciso estudar cada alternativa e suas taxas”, diz Solimeo. O economista afirma que a factoring acaba sendo mesmo uma alternativa para a pequena empresa que precisa do recurso, mas ainda não tem histórico e tampouco linha de crédito aprovada no banco.  

O ponto crucial para as pequenas empresas, além da comparação de taxas, é a avaliação das garantias que elas e seus clientes podem oferecer. De acordo com o presidente da Brasil Factors, a pequena ou média empresa deve ser organizada, e expor informações claras sobre seus recebíveis (notas fiscais e duplicatas) e cadastro de seus sacados. Além desses documentos, a empresa tem de apresentar para a factoring o comprovante de entrega de mercadorias, cadastro de proprietário e de sócios e o contrato social registrado na Junta Comercial. 

 



O horário para pedir resgate das aplicações também será ampliado. Mudanças começam no próximo sábado (03/12)

comentários

Guilherme Afif Domingos (foto), presidente do Sebrae, diz que uma das propostas é que entidade e Banco Central formem um grupo de trabalho para estudar formas de atender melhor os pequenos empresários

comentários

Saldo positivo na criação de vagas de trabalho entre as micro e pequenas empresas supera 6 mil novos postos

comentários