São Paulo, 26 de Julho de 2017

/ Economia

Para empresários, aprovação da reforma trabalhista reduz riscos
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"A reforma irá modernizar e adequar a legislação trabalhista brasileira, que tem mais de 70 anos e não está mais em sintonia com a realidade", diz Alencar Burti, presidente da ACSP

A aprovação da reforma trabalhista no Senado Federal, foi, na opinião de representantes da iniciativa privada, uma vitória para o setor produtivo brasileiro, que há anos tenta mudar as leis nacionais.

Para os empresários, a reforma é o início de um caminho de modernização das relações de trabalho que o País começa a trilhar e que trará maior competitividade para as empresas nacionais.

Na opinião do presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso Dias Cardoso, além de dar um pouco de modernidade à legislação trabalhista, a reforma aprovada vai trazer para a legalidade um "monte de gente" que não tem carteira assinada.

"Temos viajado muito mundo afora e é impressionante o ‘gap’ do Brasil em relação ao resto do mundo em termos de relações de trabalho", afirma Cardoso.

Segundo ele, hoje o maior risco para o empreendedor é exatamente o risco trabalhista, já que o judiciário legisla basicamente para o trabalhador.

"Hoje, o Brasil só atrai investimentos em áreas de baixo valor agregado ou naqueles setores ligados a recursos naturais. A primeira coisa que o investidor estrangeiro olha é a questão trabalhista."

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Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a nova lei não prejudicará o trabalhador. "Vai justamente contribuir para a geração de postos de trabalho porque dará mais flexibilidade às relações trabalhistas, com regras que permitirão modalidades diferentes de contratação”, diz Burti.

O presidente da ACSP ressalta que “a reforma irá modernizar e adequar a legislação trabalhista brasileira, que tem mais de 70 anos e não está mais em sintonia com a realidade. Vai atualizar pontos para facilitar o relacionamento entre empresários e trabalhadores, sem eliminar nenhum dos direitos já garantidos pela Constituição”, finaliza.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também celebrou a decisão do Senado. "Teremos uma modernização da legislação trabalhista que esperamos há 70 anos. Estamos satisfeitos", afirmou a diretora executiva e jurídica da Fiesp, Luciana Freire.

Para ela, o pilar da reforma é a questão do negociado se sobrepor ao legislado. Nos últimos anos, diz a executiva, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público têm anulado as decisões entre os sindicatos e as empresas, o que gerava incerteza para o setor produtivo.

Cardoso, da Abimaq, também elogiou a medida e diz que, ao contrário do que muitos estão afirmando, a nova regra vai dar mais força aos sindicatos, já que os acordo vão prevalecer sobre a legislação.

A reforma, segundo os executivos, vai trazer a legislação para a nova realidade do mercado de trabalho, como o home office.

Além disso, afirmam eles, vai beneficiar trabalhadores que estavam à margem da CLT. "Aqueles que não têm carteira assinada, que não têm direito a férias e ao 13.º salário, agora serão legalizados", afirma Luciana, referindo-se aos trabalhadores que vivem de "bicos".

FOCO

Para o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Flavio Amary, a reforma trabalhista era uma necessidade para devolver a competitividade ao País.

Para ele, neste momento, o foco do Congresso deve ser exatamente a aprovação de medidas que deem condições para a economia retomar o crescimento.

Ontem (11/07) a entidade publicou uma carta onde elogia os "acertos da política econômica" e as "propostas reformistas", que têm permitido a retomada da produção e a geração de emprego.

"Entendemos que não podemos ser neutros. Não se trata de defender partido, mas neste momento acreditamos que o Congresso, em conjunto com o executivo, tem de continuar as reformas e daqui a um ano e meio passamos por novas eleições", diz o presidente da entidade.



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