Finanças

Bancos terão maior facilidade para gerenciar riscos


Novo índice de liquidez de longo prazo, que entrará em vigor em 2018, ajudará instituições financeiras a limitar tomada de risco excessiva em financiamentos e empréstimos


  Por Estadão Conteúdo 04 de Agosto de 2017 às 13:57

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A implementação de um novo índice de liquidez de longo prazo (NSFR, na sigla em inglês) no próximo ano no Brasil deve ajudar os bancos a gerenciar riscos de financiamento e limitar a excessiva tomada de riscos, segundo a Fitch Ratings.

Além disso, não deve haver um impacto significativo direto sobre a lucratividade das instituições, em seu crescimento ou nos modelos de negócio, com o cumprimento da norma.

A Fitch argumenta que os bancos brasileiros têm capacidade suficiente para ajustar a liquidez estrutural, como necessário. Os bancos com a maioria dos ativos no sistema estão bem posicionados para atender aos requisitos, como indicado pela medida doméstica de liquidez reportada pelo banco central, que usa a mesma metodologia da NSFR.

A NSFR, junto com a implementação em 2015 do índice de cobertura de liquidez (LCR, na sigla em inglês), deve fortalecer mais a perspectiva de liquidez dos bancos locais e ser positiva para o crédito para o sistema.

"A NSFR será exigida de todos os bancos, diferentemente do LCR, que se aplica aos bancos com ativos acima de R$ 100 bilhões", aponta a agência.

O NSFR é uma norma de liquidez estrutural prudencial parte da implementação do processo regulatório de Basileia III. Ele busca reduzir o risco de financiamento no mais longo prazo, ao exigir que os bancos financiem suas atividades com fontes suficientemente estáveis e favoreçam passivos de longo prazo, como capital.

Para além disso, busca medir a capacidade dos bancos de absorver choques e complementa os limites de alavancagem e taxas de capital mínimas, que possam mitigar o crescimento excessivo durante períodos de rápida expansão econômica, diz a Fitch.

A agência afirma ainda que a NSFR deve desestimular certos ativos de longo prazo, como imobiliários e empréstimos no setor de automóveis, para bancos sem acesso suficiente a fontes de financiamento mais estáveis, amplas e diversificadas.

A maioria dos bancos já tem deixado esses segmentos de empréstimo graças a limitações existentes para o financiamento competitivo. A NSFR poderia também mitigar o crescimento do crédito, se isso pressionar a NSFR de determinado banco, destaca a agência.

A Fitch sugere que o financiamento estável do setor bancário está em um nível suficiente para financiar o crescimento sem comprometer seus níveis de estabilidade estabelecidos pela NSFR.

A agência diz que a capitalização forte e estável do setor e o crescimento contido do crédito, especialmente nos bancos privados maiores, também deve ajudar na implementação da NSFR.

"Nós esperamos que os bancos brasileiros continuem a privilegiar maior excesso de liquidez, menor alavancagem e crescimento menor dos empréstimos, enquanto as condições econômicas permaneçam fracas", afirma a Fitch.

Ainda segundo a agência, a dependência maior do financiamento no atacado no curto prazo significa que os bancos pequenos e médios devem enfrentar mais desafios. Isso, porém, será em parte compensado pela natureza de mais curto prazo de seus ativos, na avaliação da agência.

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