Economia

Projeção para o PIB de 2017 pode se aproximar de 1%


O resultado do segundo trimestre veio melhor do que o esperado segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e Facesp


  Por Redação DC 01 de Setembro de 2017 às 16:03

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O resultado do PIB no segundo trimestre, divulgado pelo IBGE, é um bom sinal para a economia brasileira na opinião de Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

“O resultado veio melhor do que o esperado, que era um zero a zero, em decorrência da forte turbulência política, que arrefeceu as expectativas, principalmente do consumidor”, diz Burti.

Burti avalia que os crescimentos frente ao trimestre anterior e a igual período de 2016 são “acalentadores” e indicam que a projeção para o PIB no fechamento do ano pode se aproximar mais de 1% do que de 0,5%.

“O segundo semestre é costumeiramente mais aquecido em termos de consumo e isso vai ajudar, juntamente com a continuidade da queda da Selic”.

O presidente da ACSP ainda chama a atenção para a diminuição dos gastos do governo no segundo trimestre, o que ajuda a política fiscal, embora as contas públicas continuem a registrar déficit.

 A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) considerou o resultado do Produto Interno Bruto do segundo trimestre, com alta de 0,2%, "uma grata notícia", que reforça a expectativa de um segundo semestre mais consistente para o comércio, mas a entidade mantém a vigilância para que as reformas prossigam.

"Com a inflação controlada, os juros menores e o taxa de desemprego em queda, as famílias se sentirão mais confiantes para retomar o consumo", diz em nota o presidente da associação, Emerson Luiz Destro.

Ainda de acordo com o dirigente, o resultado não aponta o fim "completo" da recessão, mas o início de uma recuperação econômica, que "tende a ser lenta e, por vezes, com números contraditórios".

Destro ressaltou que é necessário que reformas estruturantes avancem e continuem progredindo no Congresso.

"O Brasil novo depende de mudanças. O ajuste fiscal é inexorável. Temos de encontrar o caminho para viabilizar um Estado mais flexível e menos burocrático. A dificuldade de sustentação das despesas do governo é um problema histórico, que precisa de solução. É hora de tomar medidas corajosas e reativar de vez a economia."

Em sua opinião, os empresários não se devem deixar imobilizar pelo excesso de cautela, e sim manter o planejamento de investimentos, buscando novos nichos para expandir operações e testando inovações, "que podem trazer diferenciais importantes para o futuro do negócio".

RANKING

O Brasil ficou no segundo trimestre com a 41ª posição em num ranking elaborado pela Austin Rating com 42 países listados de acordo com a evolução de seus respectivos Produtos Internos Brutos (PIB).

Com uma taxa de expansão de 0,3% de abril a junho em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB do Brasil só ficou à frente da economia da Noruega, que na mesma base de comparação cresceu 0,20%.

À frente do Brasil aparecem o Chile com crescimento de 0,9%; Colômbia, com 1,3% e Itália, com 1,5%. As primeira, segunda e terceira posições foram ocupadas por China, Filipinas e Malásia, com taxas de crescimento de 6,9%, 6,5% e 5,8%, pela ordem.

De acordo com o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, responsável pelo ranking, se a tabela dos países segundo a evolução de suas economias pusesse ser comparada à tabela do Campeonato Brasileiro, poderia se dizer que o Brasil está muito próximo do rebaixamento.

Segundo Agostini, o Brasil só não ficou na última posição - a mesma que frequentou no primeiro trimestre - porque a Noruega perdeu pontos de crescimento da primeira para a segunda leitura do PIB no ano.

Desde o primeiro trimestre de 2016 que o Brasil vem ocupando a última posição no ranking. No primeiro trimestre, o Brasil ficou na 39ª colocação no ranking, que tinha 39 países.

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