"Não há ajuste fiscal sem crescimento"


O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto (foto) disse que as propostas do ministro da Fazenda são boas, mas precisam do aval do PT


  Por Estadão Conteúdo 10 de Março de 2016 às 19:33

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou nesta quinta-feira (10/03) que as propostas fiscais destacadas pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, como a reforma da Previdência, são muito boas, mas precisam do "apoio do partido do governo", o PT.

Em palestra na Amcham-SP, ele renovou sua defesa a medidas estruturais de longo prazo que o governo precisa enviar ao Congresso para restabelecer a confiança de empresários e consumidores, sem as quais os investimentos não voltarão e a economia não retomará a expansão do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país). "Não haverá ajuste fiscal sem crescimento", disse.

Entre as sugestões estão a reforma da Previdência, com a adoção de uma idade mínima para aposentadorias, fim da indexação dos benefícios do sistema de seguridade social à variação do salário mínimo e desvinculação de receitas do Orçamento.

Ele também advogou a adoção de uma proposta da CUT, na qual acordos entre empregados e trabalhadores devam prevalecer sobre a atual legislação.

Além disso, Delfim Netto defendeu a revisão de todas as rubricas de gastos federais, a fim de eliminar despesas desnecessárias pela União que ocorrem ano após ano porque não são reavaliadas periodicamente pelo Poder Executivo.

"Tudo isso é essencial para que em três ou quatro anos volte a estabilidade da dívida bruta como proporção do PIB", disse Delfim Netto, para um público de empresários.

"Precisa devolver aos senhores a confiança do poder incumbente para que possam tomar os riscos dos investimentos", disse. "O desequilíbrio fiscal está incito na Constituição de 1988. Ele não apareceu antes porque o país estava crescendo", destacou.

Delfim Netto defendeu que programas sociais sejam preservados pelo governo. "O Bolsa Família é extremamente eficiente porque ajuda a aumentar a igualdade de oportunidades, a educação do mais necessitado. Tem o parasitismo como tem em todos os programas, o que precisa ser retirado. Não é auxilio para miserável."

"Há uma saída: o Brasil pensar na situação que está e tomar as providências", disse Delfim após o evento.

"A crise política e econômica juntou pé com cabeça. A crise política piora a crise econômica que piora a crise política. Essa corda tem que ser cortada em algum momento. É preciso aceitar um diagnóstico correto e por em prática, tanto pelo Executivo quanto pelo Legislativo."

FOTO: Estadão Conteúdo