Economia

Vinda de recursos ao Brasil depende de ajuste fiscal


Se o governo do presidente em exercício Michel Temer conseguir provar que está colocando as contas públicas em ordem, pode se beneficiar da ampla liquidez global


  Por Estadão Conteúdo 21 de Agosto de 2016 às 12:16

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A vinda de recursos para o Brasil não depende mais do impeachment de Dilma Rousseff, que já está basicamente precificado, e sim do avanço do ajuste fiscal. 

Segundo analistas, se o governo do presidente em exercício Michel Temer conseguir provar que está colocando as contas públicas em ordem, pode se beneficiar da ampla liquidez global.

O economista-chefe para América Latina do banco ING, Gustavo Rangel, argumenta que a implementação das medidas de estabilização da dívida pública não está inteiramente no preço dos ativos brasileiros, mas ele tem uma visão otimista sobre o tema.

"Acho que o mercado vai se surpreender positivamente com o que vai acontecer com a PEC dos gastos. Entendo que há espaço para entrar mais dinheiro no Brasil, principalmente em termos de 'real money'", comenta.

"Fluxo virá, mas a condição é que o lado das reformas não desaponte. O que já está no preço é um relativo sucesso dessas duas reformas combinadas (PEC do teto para os gastos públicos e Previdência), e talvez seja um otimismo um pouco exagerado", afirma o economista sênior para a América Latina do banco Standard Chartered, Ítalo Lombardi.

Mesmo o estrategista-chefe Empiricus Research, Felipe Miranda, um dos poucos defensores da tese do "tsumoney" - a entrada de um tsunami de dinheiro no país -, diz que o impeachment é uma condição necessária, mas não suficiente para garantir uma trajetória sustentável de fluxo para Brasil.

"O impeachment dispara a atração de investimentos, que vai ganhar força a cada notícia na direção de uma melhor política fiscal", diz.

Miranda argumenta que existem quase US$ 17 trilhões em liquidez no mundo aplicados em juro zero ou mesmo negativo e o Brasil, com um juro real de quase 6%, é uma oportunidade bastante atrativa.

"Ainda que fiquemos com uma fração, um milésimo dessa liquidez, para nós já é muito", afirma.

Ele observa que muitos gestores ainda estão bastante subalocados em América Latina e Brasil em relação à média histórica. Mesmo com o ganho de 36% acumulado este ano, a Bovespa ainda está barata, nos cálculos do economista.

O sócio e diretor de investimento da NCH Capital para América Latina, James Gulbrandsen, é outro a afirmar que o estrangeiro nem sequer voltou com força para o mercado de ações brasileiro. Ainda assim, Gulbrandsen reconhece a importância do avanço no ajuste fiscal.

"Já temos o 'dream team' na condução da economia. O que falta agora é apenas a execução do plano econômico." 

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