Economia

Safra recorde e queda no consumo ajudam a controlar a inflação


O mercado projeta um resultado anual do IPCA próximo a 3%, o que, segundo a Associação Comercial de São Paulo, abriria espaço para mais reduções na Selic


  Por Redação DC 09 de Agosto de 2017 às 19:10

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, apresentou alta de 0,24%, frente à queda (deflação) de 0,23% registrada em junho.

Apesar disso, ficou bem abaixo do aumento observado no mesmo mês de 2016 (0,52%), resultando em nova queda da inflação acumulada em 12 meses, que alcançou 2,71%, menor valor desde fevereiro de 1999, e abaixo do limite inferior da meta anual perseguida pelo Banco Central (3,0%).

Grande parte dessa continuidade da desaceleração da inflação oficial se explica pelo menor consumo, em decorrência da crise econômica, e pelos efeitos do aumento da oferta de produtos agrícolas, como resultado da supersafra, que continua a exercer pressão deflacionária sobre os preços dos alimentos. 

Segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o menor consumo provocado pela crise e o recorde de safra agrícola deverão continuar a provocar desaceleração da inflação oficial em 12 meses, que é o resultado que se assemelha ao anual, apesar de algumas pressões na direção contrária, decorrentes dos aumentos das tarifas de água, esgoto, gás, passagens de ônibus e pedágios em algumas capitais e das tarifas de energia elétrica, devido à mudança da “bandeira” tarifária em todo o país.

A descompressão dos preços resistiu ao aumento das tarifas elétricas e dos preços dos combustíveis, devido ao aumento da alíquota do Pis/Cofins.

No mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que representa uma medida mais abrangente da inflação, mostrou a quinta queda seguida, que alcançou a 0,3%, frente uma redução de 0,96% anotada em junho.

Desse modo, a variação acumulada em 12 meses desse índice seguiu negativa (-1,42%), embora a diminuição tenha sido menos intensa do que a observada na leitura anterior (-1,51%), refletindo a continuidade da redução dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo – IPA (-4,19%), principalmente em decorrência da intensa deflação dos preços das matérias primas agrícolas (Ipa Agro), que alcançou a 16,7% na mesma base de comparação.

As projeções de mercado apontam para um resultado anual do IPCA próximo a 3%, o que abriria espaço para a continuidade das reduções da taxa básica de juros (Selic), por parte do Banco Central, podendo assim acelerar a recuperação da economia, o que já começa a ser notada pelo prisma da geração de empregos formais, que em julho alcançou a 35,9 mil vagas, com destaque para a indústria (12,6 mil vagas), o comércio (10,1 mil vagas) e os serviços (7,7 mil vagas).

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