São Paulo, 21 de Fevereiro de 2017

/ Economia

Taxa Selic cai para 13% ao ano e surpreende o mercado
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Inflação comportada e recessão profunda permitiram corte de 0,75 ponto percentual, segundo o Comitê de Política Monetária do BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (pp) para 13,00% ao ano. A decisão surpreendeu os analistas financeiros, que previam o corte de 0,50 pp. Segundo pesquisa do Broadcast Projeções, de 71 instituições financeiras consultadas, apenas 5 esperavam corte de 0,75 pp; 65 esperavam corte de 0,50 pp e uma de 0,25 pp. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 21 e 22 de fevereiro de 2017.

Segundo o comunicado do Copom, a medida foi tomada devido ao conjunto dos indicadores econômicos, que sugere que a atividade econômica está aquém do esperado. 

"A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente", informou.

Além da profunda recessão, o Copom deixou claro que encontrou espaço para efetuar um corte maior da taxa de juros por causa da queda da inflação

No comunicado, o comitê afirmou que a inflação recente continuou mais favorável que era esperado. 

"Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico."

A inflação acumulada em 2016 alcançou 6,3%, abaixo da expectativa de mercado e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação, que é de 6,5%. 

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), elogiou a redução da Selic em 0,75 ponto percentual.

“O Banco Central acertou em sua decisão, reduzindo a taxa Selic de maneira mais significativa. Aparentemente, ele se sente seguro em perseguir uma política de recuperação da atividade econômica e do emprego mais intensa”, diz Burti.

No comunicado, o Copom informou que chegou a avaliar a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião.

"Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização." 

A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco.

O Banco Central reduziu mais uma vez as projeções para a inflação neste e no próximo ano e, segundo as estimativas da autoridade monetária, o ano caminha para terminar com a terceira menor inflação do Plano Real.

No comunicado divulgado após o corte surpreendente do juro para 13%, o BC informou que a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2017 no cenário de referência caiu de 4,4% para 4%. Para 2018, o cenário teve estimativa reduzida de 3,6% para 3,4%.

Confirmada a projeção oficial do BC para 2017, o Brasil terá terminado o ano com a menor inflação em mais de uma década e o IPCA mais baixo desde 2006, ano em que o índice oficial fechou em 3,14%. Além disso, o país teria a terceira menor inflação da história do Plano Real e ficaria apenas à frente de 1998, quando o IPCA subiu 1,65%, e de 2006

TERCEIRA VEZ

Esta é a terceira vez seguida que o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Com a decisão desta quarta-feira (11/01), a Selic está no menor nível desde abril de 2015, quando estava em 12,75% ao ano.

Mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, de outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA fechou 2016 em 6,29%, o menor nível desde 2013 (5,91%).

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano.

INDÚSTRIA

A aceleração da queda dos juros básicos da economia ajudará na recuperação da economia, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em nota, a entidade informou que o corte de 0,75 ponto percentual na taxa Selic foi acertado diante de um cenário de inflação em baixa e de estagnação da produção e do consumo.

Para a CNI, a redução dos juros permitirá a redução do endividamento das empresas e das famílias, auxiliando na recuperação econômica.

“A indústria considera que a redução significativa dos juros é importante para recuperar as condições financeiras das empresas e das famílias e abrir caminho à reativação dos investimentos, do consumo, da produção e do emprego”, destacou o comunicado.

Apesar de considerar positiva a queda da Selic, a CNI considera que os juros só permanecerão baixos no médio e no longo prazo se o governo cortar gastos e continuar a promover medidas que equilibrem as contas públicas.

“A emenda constitucional que estabelece limites para o crescimento dos gastos do governo deve ser complementada com outras ações, como a reforma da Previdência Social, que busquem o controle da dívida pública e a estabilização da economia”, acrescentou a nota.

FOTO: Thinkstock

Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo



Para as instituições financeiras, a Selic encerrará 2017 em 9,5% ao ano e 2018 em 9% ao ano

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