Economia

PIB do 2º trimestre decreta o fim da recessão


A perspectiva para o ano de 2017 é de continuidade de recuperação da economia, embora de forma lenta, avaliam os economistas da Associação Comercial de São Paulo


  Por Redação DC 01 de Setembro de 2017 às 17:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Surpreendendo os analistas de mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento de 0,2% no segundo trimestre, em relação ao período janeiro a março, livre de influências sazonais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do segundo aumento trimestral consecutivo, o que significa o fim da recessão econômica que, segundo o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) da FGV, se iniciou no segundo trimestre de 2014.

A análise é dos economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Os dados do IBGE mostram que em relação ao mesmo período de 2016 também houve crescimento, que alcançou a 0,3%, constituindo, nessa base de comparação, a primeira elevação após 12 trimestres seguidos de queda.

"Além disso, esse resultado é totalmente coincidente com os demais sinais de recuperação da economia (redução do
desemprego, criação de novos postos de trabalho, desaceleração da queda da atividade)."

 Pelo lado da demanda, frente ao primeiro trimestre de 2016, o consumo das famílias, seu principal componente, cresceu 0,7%, devido à recomposição da renda, em decorrência da redução da inflação, dos menores juros e dos maiores prazos de financiamento, além do efeito positivo da “injeção” dos saldos inativos do FGTS.

Por outro lado, a maior incerteza política abalou em maior proporção a “confiança” dos empresários, que reduziram sensivelmente as compras de máquinas e equipamentos.

Isso, em conjunto com a paralisação das grandes empreitaras acusadas na “Operação Lava Jato”, e a forte diminuição do investimento público em infraestrutura, produziram retração de 6,5% na chamada formação bruta de capital fixo, mais intensa do que a registrada no trimestre anterior (-3,7%).

A participação de todos esses investimentos sobre o PIB “quebrou” outro mínimo histórico, situando-se em 15,5%, cada vez mais longe da média para os países emergentes (25% do PIB).

Também houve queda mais intensa do consumo de governo, que corresponde fundamentalmente às despesas com servidores nas três esferas governamentais, que chegou a 2,4%, refletindo algum esforço de represamento dos gastos públicos. 

As exportações continuaram a dar contribuição positiva, aumentando 2,5%, proporção superior à observada no período janeiro-março (1,9%), mantendo-se a mesma base de comparação. Esse resultado se explica basicamente pela alta dos preços internacionais do minério de ferro e pela recuperação da economia mundial.

Pelo lado da oferta, frente ao segundo trimestre do ano passado, a atividade industrial intensificou sua retração (-2,1%), muito influenciada, de forma negativa, pela queda da construção civil, reflexo da contração dos investimentos produtivos e em infraestrutura.

Os serviços, que constituem o principal setor produtivo da economia, continuaram mostrando queda (-0,3%), embora menos intensa que aquela nos primeiros três meses do ano (-1,7%), em decorrência do desemprego ainda elevado.
Novamente, pelo lado da oferta, o setor agropecuário representou o principal destaque positivo, crescendo 14,9%, ainda refletindo a safra recorde obtida no ano, produto das condições climática favoráveis e dos ganhos de produtividade da agricultura.

A perspectiva para o ano de 2017 é de continuidade da recuperação da economia, embora de forma lenta, em função da manutenção do ciclo de redução das taxas de juros, da redução do desemprego, da recomposição do poder aquisitivo das famílias e da realização das reformas estruturais pendentes.

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