Finanças

Crédito continua recuando e juros do cheque e cartão disparam


Em setembro houve redução de 0,4% nos financiamentos para empresas. Taxas para os consumidores seguem em elevação


  Por Redação DC 26 de Outubro de 2016 às 14:11

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Enquanto as empresas têm mais dificuldade para tomar crédito, os consumidores têm tido de arcar com juros altos para se financiar no mercado. É isso o que mostra o balanço das operações de crédito do Banco Central, divulgado nesta quarta-feira (26/10).

Em setembro, o saldo total de crédito no país ficou em R$ 3,1 trilhões, 0,2% menor do que o apurado em agosto. Em 12 meses, contraiu 1,7% e no acumulado de 2016, 3,4%. 

Essa redução foi puxada principalmente pelo recuo do crédito destinado a empresas, que encerrou setembro em R$ 1,6 trilhão, um recuo de 0,4% sobre agosto. 

Para ter uma ideia, em 12 meses os financiamentos a companhias caíram 6,5%. De janeiro a setembro deste ano, o recuo foi de 3,9% na comparação com igual período do ano passado. 

A atividade que mais sofreu com a falta de crédito em setembro ante agosto foi a indústria, que registrou baixa de 0,7%.

Para a indústria, o crédito recuou para R$ 768,3 bilhões. Na construção, houve baixa de 0,9% no mês passado, seguida por indústria de transformação (-0,9%) e extrativa (-3,3%). Os serviços industriais de utilidade pública (SIUP) registraram alta do crédito de 0,3% no mês passado. 

O setor de serviços cedeu 0,2%. Para as empresas com sede no exterior o crédito também encolheu 0,4%. O comércio permaneceu estável, com um saldo de R$ 270 bilhões. 

Os setores que registraram desempenho positivo foram a agropecuária, com alta de 0,3% em setembro ante agosto, com R$ 23,6 bilhões. Na administração pública, houve alta de 0,3%, para R$ 125,037 bilhões. 


Tulio Maciel chefe do departamento econômico do Banco Central, a tendência no crédito para PJ continua a ser de queda, mas com acomodação. 

"O crédito para empresas continuará caindo, mas a taxas menores", afirmou. 

"O crédito para pessoas jurídicas com recursos livres é o que mais reflete o ciclo econômico e queda da renda", completou.

O crédito com recursos livres é aquele concedido com recursos captados pelos bancos. Com esses recursos, o crédito caiu 0,1% em setembro, enquanto acumula um recuo de 10,3% no ano até o mês passado e de 8,2% em 12 meses. 

"O saldo de capital de giro mostrou estabilidade neste mês, após recuos anteriores", detalhou.

Muito atrelados à variação cambial, os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas recuaram pelo quarto mês consecutivo, com queda de 1,3% de agosto para setembro, somando um total de R$ 577,8 bilhões. Em 12 meses, a queda está em 7,8%.

Em setembro, houve aumento de 0,7% nas linhas de capital de giro (R$ 14,9 bilhões), queda de 1,4% no financiamento ao investimento (R$ 549,9 bilhões) e alta de 0,2% nas modalidades para o setor rural (R$ 12,972 bilhões) por parte do banco de desenvolvimento.

CONSUMIDORES PAGAM TAXAS DE JUROS MAIORES

O saldo de crédito para os consumidores permaneceu estável em setembro, com alta de 0,1% ante agosto. No acumulado do ano avançou 1,9% e em 12 meses cresceu 3,6%. As taxas de juros do crédito pré-aprovado, como o cheque especial e do rotativo do cartão de crédito, continuam subindo.

Apesar disso, em setembro o estoque de crédito às famílias caiu 0,3%, com crescimento apenas na modalidade do consignado. 

"A queda em setembro repercutiu a redução de uso do cartão de crédito à vista, que havia crescido muito em agosto, quando ocorreu um resultado atípico", afirmou. 

"A redução na aquisição de veículos também puxou o crédito de pessoa física para baixo. Em setembro as concessões para compra de veículos caíram 8,5%, com o impacto da greve dos bancários", completou.

Já no estoque de crédito consignado, houve aumento de 0,4% em setembro e uma expansão de 5,5% em 12 meses. 

"É natural que as pessoas tentem sair de uma modalidade de crédito de custo mais elevado, como o cheque especial, para outras mais baratas, como o consignado", explicou.

A taxa de juros do cheque especial continuou a subir em setembro.

Segundo dados do Banco Central (BC)  a taxa do cheque especial subiu 3,8 pontos percentuais, de agosto para setembro, quando chegou a 324,9% ao ano, estabelecendo novo recorde na série histórica do BC, iniciada em julho de 1994.

Neste ano, a taxa do cheque especial já subiu 37,9 pontos percentuais em relação a dezembro de 2015, quando estava em 287% ao ano.

Outra taxa de juros que voltou a registrar recorde foi a do rotativo do cartão de crédito. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão.

O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 5,3 pontos porcentuais de agosto para setembro. 

Com a alta, a taxa passou de 475,0% ao ano em agosto para 480,3% ao ano em setembro.

O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Em junho e julho, a taxa havia mostrado leves recuos, após marcar 471,5% em maio.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro subiu 2,5 pontos de agosto para setembro, passando de 152,2% ao ano para 154,7% ao ano.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil