Projeção para a Selic cai para 8% no final de 2017


Relatório Focus, do Banco Central, indica ainda que a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim de 2018 permanece em 8%, ante 8,50% de um mês atrás


  Por Estadão Conteúdo 17 de Julho de 2017 às 09:29

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Em meio à fraqueza da atividade, os economistas do mercado financeiro passaram a projetar corte de 1 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros) no fim de julho.

É isso o que mostra a abertura dos dados do Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 17/07, pelo Banco Central.

Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano. Até a última semana, a projeção era de corte de 0,75 ponto percentual.

Conforme as projeções mais recentes, após o corte de 1 ponto neste mês, a Selic cairá 0,50 ponto em setembro e 0,50 em outubro. Em dezembro, pelas expectativas, a taxa básica cairá mais 0,25 ponto porcentual, atingindo 8,00% ao ano. Isso representará o fim do ciclo.

O grupo das cinco instituições que mais acertam projeções de médio prazo - o chamado Top 5 - seguiu projetando um corte de 1 ponto porcentual da Selic em julho, de 10,25% para 9,25% ao ano. Até duas semanas atrás, a mediana do Top 5 apontava um corte de 0,75 ponto porcentual, para 9,50% ao ano.

Se confirmado, o corte de 1 ponto porcentual significará a manutenção do atual ritmo adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

No encontro do fim de maio, o colegiado havia ponderado que, em função do cenário básico e do balanço de risco, uma "redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião".

Na época, o mercado entendeu que a mensagem apontava para uma redução do ritmo em julho, para corte de 0,75 ponto percentual. O principal fator para isso seria a crise política, que coloca em risco o andamento das reformas no Congresso.

Desde então, porém, os dados divulgados mostraram uma recuperação ainda incipiente para a atividade econômica e, ao mesmo tempo, a inflação sob controle.

Em junho, o IPCA apontou deflação de 0,23%. Já o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de maio recuou 0,51% em relação a abril.

Este cenário tem feito alguns economistas retomar a aposta de que, no encontro de julho, o Copom promoverá corte de 1 ponto percentual da Selic.

INFLAÇÃO

Após a deflação registrada em junho e em meio aos indicadores de atividade ainda fracos, os economistas do mercado financeiro voltaram a reduzir suas projeções para o IPCA neste e no próximo ano.

O Relatório Focus mostra que a mediana para o índice oficial de inflação em 2017 foi de 3,38% para 3,29%. Há um mês, estava em 3,64%. Já a projeção para o IPCA de 2018 foi de 4,24% para 4,20%, ante 4,33% de quatro semanas atrás.

Na prática, as projeções de mercado divulgadas hoje no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018.

A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%). Portanto, a projeção para 2017 (3,29%) está se aproximando do piso da meta.

No início do mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA registrou deflação de 0,23% em junho.

PIB

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para a atividade em 2017 e 2018.

A expectativa de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguiu em 0,34% no Relatório de Mercado Focus. Há um mês, a perspectiva era de avanço de 0,40%.

Para 2018, o mercado manteve a previsão de alta do PIB, de 2,00%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,20%.

Em 22 de junho, o BC informou em seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI) a manutenção em 0,5% da estimativa para o PIB em 2017.

Na última sexta-feira, no entanto, a instituição informou que seu Índice de Atividade (IBC-Br) cedeu 0,51% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. A avaliação entre vários economistas é de que a retomada da economia ainda é frágil.

A taxa de inflação acumulada no ano até junho é de 1,18%. Na última sexta-feira, foi a vez de o BC informar que seu Índice de Atividade (IBC-Br) cedeu 0,51% em maio ante abril - um claro sinal de que a atividade está longe de trazer pressão para os preços no Brasil.

REPERCUSSÃO

A queda na mediana das expectativas do mercado na pesquisa Focus para a Selic reflete o arrefecimento na taxa de inflação, afirma o analista Everton Carneiro, da RC Consultores.

"A inflação vem caindo mais rápido e a tendência é que continue diminuindo", diz. No levantamento, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017 passou de 3,38% para 3,29%.

Diante da estimativa de que o IPCA prossiga em desaceleração, Carneiro não descarta a possibilidade de os juros fecharem este ano na faixa de 7,00%. Contudo, esta não é a previsão da RC Consultores, que é de Selic encerrando 2017 em 8,50%, por enquanto.

A expectativa da consultoria é que o IPCA acumulado em 12 meses desacelere até a leitura de agosto, para depois avançar um pouco no nono mês, quando pode apresentar um nível maior que em setembro de 2016 (0,08%).

Por enquanto, a projeção da RC Consultores é que a inflação termine 2017 em 3,65%.

De acordo com Carneiro, a previsão para o IPCA pode ser alterada, a depender do aumento de algum tributo como já vem se aventando, a fim de ajudar o governo a cumprir a meta fiscal de déficit de R$ 139 milhões em 2017.

"Pode ser que elevem Cide em cima da gasolina", diz, ao referir-se à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o combustível.

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