São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Crise faz preço do aluguel cair 0,47% em São Paulo
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Em maio, valor nominal da locação recuou em média 0,18% nas nove cidades pesquisadas que compõem o Índice FipeZap Locação

A desaceleração da economia - que caminha para uma recessão neste ano - já mostra os seus efeitos sobre o mercado de aluguel de imóveis. Segundo o Índice FipeZap Locação, os preços de novos aluguéis caíram nominalmente 0,18% em maio, considerando a média de nove cidades. 

Em 12 meses acumulados até maio, a variação foi positiva em 0,23%. Se descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que no período foi de 8,47%, os preços tiveram uma queda real de 7,6%. Esta foi a 12ª queda real consecutiva nessa base de comparação.

Duas grandes capitais respondem pelo índice negativo, nos quais a queda do valor nominal dos aluguéis foi mais  acentuada. Em São Paulo, o preço da locação caiu 0,47% em maio, mas a variação em 12 meses continua positiva, em 1,39%. O valor médio do metro quadrado para locação em São Paulo é de R$ 38 por mês, o segundo mais valorizado, segundo o FipeZap. 

O mais alto é o preço médio do metro quadrado para locação no Rio de Janeiro, de R$ 41/mês. Apesar disso, no Rio de Janeiro o valor do aluguel caiu 0,99% em maio, mas o recuo foi ainda maior em 12 meses acumulados: de 2,65%.  

Para Raone Costa, economista da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o mercado passa por uma acomodação natural, já que o setor imobiliário depende basicamente dos movimentos na renda e no crédito dos consumidores, que também ditam o crescimento econômico do país. 

A renda, por exemplo, tem sido comprometida com uma inflação alta, que acaba por corroer o poder de compra do consumidor.

Na outra ponta, no crédito, as condições ficaram mais restritas neste ano, principalmente após a Caixa Econômica Federal impor uma série de restrições a financiamentos de imóveis usados - como a necessidade de um maior valor de entrada por parte do consumidor e a elevação na taxa de juros. 

"O mercado imobiliário vai seguir as condições da economia, assim como os preços, que serão retomados quando a economia voltar a crescer", diz Costa. 

O economista diz que esse processo de acomodação nos preços não necessariamente corresponde ao estouro de uma bolha.

Ele também evitou comentar porque a queda nos valores de aluguéis foi mais acentuada no Rio de Janeiro, local onde havia, há exatamente um ano, um processo de valorização forte dos preços por causa da realização da Copa do Mundo.  

Segundo Costa, a maior parte da amostra da pesquisa, cerca de 90%, é baseada em novos anúncios de imóveis residenciais. Assim,  o Índice FipeZap de Locação não mede a variação dos contratos vigentes (normalmente reajustados pelo IGP-M ou por outros índices de correção).

Maio foi o sexto mês consecutivo em que o reajuste de preço da locação foi menor do que a variação do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) na variação de 12 meses. Até maio, o IGP-M acumulou em 12 meses uma alta de 4,10%.

Essa fase pela qual passa o mercado é boa para os inquilinos, mas péssima para investidores ou neste caso, quem é rentista de aluguel.

Isso porque o retorno médio com o aluguel foi de 4,8% ao ano em maio. Esse percentual é o resultado da comparação entre o preço de locação e o de venda do imóvel. É uma medida da rentabilidade para o investidor que opta por locar seu imóvel. 

Essa medida é importante para avaliar se o mercado imobiliário está mais ou menos atrativo em relação a outras opções de investimento.

Segundo o FipeZap, a taxa de retorno do aluguel é menor do que a taxa de juros real do país, que é de 7,2% no mercado futuro para 360 dias e descontada a inflação, negociada na BM&FBovespa. Assim, a taxa de retorno do aluguel é menor do que algumas aplicações na renda fixa.

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Foto: Thinkstock

 



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