São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Escassez de crédito preocupa as empresas
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A concessão de crédito caiu 14% no primeiro trimestre. Os supermercadistas já preveem menor expansão de lojas das redes médias

A forte restrição dos bancos à concessão de crédito tem travado os negócios das empresas em vários setores da economia. Com o caixa debilitado pelo baixo desempenho econômico e sem acesso a linhas de crédito para capital de giro ou investimentos, as companhias começam a enxugar as estruturas, reduzir o quadro de funcionários e adiar pagamentos.

Nos três primeiros meses do ano, a concessão de crédito para empresas no País caiu 14% em relação ao quarto trimestre de 2014, de R$ 429,5 bilhões para R$ 407,3 bilhões, conforme relatório do Banco Central (BC). 

No mesmo período, entretanto, a demanda por empréstimos continuou em alta: subiu 9,7%, segundo a Serasa Experian. "Se esse indicador está crescendo e a concessão caindo é sinal que os bancos estão mais seletivos na liberação de crédito", diz o economista da empresa, Luiz Rabi.

Além do recuo no volume concedido, as taxas de juros aumentaram, os prazos de pagamento dos empréstimos diminuíram, e a inadimplência cresceu. Pelos dados da Serasa, o atraso nos pagamentos de despesas financeiras e não financeiras avançou 12% no primeiro trimestre, demonstrando a dificuldade das companhias diante da queda da atividade, custos mais elevados (energia elétrica e combustíveis, por exemplo) e escassez (e encarecimento) de crédito.

"Hoje, o principal problema das empresas é a falta de crédito. Se nada for feito, poderá haver um colapso que vai travar ainda mais a economia. Isso precisa ser olhado com urgência pelo governo", afirma o diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz. 

Ele acredita que a Operação Lava Jato, que investiga corrupção em contratos da Petrobrás, tem ajudado a secar o mercado de crédito, já que alguns bancos terão prejuízos com operações feitas com empresas envolvidas no escândalo.

"Mas mesmo quem está fora dessa confusão está sendo punido. Os bancos públicos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), não podem fechar as portas para o setor produtivo", reclama o executivo. 

No BNDES, fonte mais barata de financiamento para as empresas, o crédito com recursos direcionados (voltado para determinado segmento ou atividade) despencou 44,6% de janeiro a março comparado ao último trimestre de 2014, segundo o relatório do Banco Central.

A linha voltada para o capital de giro das empresas teve o maior baque na liberação: queda de 79,1% no período. O financiamento a investimentos caiu 43,6% e os empréstimos para o setor agroindustrial, 35,7%. Procurado, o banco de fomento não atendeu ao pedido de entrevista.

SUPERMERCADISTAS PROJETAM MENOS LOJAS

O varejo de supermercados espera desaceleração no ritmo de expansão em número de lojas este ano, avaliam representantes do setor. Apesar dos líderes Carrefour e Grupo Pão de Açúcar (GPA) manterem investimentos, associações temem que a menor disponibilidade de financiamento afete a capacidade de investimentos das redes médias.

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Fernando Yamada, considera que há menor oferta de crédito para construção de novas lojas ao mesmo tempo em que a alta de juros dificultou o acesso de empresas ao financiamento. 

Yamada ainda considera que as redes médias têm maior dependência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, portanto, têm sido afetadas pelo processo de redução e reorganização dos investimentos do banco público. Segundo ele, o setor tem feito reuniões para pedir mais aportes no comércio.

Apesar de duro, o cenário não indica ainda uma total estagnação na abertura de lojas do setor, de acordo com o economista da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Rodrigo Mariano. No Estado de São Paulo, a previsão da entidade é de um aumento em torno de 1% na base total de lojas do varejo supermercadista em 2015 ante 2014. O ritmo de crescimento, porém, é menor que em períodos anteriores. Em 2013, por exemplo, chegou a 2%, diz.



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