São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

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Dicas de como organizar as finanças pessoais para começar bem 2015
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Especialistas ensinam como otimizar o dinheiro extra de fim de ano com planejamento.

A pouco menos de três meses para o fim de 2014 é hora de fazer um planejamento para entrar no próximo ano com as contas no azul. Na verdade, isso pode ser feito em qualquer época, mas neste momento é preciso dar um destino para o dinheiro extra de fim de ano, como o décimo-terceiro salário e demais abonos e bônus. Especialistas dizem que o ideal é planejar o que fazer com os recursos antes que entrem na conta-corrente já que, quem espera, acaba gastando tudo com pouco ou nenhum critério. E desse jeito acaba esquecendo que, depois do fim do ano, vem aquela ressaca de ano-novo para o bolso: os gastos extras com rematrícula e material escolar e principalmente o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

A prioridade do décimo-terceiro – que já começou a cair na conta dos aposentados pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em agosto e que começa a ser pago para a maioria dos trabalhadores nos próximos meses – vai depender da situação de cada um. Pode ser usado para quitar dívidas, iniciar uma reserva para emergência ou mesmo para a realização um projeto em 2015.

Quem estiver muito endividado, ou com a renda muito comprometida com prestações de bens de consumo pode aproveitar o recurso para quitá-las. "É preciso colocar tudo no papel. Quando o total de parcelas contraídas em compras já chega a 50% do ganho líquido, a pessoa não consegue mais honrar os pagamentos", diz Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente da DSOP Educação Financeira. Ele recomenda, neste caso, a metodologia de faxina financeira, na qual é preciso reunir a família e fazer uma avaliação das despesas e receitas líquidas, para então definir metas de economia e sonhos. "O mais importante é que, junto com a faxina, a família estabeleça quanto poupar para realizar sonhos em prazos curto (um ano), médio (de um a dez anos) e longo (mais de dez anos)", afirma. 

Segundo Domingos, quem precisa economizar deve começar evitando o desperdício de energia elétrica e água. Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, a redução nas contas de consumo (luz, telefone, água e gás) tem sido a principal estratégia de quem está com o orçamento apertado. O levantamento, feito com 2.004 pessoas da classe C em julho, mostra que 81% reduziram estes gastos. Para 69% dos entrevistados, está difícil pagar as contas e nove em cada dez pessoas disseram que não conseguem comprar hoje, com o mesmo valor, o que consumiam no ano passado. Marcio Falcão, gerente de Novos Negócios do Data Popular, avalia que a inflação, mesmo dentro do teto da meta, está afetando o orçamento do consumidor, principalmente por causa da alta nos preços dos alimentos.

As dívidas com taxas de juros altas, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, devem ser prioridades de quem recebe as gratificações de Natal, segundo Wilson Muller, consultor de finanças do Vida Investe (programa da fundação Cesp). "O ideal é relacionar todos os parcelamentos e descobrir a participação deles no salário líquido (sem impostos e contribuições). O ideal é que a parcela de bens de consumo não ultrapasse mais do que 10% da renda mensal. Isso considerando também quem já tem 30% da renda comprometida com financiamento imobiliário", aconselha.

COLCHÃO FINANCEIRO

Se para algumas pessoas, as gratificações de Natal são uma oportunidade de organizar as finanças, para outras pode ser o momento de começar uma reserva financeira para 2015. Afinal, o próximo ano é de incerteza por causa do futuro governo, seja um novo ou a continuidade do atual. "Mesmo que o governo atual continue no poder haverá mudanças, como houveram nos segundos mandatos dos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso. Novas alianças serão feitas, e o cenário mundial mudará. Não sabemos se o período será de mais ou de menos agruras, por isso é bom ter um colchão financeiro", avalia Álvaro Modernell, diretor da consultoria Mais Ativos Educação Financeira.

Segundo ele, quem tem essa reserva pode utilizá-la em emergências sem ter que se endividar. Exemplos podem ser a perda do emprego, problemas de saúde ou mesmo reparos de urgência em casa e no carro. Quem se prepara pode, ainda, aproveitar oportunidades, como comprar algo que deseja à vista por um preço menor. Os especialistas lembram que este colchão financeiro deve ser separado do recurso destinado a outros objetivos, como o investimento em uma aplicação financeira e o acúmulo para a aposentadoria.

Modernell diz que parte da reserva pode ser usada para fazer uma aplicação financeira, uma forma de ganhar com o juro alto. "Como teremos mudanças pela frente, a palavra de ordem é conservadorismo. Quem tem dinheiro disponível, pode avaliar aplicações pós-fixadas (cujo rendimento será conhecido no futuro, que acompanha um índice ou taxa da economia). O problema do prefixado (que paga um rendimento determinado no ato do investimento), neste momento de incerteza, é que o juro pode subir e o aplicador perder", afirma Modernell. Os especialistas em finanças dizem que o pequeno poupador pode recorrer aos títulos do Tesouro Nacional. Se a opção for aplicar em fundos de investimentos, a pessoa deve prestar atenção às taxas de administração que, junto com impostos, comem os ganhos.

O diretor da Mais Ativos recomenda que a reserva seja o equivalente ao montante de três e até seis vezes o valor da renda familiar. Já Muller, do Vida Investe, aconselha que o colchão seja correspondente ao montante de seis a 12 salários. O tamanho da reserva depende do orçamento de cada um, mas o importante é que ela exista. "Ter esse recurso é importante e ele pode ser o correspondente a três salários líquidos para cobrir pequenas emergências. O importante é que fique na poupança não comprometa a realização de outros sonhos. É preciso ter equilíbrio", diz Domingos da DSOP. Ricardo Pereira, consultor financeiro do projeto Consumidor Consciente da MasterCard, considera que poupar de 10% a 15% da renda líquida mensal é suficiente para formar uma reserva contra imprevistos. "Parte do décimo-terceiro pode ser usado para começar. Mas o mais importante é que isso se torne um hábito", diz.

CONSUMO NÃO DEVE SER ESQUECIDO

De uma forma ou de outra – e como ninguém é de ferro – os especialistas recomendam colocar na ponta do lápis os gastos com as festas de fim de ano, como os presentes, festas e viagens. "Mesmo porque não é proibido comprar e nem realizar desejos. Basta entender que tudo isso pesa no orçamento e que não vale a pena entrar em 2015 com dívidas sem necessidade. O que acontece é que esta é uma época do ano muito sentimental e, quem não planeja, vai ao shopping e compra em um dia o que deixou de consumir em seis meses. Uma dica é estipular um valor para as compras e colocar em um cartão pré-pago, como forma de evitar o descontrole ", diz Pereira. Muller, do Vida Investe, diz que este é o momento de fazer uma lista de presentes definindo quanto vai gastar em cada item. "Ainda temos os meses de outubro e novembro para começar a comprar ou mesmo poupar para esse consumo", diz o consultor.

por Rejane Tamoto

 



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