Dirigente da Acim diz que queda da Selic faz sentido


José Augusto Gomes, superintendente da Acim, comenta comportamento econômico com queda da taxa Selic


  Por Redação Facesp 17 de Abril de 2017 às 00:00

  | Da equipe de comunicação da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


O superintendente da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Marília, José Augusto Gomes, avaliou recente comportamento do Governo Federal prevendo que a economia vai demorar a reagir, mas os indicadores estão bem mais claros nessa direção o que já demonstra algo mais seguro para os empreendedores. “O Governo poderia promover um corte maior do que 1 ponto porcentual na taxa básica de juros, mas a postura mais "conservadora" faz sentido em um momento de incerteza”, disse o dirigente mariliense ao citar a necessidade da aprovação de reformas, como a da Previdência, e aos desdobramentos da Operação Lava Jato, que influenciam no comportamento da economia de forma direta.

Para José Augusto Gomes o Copom tinha espaço para fazer cortes maiores na Selic, pois a redução de 1 ponto porcentual já era esperada. “O corte poderia ser maior, mas a decisão não foi um erro”, comentou o superintendente da Acim que monitora o comportamento econômico do País. “Não sabemos o que vai acontecer nos próximos meses com a aprovação das reformas, como a da Previdência, com os desdobramentos da Lava Jato e como a economia vai se comportar com tudo isso”, completou ao acreditar em futuros cortes, dependendo dos acontecimentos políticos. “A ideia é estender o ciclo de redução de juros até o fim do ano”, apontou. “Não há muito mais a ser feito para tentar reaquecer a economia além do corte de juros”, sugeriu ao apontar a criação de Postos de Trabalho como o próximo trabalho. “Depois vem a diminuição da carga tributária”, sinalizou.

Na análise do superintendente da ACI de Marília a taxa de juros real continua alta. “Os especialistas trabalham com uma expectativa de Selic entre 8,5% e 9% até o fim do ano”, disse o dirigente mariliense ao citar que isso só será possível porque o Banco Central não cedeu ao mercado e primeiro resolveu que a inflação teria de estar dentro da meta ainda neste ano. “As críticas de que o corte deveria ter começado antes, em agosto de 2016, foram muitas”, lembrou ao admitir que a reação ainda deve demorar, mas os indicadores estão bem mais claros nesse sentido - tirando o desemprego, que ainda deve aumentar e chegar a 13,5% ou 14%, antes de começar a estabilizar.

Para José Augusto Gomes o Governo estava sendo otimista demais, ao prever que a economia reaqueceria mais cedo. “Acredito que os dirigentes do Governo imaginavam um cenário mais favorável e uma parte do mercado achava que o PIB voltaria a crescer em 2016”, argumentou. “Mas, dada a quantidade de erros feitas nos últimos anos, não é de se estranhar que demore”, lamentou ao verificar medida que são lentas e que o tempo tem sido o maior obstáculo para o crescimento. “Toda vez que chegamos num equilíbrio, aparece um fato que desestabiliza”, afirmou o superintendente da associação comercial local que garante fatos políticos atrelados na economia. “Estes dois setores estão muitos ligados”, ressaltou ao lembrar que qualquer que seja a decisão econômica tomada, é a decisão política que influencia.