São Paulo, 27 de Junho de 2017

/ Finanças

Bancos: nem sempre os bons de investimento têm o melhor atendimento
Imprimir

Rankings e premiações mostram os lados A e B dos bancos. De um lado, competitividade para atrair investidor. De outro, serviços ainda geram reclamações

Ao oferecerem uma ampla gama de serviços e produtos – que vão do crédito aos fundos de investimentos – os bancos aparecem de formas distintas em dois levantamentos: um que reúne as reclamações e outro que avalia os que têm os melhores produtos de investimentos.

Nesta terça-feira (3/2), o banco Santander receberá o prêmio Melhor Banco para Investir (MBI) de 2014 pelo Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV/GVCef).

Conduzido em parceria com a Fractal Consult, o prêmio avalia apenas os bancos que tem mais de 50 agências bancárias e distribuição nos maiores estados do Brasil. Nesta edição, participaram Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú e Santander. 

LEIA MAIS: Quando o assunto é marca, bancos brasileiros estão na lista global dos mais valiosos

William Eid, professor e coordenador do prêmio MBI explica que o objetivo é incentivar a poupança e contribuir com a transparência no mercado de investimentos. “Temos uma posição neutra e a pesquisa realizada para o prêmio levou em consideração a qualidade de serviços dos bancos referendada pela Fractal, a avaliação dos clientes de fundos de investimentos e o número de reclamações”, afirma.

A pesquisa da FGV observou, por exemplo, se o banco que oferta um bom fundo de investimento reduziu o percentual da taxa de administração no ano passado ou mesmo se diminuiu o valor (tíquete) médio inicial de investimento. “Os melhores fundos, em geral, têm um valor inicial maior. Quando o banco reduz, melhora o acesso dos clientes a um bom produto”, diz.

No ranking de instituições financeiras por índice de reclamações do Banco Central, que é relativo ao segundo semestre de 2014 e foi divulgado na segunda (2/2), o Santander ficou em segundo lugar, com 2,033 mil queixas reguladas e procedentes. Os dados mostram que a primeira instituição da lista é o banco BMG, que tem o maior índice (número de reclamações dividido pelo número de clientes, multiplicado por 1 milhão).

Na lista de reclamações procedentes contra o Santander, o principal motivo é o débito em conta de depósito pelo banco não autorizado pelo cliente, com 433 queixas.

Já contra o BMG, a principal queixa do consumidor foi a restrição à portabilidade de crédito consignado (o ato de trocar a dívida de banco), com 195 reclamações de um total de 694 queixas reguladas e procedentes.

Eid, da FGV, explica que também observou o índice de reclamações do Banco Central, referente ao primeiro semestre do ano passado (quando conduzia o estudo), para avaliar os bancos. 

Ele afirma que considerou a evolução do número de reclamações e as ajustou ao número de clientes de cada banco. “Busco apenas reclamações relevantes”, diz. O professor também incluiu na avaliação os custos dos pacotes de serviços das instituições.

PRÊMIO

Com todos os critérios, o estudo da FGV determinou uma nota e uma média final, que determinou os vencedores do prêmio. Os bancos foram avaliados em seis categorias de investimentos: fundos de ações, multimercados, money market (fundo DI de curto prazo), renda fixa, fundos de varejo e fundos de varejo seletivo. 

No ranking geral, o Santander obteve a melhor média final, de 8,80, seguido pelo banco Bradesco, que teve média final de 8,63. Os dois bancos são seguidos pela Caixa, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e HSBC. 

“Não há uma só característica que levou esses bancos a serem bem avaliados. Mas posso dizer que, no ano passado, as categorias de fundos multimercados e de ações pregaram peças no mercado. Os bancos que ficaram bem posicionados em renda fixa e em money market tiveram desempenho melhor, pois essas categorias representam 80% do patrimônio dos fundos”, afirma. 

Para se ter uma ideia, o Santander obteve as melhores classificações nos rankings individuais dos fundos money market, renda fixa, e de varejo seletivo (voltado para clientes que estão a caminho de atingir o segmento private ou alta renda dos bancos). 

Já o Bradesco ficou em primeiro lugar, na classificação individual, em fundos de varejo e multimercados. No ranking de reclamações do Banco Central, a instituição ficou em sexto lugar, e a principal queixa foi o débito indevido na conta corrente, sem autorização do consumidor. 

O banco melhor avaliado na categoria fundos de ações, segundo levantamento da FGV, foi o Banco do Brasil. No ranking do Banco Central, a instituição ficou em oitavo lugar em número de reclamações. 



Prazo curto para pagar credores é apontado por especialistas como entrave para aplicação de capítulo especial da legislação que deveria ser usado por empresas de pequeno porte

comentários

Incertezas sobre recuperação econômica motivou mudança em 19 instituições financeiras. B3 (novo nome da BM&FBovespa) foi de estável para negativa

comentários

"A crise tem potencial de risco de atrasar a consolidação fiscal, reduzir as chances de aprovação da reforma da Previdência e diminuir o ritmo de corte dos juros", afirma economista-chefe do Goldman Sachs

comentários