São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Caixa eleva juros de financiamento para compra de imóveis
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Para o sindicato das empresas de construção a decisão dá sinais de uma reversão da política adotada desde 2007, de crédito barato e fácil, e será um obstáculo de acesso à casa própria

A Caixa Econômica Federal elevou os juros efetivos no financiamento imobiliário de imóveis residenciais em até 0,50 ponto porcentual nas linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), para imóveis de até R$ 750 mil e que têm como funding (fonte de recursos) principal a poupança. Já para os imóveis de mais de R$ 750 mil, financiados via Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o juro vai aumentar em no máximo 1,80 ponto porcentual. As novas taxas começam a valer a partir da próxima segunda-feira, 19.

O aumento de juros na maioria das linhas de financiamento imobiliário reflete, conforme confirmou a Caixa, a taxa de juros básicos (Selic) maior. O banco informou ainda que as taxas de juros dos financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofrerão qualquer correção.

O maior aumento de juro promovido pela Caixa no âmbito do SFH ocorreu na linha voltada a servidores que, além de terem relacionamento com a Caixa, recebem seu salário pelo banco. O juro passou de 8,00% para 8,50%. Já no SFI, subiu de 8,80% para 10,20%. Apesar das elevações, a modalidade servidor (relacionamento + salário) segue com o juro mais atrativo praticado pela Caixa.

Já no caso do SFI, as taxas de balcão foram as que mais subiram, passando de 9,20% para 11,00%. No SFH, essa modalidade foi mantida em 9,15%. Os novos juros cobrados nos financiamentos habitacionais da Caixa foram comunicados aos gerentes na semana passada e, imediatamente, já começaram a ser informados aos clientes.

A Caixa, ao lado do Banco do Brasil, liderou o movimento de redução dos juros em 2012, pressionando as instituições privadas a fazerem o mesmo. Esse caminho, porém, teve de ser alterado com o aumento da Selic para controlar a inflação. Hoje, a taxa Selic, que chegou à mínima histórica de 7,25% em 2012, está em 11,75%.

Além de taxas mais elevadas, os consumidores que escolherem a Caixa para financiar o seu imóvel residencial também terão novidades quanto ao uso de renda informal, sem origem comprovada da fonte pagadora, para obter o crédito. Agora, o banco vai passar a exigir um valor máximo que, segundo fonte, será de até R$ 2 mil por pessoa.

Geralmente, os clientes comprovam sua renda via holerite, extratos bancários e utilizam a renda informal para complementá-la. Com a limitação, a renda total admitida para a concessão de crédito tende a reduzir, consequentemente, o valor máximo de financiamento.

REPERCUSSÃO

O aumento das taxas de juros promovido pela Caixa Econômica Federal, aliado a um cenário de queda na renda e incertezas, tira a possibilidade de acesso de algumas famílias à casa própria, de acordo com Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP). A decisão do banco, segundo afirma, dá sinais de uma reversão da política adotada desde 2007, de crédito barato e fácil.

Segundo Zaidan, é impossível prever o tamanho do impacto dessa medida para o setor de construção e incorporação. As expectativas, diz ele, já estavam muito ruins e o cenário deve piorar ao menos um pouco com a elevação das taxas de juros.

"Movimentos como esse sempre impactam o setor", disse, ao acrescentar que bancos concorrentes da Caixa também deverão levar em conta a nova tabela para reajustarem suas taxas de juros. "Se o mais barato sobe, é claro que o mais caro vai subir também", avaliou.

OPORTUNIDADES

Este é o momento perfeito para o consumidor negociar melhores taxas de juros para comprar o seu imóvel, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

Apesar do aumento das taxas para financiamento imobiliário promovido pela Caixa Econômica Federal, Martins disse acreditart que a desaceleração da economia favorece quem estiver disposto a comprar imóveis porque abre espaço para oportunidades de negociação.

"Aumento das taxas de juros é sempre ruim para todos, principalmente em um produto de longo prazo como no setor de construção civil", disse ele. "Por outro lado, nós temos certeza de que haverá uma movimentação no mercado de crédito imobiliário para equilibrar os preços e atender a demanda."



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