São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Economia

Varejo registra maior queda nas vendas em 12 anos
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Dados do IBGE apontam recuo de 3,1% nas vendas do comércio. Bens de maior valor agregado, como eletrodomésticos ou móveis, registraram os maiores recuos

As vendas no varejo caíram 3,1% em fevereiro quando comparadas com igual mês do ano passado. O resultado, atribuído ao varejo restrito - que não inclui as vendas de veículos e materiais de construção -, é o pior desde outubro de 2003. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)

A queda foi maior do que a prevista pelos analistas de mercado, que em geral anteviam um recuo de pouco mais de 2%. Para Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a comparação entre fevereiros não pode ser tomada como parâmetro para o comportamento das vendas do ano por causa do efeito do Carnaval.

O Carnaval muda o comportamento de compra dos consumidores. Neste ano ele caiu em fevereiro, mas em 2014 aconteceu em março. “Provavelmente vamos observar os números do IBGE um pouco melhores em março”, diz o economista.

Na comparação com janeiro de 2015, os números do instituto para fevereiro mostram um uma queda menor, de 0,1%. No primeiro bimestre do ano houve queda de 1,2%. No acumulado em 12 meses, alta de 0,9%.

Ainda considerando o varejo restrito, as quedas mais acentuadas foram observadas entre produtos de maior valor agregado,  que são mais dependentes do crédito. O segmento de eletrodoméstico mostrou recuo de 10,1% e o de móveis, queda de 11%.

Excluindo a influência do Carnaval, os outros fatores que, segundo Alfieri, estão influenciando o comportamento de compra dos consumidores são a desaceleração do crédito, da massa salarial e o aumento do desemprego. Estes sim devem ser levados para as projeções das vendas no ano.

“Assim como o governo faz seu ajuste fiscal, os consumidores estão fazendo seus ajustes de orçamento diante desses fatores menos favoráveis”, explica o economista da ACSP.

O Índice Nacional de Confiança (INC), um levantamento feito pela ACSP juntamente com o Instituto Ipsos, mostrou que o consumidor está menos disposto a gastar nos próximos seis meses. De um total de 1,2 mil  entrevistados em março no país, 51% apontaram que não estão à vontade para fazer compras de grande valor, como a aquisição eletrodomésticos. Em janeiro esse percentual era bem menor (36%).

De maneira semelhante, o receio de perder o emprego, que em janeiro era apontado por 16% dos entrevistados, passou a ser uma preocupação para 23% em março. 

VEÍCULOS

No varejo ampliado (que considera as vendas de veículos e materiais de construção) a queda entre fevereiro deste ano e do ano passado foi de 10,3% segundo o IBGE. Em veículos a queda, em igual base de comparação, foi de 23,7%. Na comparação com janeiro, as vendas do segmento em fevereiro recuaram 3,5%.

No caso de materiais de construção a queda foi de 13% entre fevereiro deste ano ante igual mês do ano passado e de 0,7% na comparação com janeiro.

ANÁLISE

Tanto o varejo restrito quanto o ampliado seguem em clara desaceleração em 2015. Esse é o retrato do comércio neste começo do ano, na avaliação da área de pesquisa econômica do Banco Fator, coordenada por José Francisco de Lima Gonçalves, a partir da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de fevereiro, divulgada nesta terça-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relatório a clientes, Gonçalves afirma que o "dado de fevereiro veio bastante fraco e confirma a percepção de atividade em contração neste começo de ano".

No caso do varejo ampliado, o resultado segue indicando contração em relação ao ano passado, mesmo já se levando em conta a baixa base de comparação em 2014. A queda do segmento veículos, motos, partes e peças de 23,7% na comparação anual e o recuo de 13% do segmento material de construção na mesma base de comparação justificam a maior parte da contração de 10,3% em fevereiro deste ano ante o mesmo mês do ano passado.

No caso do varejo restrito, a queda de 3,1% nessa mesma base de comparação retrata comportamento bastante heterogêneo entre os segmentos. No relatório, os economistas Fator exemplificam. As vendas de Combustíveis e lubrificantes recuaram 10,4% na comparação anual e contribuíram negativamente com 1,1 ponto porcentual (p.p) no resultado do período.

Já Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação aumentaram 8,4% e adicionaram 0,3 p.p. no resultado do mês. "Destacamos também as contribuições negativas de Móveis e eletrodomésticos (-1,3 p.p.), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,9 p.p.) e Tecidos, vestuário e calçados (-0,5 p.p.).



No ano, a produção da indústria acumula queda de 7,7%. Em 12 meses, o recuo é de 8,4%, de acordo com levantamento do IBGE

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