Finanças

Como conseguir uma boa negociação de dívidas com bancos?


No momento de acioná-los para obter uma negociação para um financiamento mais vantajoso, esqueça aquele gerente parceiro, seu histórico de bom pagador ou seu poder de convencimento


  Por Mauro Johashi 04 de Setembro de 2017 às 18:04

  | Sócio-diretor da BDO para a área de Advisory


As atividades empresariais no Brasil, normalmente, necessitam de capital por conta de investimentos, capital de giro, 13º salário e eventuais necessidades decorrentes de imprevistos.

Porém, no momento de acionar os bancos para obter uma negociação para um financiamento mais vantajoso, esqueça aquele gerente parceiro, seu histórico de bom pagador ou seu poder de convencimento.

A conversa pode fluir bem, mas é preciso que o empreendedor cumpra sua lição de casa por inteiro para bater à porta da instituição.

O empresário deve ter planejamento. A primeira coisa a se fazer é verificar, de forma minuciosa, as projeções para o ano, incluindo faturamento mensal, aumento de custos fixos, possibilidades de novos negócios ou mix de produtos ou serviços.

Com base nisso, precisa prever a compra de matéria-prima e insumos, estruturação de novos serviços, bem como a contratação de pessoal e o investimento necessário.

De acordo com os resultados previstos, é necessário aferir a estrutura existente e o que é realmente essencial para cumprir o que foi projetado.

Eventualmente, não estamos falando em crescimento do negócio, mas sim em uma adequação à atual realidade de faturamento, o que envolverá cortes de custos.

O empreendedor deve fazer as seguintes perguntas: Qual pedaço da minha estrutura está ou ficará ociosa?

Quanto do meu quadro de funcionários pode ser revisto? O que está sendo desperdiçado ou adquirido em excesso? Qual investimento pode ser postergado?

Em seguida, é preciso agir. Rever toda a sua estrutura e se preparar para, com um faturamento menor, manter a lucratividade e, principalmente, não decepcionar nem deixar na mão os seus clientes.

O mais importante em todo esse processo, que pode parecer óbvio, é a agilidade e capacidade de pensar à frente e tentar projetar o que neste momento parece imprevisível.

Neste cenário, renegocie preços e prazos com fornecedores, e isso pode ser feito já. O controle de caixa e do estoque deve ser ainda mais rigoroso.

Tudo precisa ser realocado para a nova realidade. Aumentar o valor agregado do produto ou serviço também é uma maneira de aumentar a competitividade, mesmo ampliando o trabalho e elevando um pouco os custos.

Outros cuidados são a manutenção do custo fixo e a avaliação periódica do planejamento tributário, por conta das suas constantes alterações ou interpretações. E o mais importante: renegociar sempre os reajustes dos fornecedores. Deve-se perder o medo de dizer não.

Para enfrentar os próximos anos e a necessidade de renegociar débitos, os empresários precisam acrescentar novas habilidades para a melhor gestão da sua empresa.

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