São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Economia

Produção da indústria continua em queda
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Em São Paulo houve crescimento mensal de 0,3% em fevereiro, mas recuo de 8,5% na comparação anual. Setor automotivo espera queda de 10% em 2015

A produção industrial nacional caiu em média 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro deste ano, mas o tombo foi maior na comparação com igual mês do ano passado: de 9,1%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Nesta conta, São Paulo - que é o maior parque industrial do país - escapou por pouco: teve crescimento mensal de 0,3% na atividade. Na comparação com fevereiro de 2014, a indústria paulista encolheu 8,5%.

Ainda assim, o resultado foi menos intenso do que a perda de 9,1% observada na média nacional para o mesmo período. A produção de veículos automotores foi responsável pela queda em todos os estados que têm fábricas desse segmento pesquisados pelo IBGE. 

Com isso, regiões como Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo têm registrado resultados negativos na produção ante igual mês do ano anterior.

"Todos os estados onde há produção de veículos automotores mostram não só queda, mas tem nessa atividade o principal impacto negativo", afirma Rodrigo Lobo, pesquisador da Coordenação de Indústria do IBGE.

Na comparação de fevereiro de 2015 com igual mês de 2014, 12 de um total de 15 locais pesquisados tiveram queda na produção industrial. "Vale citar que fevereiro de 2015 (18 dias) teve dois dias úteis a menos do que igual mês do ano anterior (20 dias)", diz o IBGE. 

Na avaliação mensal, a queda na produção mais acentuada foi registrada na indústria carioca. No Rio de Janeiro, o recuo foi 7,1%, o mais intenso para o mês desde janeiro de 2012 (que foi de queda de 12,7%). Na comparação anual, o recuo foi de 11,8%. 

A Bahia, por sua vez, teve uma perda de 6,4%, e fevereiro foi o terceiro mês consecutivo de diminuição. No trimestre, a queda acumulada foi de 20,7%. No acumulado de 12 meses, a Bahia registrou uma redução maior da indústria: de 23,2%, pressionada pelo setor de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis. 

No mês, o estados de Pernambuco e Minas Gerais caíram 2,3% e 1,9%, respectivamente, com recuos mais acentuados do que a média nacional de queda de 0,9%. Índices negativos também foram registrados no Nordeste (queda de 0,7%) e Espírito Santo (-0,4%), na comparação de fevereiro com janeiro. 

Neste período, houve resultado positivo no Pará, com crescimento de 3,4%, e em Goiás (3,2%), Paraná (2,4%), Amazonas (2,2%), Rio Grande do Sul (1,6%), Ceará (1,1%) e em Santa Catarina (0,2%), além de São Paulo.

No período de 12 meses, a indústria do Amazonas também teve uma queda significativa, de 18,9%, influenciada por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (principalmente televisores).

As localidades que também registraram quedas fortes neste período foram Paraná, com diminuição de 15%, Rio Grande do Sul (-13,7%), Região Nordeste (-11,1%), Minas Gerais (-10,6%), Santa Catarina e Ceará (ambos com -9,5%). 

Os estados que tiveram reduções abaixo da média nacional anual foram Goiás (-4,4%), Mato Grosso (-1,5%) e São Paulo (-8,5).

As três regiões onde o crescimento da indústria resistiu em 12 meses foram Espírito Santo, com alta de 25,6%, impulsionada principalmente pelo comportamento positivo vindo dos setores extrativos e de metalurgia.

Os demais resultados positivos foram observados no Pará (9,4%) e em Pernambuco (2,3%).

Do lado positivo, o Pará foi influenciado pela indústria extrativa. "Não só por ser 80% da indústria da região, mas também pelos sucessivos aumentos na produção de minério de ferro", diz Lobo.

INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Apesar dos números negativos da indústria de forma geral, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou que a produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado brasileiro subiu 22,9% em março na comparação com fevereiro.

Se a comparação for feita com o março de 2014, a produção deste segmento da indústria caiu 7%. 

No segundo mês deste ano, foram produzidos 253.622 veículos no país. Com o resultado, a produção acumula queda de 16,2% no primeiro trimestre ante igual período de 2014.

De acordo com a Anfavea, a indústria automobilística brasileira eliminou 1.466 vagas em março.

Após os recentes cortes e programas de demissão voluntária, o setor encerrou o terceiro mês do ano com 140.851 empregados, queda de 1% na comparação com fevereiro e recuo de 9,4% ante o mesmo mês do ano passado. 

Com o resultado, a indústria automotiva já demitiu 3,6 mil empregados em 2015.

A associação espera que, em 2015, sejam produzidos 2,832 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em todo o país, o equivalente a uma queda de 10% em relação aos 3,146 milhões produzidos de 2014. 

A projeção é mais pessimista do que a previsão de alta de 4,1% na fabricação divulgada em janeiro.

*Com informações de Estadão Conteúdo

 

 



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