São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Finanças

Dólar é o melhor investimento de 2014
Imprimir

Desvalorização do real favoreceu moeda americana. Bolsa fica novamente em último lugar

Com valorização de 12,99%, o dólar lidera o ranking dos investimentos em 2014. A desvalorização do real e o saldo negativo da balança comercial brasileira contribuíram para este resultado.

Apesar da forte valorização da moeda americana neste ano, a expectativa é que a cotação do dólar sofra grandes oscilações em 2015 por conta de fatores internos e externos, o que exigirá cautela dos investidores. Os especialistas do mercado financeiro recomendam, portanto, que não se façam apostas em altas ou baixas.

“Como os EUA ainda não têm definição sobre o aumento dos juros, poderá haver alteração no fluxo de capitais para os mercados emergentes – o que vai afetar o Brasil”, afirma Fabio Colombro, administrador de investimentos que elabora o ranking. Por isso, quem tem uma viagem programada com alguma antecedência deve comprar papel-moeda aos poucos – ou fazer recargas no cartão pré-pago para obter uma taxa de câmbio média. Qualquer aposta absoluta pode ser arriscada demais.

Tarcisio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista, afirma que este não é um bom momento para entrar em fundos cambiais na expectativa de que os movimentos internacionais possam levar o dólar a disparar. “Há muitas variáveis para o câmbio e o risco é maior. Um exemplo foi quando o Lula assumiu a presidência da República, lembra? O dólar chegou a R$ 4 e logo voltou a baixar.”

Tobias Maag, planejador financeiro certificado pelo IBCPF (Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros), diz que qualquer decisão deve refletir a intenção que a pessoa tem em relação ao dólar.

Se o objetivo do dinheiro for pagar um curso no exterior ou morar por um tempo em outro país, o viajante deve fazer uma reserva e avaliar as exigências dos bancos para abrir uma conta-corrente na cidade destino. “A questão, neste caso, é saber se o montante de recursos exigido pelo banco será viável para o pequeno poupador”, afirma.

Rodrigues diz também que os fatores que podem trazer a cotação do dólar para cima são uma nova turbulência na economia da Rússia e o aumento dos juros nos Estados Unidos, esperado para abril. Apesar de um cenário interno com um nome forte no Ministério da Fazenda, a taxa de câmbio está refletindo a crise de corrupção na Petrobras.

“O que está pesando muito é a imagem negativa que isso trouxe para o Brasil. O investidor pensa três vezes antes de mandar o dinheiro para cá. Não arrisco fazer uma projeção para 2015 porque o mercado está sem perspectiva de longo prazo”, afirma Rodrigues.

Bolsa: mau desempenho se repete; cautela deve ser mantida em 2015

Hoje, no último dia do pregão do Ibovespa de 2014, a Bolsa fechou em queda de 1,16%, confirmando o desempenho do mês (-8,62%), e encerra o ano com queda de 2,91%. Mas, se este ano foi complicado para o mercado de ações, 2015 será um ano de mais cautela. Fabio Colombo lembra que o indicador foi ruim para a maioria das Bolsas do mundo, exceto para os EUA.

“O desempenho da Bolsa brasileira foi muito influenciado pelo baixo crescimento, pela inflação pressionada, os escândalos na Petrobras e a queda no preço das commodities – o que levou a petrolífera e a Vale a registrarem baixas de quase 40% no preço das ações ON”.

Para quem não está na Bolsa, analistas recomendam que este não é o melhor momento para entrar. “Falamos aos nossos clientes para ficar na renda fixa no início do próximo ano e voltar a olhar para a Bolsa a partir do segundo semestre. Será difícil para o mercado acionário bater a taxa de juro. No primeiro semestre, vamos observar o trabalho da nova equipe econômica”, diz Raymundo Magliano Neto, diretor da Magliano Corretora.

A recomendação é conservadora, já que os manuais tradicionais indicam que o melhor momento para comprar ações é quando os preços estão baixos. Para Magliano, os preços de ações que hoje estão baixos podem cair ainda mais. Do ponto de vista conservador, será melhor comprar por um valor um pouco superior ao de agora, mas com a confiança de que eles voltarão a subir. Para quem já está posicionado na Bolsa, o diretor recomenda fracionar as compras a cada mês para evitar perdas com possíveis solavancos decorrentes do cenário externo.

Ricardo Kim, analista da XP Investimentos, já afirma que a perspectiva para o Ibovespa não é positiva, e poucos são os setores que podem trazer ganhos, como os de educação e financeiro.

Entre as empresas exportadoras, que podem ter sua margem de lucro beneficiada pela alta do dólar, Kim destaca a Fibria e a Suzano, de papel e celulose, e a Embraer, que tem receita atrelada à moeda norte-americana.

Daniela Martins, analista de investimentos da Concórdia Corretora, diz que, entre as exportadoras, avalia bem as que estão no setor de alimentos. “Há uma demanda interna resiliente e é um setor que pode ganhar com o dólar mais alto. Nossa preferência é pela BRF”, afirma.

No setor de varejo, a analista recomenda os papéis de empresas ligadas a alimentos e eletrônicos. No caso, Pão de Açúcar, Magazine Luiza, Lojas Americanas e Via Varejo. “Apesar da redução do consumo, as pessoas não deixam de comer. No setor de eletrônicos, ainda há demanda por aparelhos smartphones e notebooks”, completa. 

* Colaborou Karina Lignelli



Sérgio Amaral, nosso embaixador nos EUA, que acompanha o presidente Temer em sua primeira visita, busca investimentos americanos nos setores de infraestrutura e energia

comentários

Acima de um terço das companhias entrevistadas em levantamento da Ancham/SP informam que até dezembro colocarão em prática novos investimentos

comentários

A retomada estará atrelada ao atual patamar de câmbio, com o dólar mais acomodado em cerca de R$ 3,20, depois de bater os R$ 4 no início do ano.

comentários