São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Economia

Varejistas dizem a Levy que nível de confiança precisa crescer
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O ministro da Fazenda ouviu de 21 presidentes de grandes redes, como Luiza Trajano, do Magazine Luiza, que isso é necessário para evitar demissões no setor

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, recebeu nesta tarde de quinta-feira, 12, um grupo de representantes do varejo, liderados pela empresária Luiza Trajano, da rede Magazine Luiza. Em uma reunião de mais de duas horas, ele ouviu dos empresários que o nível de confiança do consumidor precisa melhorar para evitar demissões pelo setor. "A gente falou que o índice de confiança tem de crescer para não ter demissão, mas ele sabe disso", afirmou a empresária.

Levy recebeu 21 empresários e executivos integrantes do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), presidido por Luiza. Entre eles, o vice-presidente da Riachuelo, Flávio Rocha; o presidente da Avon, David Legher; o presidente da Walmart, Guilherme Loureiro; o vice-presidente do Carrefour, Stephane Engelhard; o diretor-geral da C&C, José Osvaldo Noronha Leivas; e o presidente do conselho de administração da rede Raia Drogasil, Antônio Carlos Pipponzi.

Os representantes do setor disseram ter decidido procurar o ministro para entender as medidas fiscais adotadas pelo governo. "O ministro traçou que é um ano de ajuste e que vamos ter de trabalhar para tirar (custo) onde não vai ter ajuste", disse. "A gente sabe que o momento exige restrições de algumas coisas, mas o ministro Levy está confiante", observou Luiza.

O vice-presidente do IDV, Flávio Rocha, ressaltou que o varejo viveu uma "década de excepcional" até o ano passado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou ontem que as vendas do comércio varejista despencaram no último mês de 2014.

A queda de 2,6% na passagem de novembro para dezembro foi o pior resultado em um mês já registrado pela Pesquisa Mensal de Comércio. No ano, houve crescimento de 2,2%, mas ainda foi o mais baixo resultado em 11 anos. "Foi o pior ano desta década", disse Rocha.

Na sequência, Luiza, ponderou que aumento dos juros bancários para o crédito não afetou o nível de inadimplência do varejo. "A inadimplência está totalmente sob controle, a população não está endividada e não caiu o crédito, os bancos não forçaram o crédito (para baixo). Mais caro (a tomada de empréstimo) é uma coisa, dizer que tem inadimplência é outra", afirmou, ressaltando que a "desconfiança é a maior" ameaça ao consumo.

"A gente concorda que tanto o governo quanto nós precisamos nos comunicar mais claramente. A gente sabe que a onda de pessimismo só vai sair à medida que as coisas começarem a fazer acontecer", observou.

De acordo com a líder dos varejistas, foi pedido ao ministro para que haja a adoção de medidas para diminuir a burocracia. "A gente sabe que tem uma burocracia em que a gente está perdendo 2% ou 3% (do lucro) e podemos ganhar só tirando essa burocracia", considerou.

RACIONAMENTO

O risco de racionamento de energia esteve na pauta da reunião, com o ministro pedindo ajuda ao setor de consumo para estimular a economia no desperdício residencial de seus clientes. Ele sugeriu uma campanha conjunta entre governo e empresas. "Ele (Levy) disse que se cada casa diminuir 2% (do consumo de energia) ia ajudar muito", relatou Luiza.

Os empresários do IDV deixaram a Fazenda em direção ao Ministério de Minas e Energia, onde têm reunião com o ministro Eduardo Braga para entender tecnicamente a ameaça de racionamento. "Temos uma ligação direta com o consumidor e podemos pedir para eles ajudarem na economia de energia", disse a empresária.

LEVY

O ministro da Fazenda disse que confia em uma retomada do crescimento econômico com "apoio da iniciativa privada". Por meio de nota divulgada após reunião que teve nesta tarde com representante do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Levy pediu apoio do setor.

"O setor varejista brasileiro é um dos maiores do mundo. É o que mais emprega e com certeza pode ajudar muito a criar um ambiente melhor para ajudar a trazer mais investimentos e a retomada do crescimento da nossa economia", afirmou.

De acordo com a nota, o ministro explicou o arrocho fiscal adotado pelo governo, que incluiu o aumento de impostos e o corte de despesas propostas em medidas para mudar a concessão do seguro-desemprego, pensão por morte, entre outras medidas. "Vamos precisar do apoio de todos vocês do setor de varejo. E tenham a certeza de que a economia brasileira tem a capacidade de responder rápido a medidas de ajuste. Foi assim no passado e tenho certeza de que isso vai acontecer de novo", disse.

Em sua fala, Levy teria destacado o reequilíbrio fiscal e a solidez das contas públicas como "indispensáveis" para o ambiente de negócios do País e a retomada da confiança empresarial. "Precisamos unir esforços", destacou.

Depois do encontro, a presidente do IDV, a empresária Luiza Trajano, da rede Magazine Luiza, reclamou da falta de confiança do consumidor como principal problema para o varejo. "A gente sabe que a onda de pessimismo só vai sair à medida que as coisas começarem a fazer acontecer", observou ela.



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