São Paulo, 26 de Setembro de 2016

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Dólar caro: como programar as férias?
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Planejamento ajuda a não voltar do exterior com dívidas na bagagem. Após escolher o destino, a dica é pagar o pacote em reais e não especular com a taxa de câmbio na hora de comprar moeda

2015 é o ano dos ajustes não só nas contas públicas, mas também no bolso dos consumidores e na taxa de câmbio. Quem vai viajar para o exterior precisa fazer um planejamento cuidadoso para evitar sustos com os movimentos na cotação do dólar.

Quem já tem data para embarcar não deve especular, ou seja, esperar pela menor cotação. É sempre bom lembrar que uma taxa alta hoje pode ser maior ainda amanhã.

Na hora de escolher o destino internacional, o viajante deve tomar cuidado com vantagens ilusórias. Apesar de o euro ter subido menos do que o dólar, o objetivo em cada destino é diferente e isso deve ser colocado na conta. 

Nesta quarta-feira (4), o dólar turismo subiu 2,52%, cotado a R$ 3,13. No entanto, essa taxa é livre e depende de cada banco ou corretora de câmbio. Essa cotação costuma ser maior do que o do dólar comercial porque inclui as despesas das instituições financeiras com transporte e seguro do dinheiro em espécie. 

Para se ter uma ideia da evolução da moeda norte-americana, o dólar Ptax subiu 12,21% neste ano, passando de R$ 2,65 em 31 de dezembro para R$ 2,98 nesta quarta-feira. Essa cotação, apurada pelo Banco Central (BC), representa a média da taxa de câmbio negociada em operações de exportações nas maiores instituições financeiras. Em 12 meses até hoje, o dólar Ptax subiu 28,24%. 

O euro turismo, por outro lado, subiu 0,88% nesta quarta (4), cotado a R$ 3,46. A oscilação da moeda européia foi bem menor no dia, no acumulado deste ano e em 12 meses, subindo 2,23% e 3,35%, respectivamente, segundo o BC.  

DÓLAR OU EURO?
Será que vale a pena escolher o destino da viagem com base na taxa de câmbio? Especialistas recomendam cautela, já que a diferença é pequena. Além disso, Europa e Estados Unidos oferecem uma experiência – e possibilidade de gastos – diferentes. 

Quem escolhe um país da Europa, precisará calcular os preços de tíquetes de museus, passeios e pesquisar restaurantes.
Se o destino for os Estados Unidos, uma parte do orçamento será obviamente destinada para as compras. 

Afonso Gomes Louro, diretor da Visual Turismo, diz que o euro tem mostrado uma vantagem competitiva frente ao dólar, mas os preços dos pacotes não estão tão diferentes. 

“O movimento de vendas de viagens para a Europa, principalmente para o verão, aumentou sobre outros destinos. Isso porque o preço dos tíquetes aéreos, que tinha subido muito em 2014 por causa da Copa do Mundo, voltou a cair. Agora temos tarifas que equivalem a quase metade do preço cobrado no ano passado”, diz Louro. 

Um exemplo, segundo ele, é a diferença do preço do bilhete aéreo para Londres na alta temporada. Chegou a custar US$ 1,5 mil em 2014 e agora esse valor está em torno de US$ 800. 

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Segundo Constantino Karacostas, presidente da ABAV-SP (Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo), os destinos internacionais mais procurados neste início de ano são Miami, Orlando e Nova York – nos Estados Unidos. Já na Europa, os principais são Portugal e Espanha, atrativos por causa do idioma. 

“Não vimos migração de destinos por causa da variação cambial. Até porque as pessoas compraram pacotes com antecedência de seis meses a um ano. Vamos observar isso daqui para frente”, afirma. 

Na opinião de Louro, o dólar alto não tem afetado a decisão de viagem do turista que ia aos Estados Unidos. “A diferença não está no que o turista vai pagar pela viagem, e sim nos gastos que quer fazer lá”, diz. 

Para André Massaro, consultor financeiro, pode ser uma tentação trocar os Estados Unidos por um país da Europa, desde que a decisão seja tomada com antecedência para fazer um planejamento, incluindo a compra de passagem aérea e hotel. 

“Quem adquire em cima da hora paga mais pelos serviços. No mercado de câmbio facilmente tudo o que caiu pode subir. É importante lembrar qual era o objetivo da viagem. Quem queria ir para os Estados Unidos e muda de ideia só para aproveitar a taxa competitiva do euro pode perder toda a vantagem cambial se comprar um casaco na Europa”, afirma Massaro. 

O consultor diz que é preciso ter cuidado com as vantagens financeiras ilusórias, ainda mais quando se trata de viagens. A praxe é que sempre se gasta mais do que se planejou. 

“É como ir mais longe para abastecer o carro em um posto que cobra centavos a menos. A vantagem acaba quando a pessoa roda mais só para ter esse desconto”, diz. 

QUANDO PLANEJAR?

Especialistas recomendam que o planejamento comece, no mínimo, com um ano de antecedência se a viagem for internacional. Para Jansen costa, planejador financeiro CFP (Certified Financial Planner), quem planeja consegue obter uma diferença de 6% no gasto total da viagem. 

 

Em dólar ou euro, gastos devem ser planejados

 

Primeiro é preciso definir para onde ir e depois comprar os tíquetes aéreos e reservar hotéis, ou mesmo contratar um pacote completo em uma agência de turismo. O ideal, nesses termos, é quitar em reais o que for possível antes de embarcar. 

“Nessa hora, é importante colocar na lista o seguro-viagem e o de saúde, para diminuir o risco de ter gastos extras. O imprevisto é o que acaba com o planejamento de gastos”, afirma. 

Outra dica de Costa é rever a lista de compras e ver se, com o dólar acima de R$ 3, os preços dos produtos realmente estão melhores no exterior. “E lembrar que em compra de produto de maior valor, o pagamento fora do país será feito à vista”, diz.

O segundo passo é planejar a compra de dinheiro e escolher os meios de pagamento que utilizará na viagem. Quem adquire o papel-moeda paga menos IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que é de 0,38%.

Se a aquisição de moeda estrangeira for por meio de recarga de cartão pré-pago, ou se o turista quiser usar débito e crédito, pagará IOF de 6,38%. 

Esse é um ponto sensível. O ideal é levar uma parte em dinheiro e outra em cartão pré-pago, já que não é seguro andar com todo o valor em espécie. 

Além disso, quem decidir levar dinheiro em espécie deve declarar o valor que exceder R$ 10 mil para a Receita Federal. O mesmo para quem fizer compras que totalizem mais de US$ 500. Em caso de fiscalização, a multa é de 50% do valor dos bens que exceder a cota de isenção. É possível fazer tudo eletronicamente no e-DBV - Declaração Eletrônica de Bens do Viajante.

Há também a opção de usar cartão de débito, mas a compra antecipada permite travar a taxa de câmbio antes de embarcar. 
O que especialistas recomendam é evitar o uso do cartão de crédito para não levar um susto na hora de pagar a fatura. Isso porque a taxa para o dólar cobrado no cartão será aquela em vigor no dia do fechamento da fatura, ou seja, é incerta. 

Para Ignacio Rey, economista da Guide Investimentos, a tendência para o dólar neste ano é de alta. “Neste começo de ano, por questões internas do Brasil, pelo cenário político e econômico. E para o terceiro trimestre, em setembro, é esperado o aumento de juros nos Estados Unidos, o que levará investidores a migrar para lá e valorizar o dólar”, afirma. 

Diego Garrido, Planejador Financeiro CFP (Certified Financial Planner), diz que o maior problema é quando a viagem tem objetivo de consumo e a moeda estrangeira sobe. “É assim que surge a maior parte das dívidas no cartão de crédito. Os preços dos produtos no exterior são tentadores e muito menores do que no Brasil. O problema é que o dólar do cartão de crédito é o turismo, de taxa superior a do dólar comercial. E ainda tem o IOF de 6,38%”, alerta. 

Ele mesmo diz que vai ser pai e já planejou fazer o enxoval fora do país, mas para isso está travando o valor da moeda no cartão. “Não importa se a pessoa vai para os Estados Unidos ou Europa, tem que se proteger contra as oscilações”, diz Garrido. 
Com a alta recente do dólar, o turista não deve especular. Um jeito é comprar moeda aos poucos, conforme o que poupar por mês para a viagem. 

O outro é comprar em uma só data, após reunir o valor desejado para fazer a troca. De qualquer forma, haverá o risco de pagar a taxa maior. “É tão difícil tirar vantagem da taxa de câmbio, mais até do que de ações, mesmo para o pessoal do mercado financeiro. A taxa de câmbio depende de muitos movimentos e eles mudam muito rapidamente. Por isso não tente especular. Em dois meses, a taxa que é alta hoje pode ser maior”, diz André Massaro, consultor financeiro. 



A retomada estará atrelada ao atual patamar de câmbio, com o dólar mais acomodado em cerca de R$ 3,20, depois de bater os R$ 4 no início do ano.

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