São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Economia

Sinais de demissões agora já alcançam o setor de varejo
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Demanda em queda e perspectiva de que o consumo vai continuar fraco aumentam as chances de cortes de vagas, de acordo com levantamento da FGV

A percepção de que a demanda está fraca e de que as vendas não devem se recuperar nos próximos meses aumentou a chance de cortes de vagas no comércio, uma das atividades que ainda sustentam o mercado de trabalho no país.

Em fevereiro, o quesito emprego previsto para os próximos três meses ficou, pela primeira vez, abaixo dos 100 pontos, um indicativo de que mais empresas pretendem diminuir pessoal do que contratar, segundo a Sondagem do Comércio divulgada, nesta semana, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"O setor já vem em desaceleração desde o ano passado, e a possibilidade de cortes aumentou, seja na forma de não contratar para repor alguém que saiu ou de demitir mesmo", afirmou Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.

Em fevereiro, o quesito de emprego previsto ficou em 98,2 pontos. Isso significa que a fatia de comerciantes que pretendem cortar vagas é 1,8 ponto porcentual maior do que a parcela daquelas que desejam aumentar. Desde o início da série, em março de 2010, é a primeira vez que isso ocorre.

A virada na tendência de emprego foi disseminada. De todos os setores, apenas o comércio de veículos apontava intenção de demitir em meados de 2014. Agora, materiais de construção, atacado e os setores mais tradicionais do varejo manifestam a mesma pretensão.

Campelo lembrou que o comércio é um grande empregador. Por isso, a tendência negativa apontada na sondagem preocupa, embora os dados quantitativos ainda mostrem geração de postos de trabalho.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que, a despeito de a taxa de desemprego ter aumentado na passagem de dezembro para janeiro, o comércio gerou 13 mil vagas nas seis principais regiões metropolitanas do país que compõem a Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

Além disso, as avaliações de demanda fraca no momento presente, diante da decisão do consumidor de priorizar gastos essenciais e ter de equilibrar o orçamento, também atingem as expectativas, o que sinaliza que os comerciantes não esperam recuperação nas vendas.

"Mais de um terço das empresas listam demanda insuficiente em fevereiro. É um recorde", mencionou o superintendente. "O empresário prevê continuidade desse processo de desaceleração, e tudo isso bate na questão do emprego", acrescentou.

Neste mês, a confiança do comércio despencou. A queda foi de 8,8% ante janeiro, a mais intensa da história. O resultado também fez com que o nível chegasse ao piso da série. Além da percepção sobre a demanda, a tendência de negócios para os próximos seis meses também vai mal, na visão dos empresários. A recomposição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contribuiu para desanimar o setor, especialmente os de bens duráveis.

 



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