São Paulo, 23 de Maio de 2017

/ Economia

Restrições no financiamento imobiliário chegam aos bancos privados
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Instituições seguem medidas tomadas pelos bancos públicos, com redução do teto de financiamento e aumento dos juros e valor de entrada

Os grandes bancos privados restringiram a oferta de crédito imobiliário, acompanhando o movimento iniciado pela Caixa Econômica Federal em resposta à queda de recursos na poupança. Além de elevar os juros mínimos cobrados no segmento, que já começam a valer no mês de maio, também passaram a exigir um maior valor de entrada para financiar a compra da casa própria.

O espanhol Santander anunciou essa semana que o limite do crédito cobrirá no máximo 70% do valor dos imóveis. O teto anterior, de até de 80%, foi mantido apenas para os clientes de alta renda. Os juros passaram a ser no mínimo de 10,1% ao ano ante taxa de 9,1% a.a. 

Medidas semelhantes foram tomadas pelo Itaú Unibanco, que passou a financiar somente 70% e não mais 80% do valor de avaliação do imóvel residencial, além de exigir uma entrada maior. A taxa mínima passou de 9,1% a.a. para 10,2% a.a. As novas condições começaram a valer no dia 13 de maio. 

Já o Bradesco manteve inalterado o limite de entrada exigido, mas elevou os juros. Nas linhas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que abrange imóveis de até R$ 750 mil, a taxa mínima passou de 9,6% a.a. para 9,8% a.a. Financiamentos acima disso terão juros de 10,3% a.a., ante 9,5%. As taxas valem desde o dia 07 de maio. As demais condições permanecem inalteradas, inclusive, o porcentual de 80% do valor de avaliação para financiamento de imóveis novos ou usados.

O endurecimento nas condições de crédito imobiliário, até então visto como um dos motores para o crescimento das carteiras, reflete o momento de crise que o setor atravessa. A expectativa dos grandes bancos privados é de desaceleração da linha este ano, impactada pelo forte movimento de saques na poupança, em meio ao aumento dos juros, que torna outras opções de investimento mais rentáveis, e da inflação, que compromete o poder de renda da população.

De janeiro a abril, os saques da caderneta atingiram R$ 29 bilhões, segundo o Banco Central. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima que as retiradas alcancem R$ 50 bilhões neste ano. Como consequência, o volume de desembolso com recursos da poupança recuou 4,6% no primeiro trimestre, conforme a Abecip, o que levou a entidade a revisar suas projeções. Na melhor das hipóteses, o segmento terá crescimento zero e no pior cenário, sofrer queda 11%, de R$ 112,9 bilhões em 2014 para R$ 100 bilhões este ano. A associação prevê uma melhora no segundo semestre.

A situação mais crítica, porém, está na Caixa Econômica Federal. Além de ter restringido os empréstimos para a compra da casa própria, financiando no máximo metade do valor no caso de imóveis usados, aumentou os juros por duas vezes. Sem recursos da poupança, a Caixa tem o desafio de desembolsar o mesmo montante de 2014, quando foram liberados R$ 129 bilhões. Executivos já falam, porém, em um corte bilionário neste ano. De janeiro a março, o volume de crédito imobiliário contratado na Caixa ficou estacionado. 

Além da Caixa, o Banco do Brasil e o Banrisul, que também passou a exigir uma maior entrada, já haviam elevado os juros do crédito imobiliário. O Banco do Brasil foi o único a anunciar mudanças que facilitam a contratação. O banco, que financia até 80% do valor do imóvel, ampliou o prazo de 360 para 420 meses, aumentou as possibilidades de escolha dos sistemas de financiamento e ainda implantou uma metodologia de flexibilização de taxas.

Foto: Estadão Conteúdo



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