São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Finanças

Alta do dólar acelera a inflação do aluguel
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IGP-M sobe 0,98% em março, mas no acumulado de 12 meses está em 3,16%, patamar ainda comportado em relação à inflação oficial. A notícia é boa para os inquilinos

O índice que reajusta os contratos de aluguel comercial e residencial, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), subiu 0,98% em março e já embute a valorização do dólar desde o início deste ano. 

No entanto, no acumulado de 2015, a inflação do aluguel ainda é baixa: de 2,03%. E no período de 12 meses até março, o índice mostra que está bem comportado, em 3,16%. Há um ano, o índice mensal era de 1,67%, e no período de 12 meses, de 7,30%.

 “Há uma boa distância entre o percentual do IGP-M acumulado em 12 meses e o índice oficial medido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo intervalo de tempo”, afirma Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Para se ter uma ideia, o IPCA acumulado em 12 meses até fevereiro (o resultado de março será divulgado no próximo dia 8/4) foi de 7,70%. “O que é adotado no reajuste de contratos de locação é o índice em 12 meses e, assim, o IGP-M ainda está baixo, o que só é bom para os inquilinos”, diz o economista. 

Segundo ele, um IGP-M bem abaixo do IPCA também sinaliza que a inflação oficial pode iniciar uma trajetória de desaceleração, em um movimento que leva de seis meses a um ano. Ele avalia que as pressões sobre a inflação IPCA se concentram nos reajustes de preços administrados neste início de ano.

Isso, porque o IGP-M é um índice antecedente, que capta os aumentos de preços do atacado. Alfieri diz que em março de 2014 o IGP-M em 12 meses era de 7,30% enquanto o IPCA estava em 6,15% no mesmo intervalo de tempo. 

“Naquela época o IGP-M sinalizava a alta do IPCA. Neste ano, essa relação entre os dois índices se inverteu”, afirma. 
Para Alfieri, na fotografia, os indicadores tendem a se igualar no longo prazo. “Mesmo que o IGP-M suba, a tendência é de desaceleração do IPCA. Eles vão se encontrar em algum ponto do ano que vem”, diz. 

IMPACTO DO CÂMBIO

Com os preços de commodities comportados neste ano, o que pode trazer uma alta adicional ao IGP-M é a valorização do dólar. 

A alta recente da moeda norte-americana já refletiu no resultado de março, que veio bem acima dos 0,27% de fevereiro. Com esse efeito, o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco estima que o IGP-M suba 0,70% em abril.  

André Braz, economista do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas), diz que o efeito da recente valorização do dólar ante o real começou a aparecer na medição dos IGPs e deve se intensificar nos próximos meses. 

"Os preços administrados ainda são o principal fator de aceleração do IGP-M de março e o câmbio aparece como a segunda maior influência", afirma. 

Na passagem de fevereiro para março, também houve aceleração de dois dos três indicadores que compõem a inflação do aluguel. 

No período, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) saiu de -0,09% para 0,92% e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) passou de 1,14% para 1,42%. Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), desacelerou de 0,50% para 0,36% de fevereiro para março.

Segundo Braz, no âmbito dos preços no atacado, o efeito da valorização do dólar ainda é bem discreto e concentrado, sobretudo na parte inicial da cadeia produtiva. 

Ele afirma que a soja puxou a aceleração do IPA, uma vez que a composição dos preços se dá no mercado internacional e reflete os efeitos da valorização do dólar, mas também devido a revisões para baixo da safra mundial da oleaginosa. 

O grão foi responsável por 1,22 ponto percentual da alta de 2,02% registrada no componente Matérias-Primas Brutas. "Dentro das matérias-primas brutas, a soja em grão respondeu por metade da alta. Sem este item, a alta seria de 0,80%",  afirma Braz.

O minério de ferro foi o item que mais sentiu os impactos da desvalorização do real. Braz assinala que houve queda no preço internacional da commodity, mas no cenário doméstico foi registrada valorização. 

Em fevereiro, o preço do minério de ferro caiu 3,52% e, em março, subiu 1,19%. No período de coleta do IGP-M, o câmbio apresentou valorização de 2,58% em fevereiro e de 10,90% na leitura de março. 

"Em fevereiro, o câmbio médio foi de R$ 2,73 e, em março, de R$ 3,02. Essa alta deve se intensificar em abril, com nova valorização de cerca de 6%, sendo mais disseminada", diz. 

Entre as matérias-primas que subiram, mas não por causa da valorização do dólar, estão a cana-de-açúcar, aves e leite, que tiveram efeitos sazonais ligados à entressafra. 

O dólar mais alto, no entanto, pressionou bens intermediários (químicos, fertilizantes, celulose). Os bens finais, único componente do IPA que registrou desaceleração, foram os que sofreram menos o efeito da alta do dólar. "O IPC desacelerou porque o repasse do câmbio ainda não chegou na ponta da cadeia", afirma Braz.

* Com informações de Estadão Conteúdo



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