Economia

Setor de serviços registra queda de 0,8% em julho


Na comparação com julho do ano passado, houve redução de 3,2% em julho deste ano, já descontado o efeito da inflação, de acordo com o IBGE


  Por Estadão Conteúdo 13 de Setembro de 2017 às 10:24

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O volume de serviços prestados teve redução de 0,8% em julho ante junho, após a alta de 1,3% registrada no mês anterior, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços revelados na manhã desta quarta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com julho do ano anterior, houve redução de 3,2% em julho deste ano, já descontado o efeito da inflação. A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 4,0%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 4,6%.

Desde outubro de 2015, o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado.

Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal diminuiu 0,1% em julho ante junho. Na comparação com julho do ano passado, houve alta na receita nominal de 1,9%.

O segmento de serviços prestados às famílias registrou um avanço de 0,9% na passagem de junho para julho, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços.

Os demais resultados, porém, foram negativos entre as atividades pesquisadas: Outros Serviços, -2,8%; Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, -0,9%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, -2,0%; e Serviços de informação e comunicação, -0,8%. O agregado especial das Atividades turísticas apresentou redução de 2,1% em julho ante junho.

ANÁLISE
 
A queda de 0,8% registrada pelo setor de serviços na passagem de junho para julho foi o primeiro resultado negativo desde março, quando tinha encolhido 2,3%. 
 
O resultado foi o mais negativo para meses de julho na série com ajuste sazonal - na comparação com o mês imediatamente anterior -, iniciada em 2012.
 
"O setor de serviços não está com crescimentos constantes, eles vêm sendo interrompidos por quedas pontuais", afirmou Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.
 
Segundo Saldanha, a queda no setor de serviços em julho foi pontual, não significa que houve alguma reversão de tendência, tampouco que haja trajetória de recuperação.
 
"Os dados evidenciam que o setor ainda não está em recuperação. Para recuperar, tem que ter um crescimento mais robusto da indústria, porque só a indústria pode puxar o setor de serviços, e o setor público também, através de contratações e terceirização", avaliou Saldanha.
 
O pesquisador acredita que o próprio ajuste fiscal conduzido pelos governos federal, estaduais e municipais poderia ajudar o desempenho do segmento de serviços, caso haja uma terceirização.
 
"Nesse problema da crise fiscal, a tendência é o governo, em vez de aumentar a contratação própria, optar por terceirizar. Terceirizando o corte de despesa é mais fácil. A terceirização no setor público pode alavancar os serviços", prevê.

FOTO: Thinkstock