São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Escolha o investimento certo para a sua empresa
Imprimir

Especialistas explicam como escolher formas de financiar o seu negócio - quando vale a pena um sócio investidor, um anjo, um empréstimo, entre outros

Carina Rosin, empresária de 37 anos, de São Paulo (SP), costuma dizer que a oportunidade de abrir o próprio negócio caiu no seu colo. Em 2010, quando seu irmão estava prestes a se casar, deu o presente perfeito para uma típica noiva preocupada. Ao ver a futura cunhada perdendo o sono por causa dos quilinhos à mais, ofertou como presente nada menos que um personal trainer.

A ideia é inerente à sua profissão. Formada em educação física, queria fazer alguma coisa para ajudar a cunhada a entrar no vestido dos sonhos. E conseguiu. O resultado foi ótimo e chamou a atenção das amigas, que começaram a pedir presentes similares. Nascia a Noiva em Forma, empresa que fornece serviços de assessoria esportiva e nutricional para mulheres que querem ficar lindas e esbeltas dentro do vestido de noiva perfeito. 


Carina Rosin (à esquerda) e Flávia Picolo (à direita) já faturam R$ 360 mil

Em 2011, Carina profissionalizou o negócio e trouxe a sócia, Flávia Picolo, para dividir as funções administrativas. Hoje, com 30 noivas e um faturamento anual de R$ 360 mil, já se sente pronta para subir mais um degrau. “Agora nós precisamos de uma injeção de capital para conseguir expandir a empresa para o interior de São Paulo”, conta. 

Hoje, Carina já tem clareza de que precisa de um sócio investidor para transformar seu negócio em um esquema de franquias. “Estou deixando o plano de negócios redondo para começar a ir atrás desse sócio com capital e conhecimento na área, para nos ajudar na gestão”, diz. 

No entanto, assim como qualquer empresário mortal, ela teve dúvidas. Seria melhor buscar um empréstimo? Talvez um anjo que entrasse com o dinheiro e não interferisse na gestão?

Para  Humberto Matsuda, sócio responsável pelos fundos de Venture Capital da Performa Investimentos, a escolha das sócias está bem fundamentada. “A grande pergunta que qualquer empresário tem de fazer é ‘Para que eu quero esse dinheiro?’, a partir dessa resposta a decisão fica mais estratégica e coerente.”

Não tem fórmula mágica, é verdade. Leonardo Calixto, sócio da Empírica Investimentos, lembra que o investimento perfeito deve considerar muitas varíaveis. “Além do objetivo, é preciso considerar o estágio de desenvolvimento da empresa.”

Confira quais os principais tipos de investimentos e para quem eles servem.

Investidor anjo: Se você não precisa de muito dinheiro e precisa dar o pontapé no seu negócio, o anjo é quem vai te abençoar com o capital necessário para a infraestrutura mínima da operação - o chamado MVP (sigla em inglês para mínimo produto viável). Pelo investimento, os fundadores compartilham a sociedade com esse outro investidor, que poderá agregar mais conhecimento à operação. 

Fundos: Os fundos de Venture Capital exigem um pouco mais de maturidade da empresa. “É um investimento de alto nível”, aponta Matsuda. A Empírica Investimentos, liderada por Leonardo Calixto, é especializada neste formato e o executivo ressalva: “É preciso ter entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões de faturamento para partir para esse modelo”, diz. No entanto, muitas vezes uma análise mais aprofundada do balanço da empresa pode abrir a oportunidade para negócios menores. “Depende de quanto tem em contas a receber, de qual o projeto de viabilizar o produto e também da carteira dos clientes”, explica. 

Crowdfunding: a modalidade da moda prevê a captação de dinheiro junto aos próprios futuros usuários do produto. Em retorno, a empresa oferta algum tipo de serviço a quem contribuiu. Matsuda, da Endeavor, explica que em muitos países é proibido vender ações da empresa em crowdfunding, o que é o caso do Brasil. “É como a pré-venda de um produto, é uma ação específica que vale a pena para alguns tipos de empresas e serviços”, afirma. No entanto, se o produto ficar caro, o peso vai esvaziar o bolso do empresário. “Valeria a pena fazer isso no caso de captação para um Food Truck, por exemplo, em que é possível fornecer um voucher para que os colaboradores da captação possam usufruir do serviço com pouco custo adicional.”

Doações ou Fundações: Se sua empresa vai trabalhar com pesquisa e desenvolvimento, é importante mapear todas as fundações que dão subsídio a esse tipo de negócio. “Desde a Fundação Bill e Melinda Gates até outras instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) poderão ajudar”, diz Matsuda.



O volume aportado no Programa de Aceleração do Crescimento entre janeiro e outubro caiu para R$ 28,9 bilhões. Em contrapartida, o governo espera gerar investimentos de R$ 15 bilhões com concessões

comentários

Eduardo Carone, sócio fundador da Nexto Investimentos, fala sobre os empreendimentos que esses fundos de investimento mais procuram no Diário do Comércio Entrevista

comentários

No mundo das startups, o nome do animal mitológico é usado para designar empresas emergentes de tecnologia com valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares

comentários