Economia

Moody’s: reformas são mais importantes que elevação do déficit


A agência diz que no curto prazo o aumento da meta para o rombo nas contas públicas não muda avaliação sobre o país. Alencar Burti, presidente da ACSP, considerou positiva a reação do mercado


  Por Agência Brasil 16 de Agosto de 2017 às 16:55

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A elevação da meta de déficit fiscal  deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões não afeta a avaliação sobre o Brasil no curto prazo, informou nesta quarta-feira (16/08) a agência de classificação de risco Moody’s.

Em nota, a agência destacou que a revisão da meta fiscal não deverá impactar a nota do país nos próximos meses, mas advertiu para o risco de a dívida pública explodir nos próximos anos caso o governo não consiga avançar na aprovação de reformas estruturais.

“A magnitude da revisão em 2017 não afeta materialmente nosso cenário-base”, escreveu a analista sênior para ratings soberanos da Moody's, Samar Maziad.

No texto, ela destacou que o aumento do déficit primário em 2018 atrasará o controle do governo sobre a dívida pública, mas considerou que o principal perigo é a não aprovação de reformas como a da Previdência Social.

“Nossas projeções incorporavam um déficit fiscal primário de 2,4% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país) em 2017, mas nossa estimativa para 2018 era de um déficit fiscal de 1,7% do PIB. Uma trajetória mais lenta de consolidação fiscal em 2018-2020 é um desdobramento negativo de crédito”, destacou a analista da Moody’s.

A mudança na meta de déficit para o próximo ano, que saltará de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões, fará o resultado negativo nas contas públicas aumentar para 2,2% do PIB em 2018, de acordo com a agência.

Apesar disso, a analista da Moody’s ressaltou que as perspectivas para a nota do Brasil no médio prazo serão mais afetadas pela evolução das reformas propostas do que pelas metas fiscais de curto prazo.

“Se aprovada, a reforma da Previdência reduzirá o crescimento das despesas do governo, contribuindo para a restauração da sustentabilidade fiscal e para contenção do aumento da dívida pública”, acrescentou a analista.

Na terça, a agência Standard & Poor’s (S&P) retirou a perspectiva negativa da nota de crédito do Brasil logo após o anúncio da mudança da meta. Em comunicado, a agência informou que o cenário político melhorou após a rejeição, pela Câmara dos Deputados, da denúncia contra o presidente Michel Temer e que o governo conseguiu aprovar a reforma trabalhista.

Em maio, a S&P tinha posto o Brasil em observação após a divulgação de denúncias contra Temer. Tanto a S&P como a Moody’s mantêm o Brasil duas notas abaixo do grau de investimento  (garantia de que o governo brasileiro não dará calote na dívida pública).

Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, no qual a probabilidade de deixar de pagar a dívida pública sobe à medida que a nota diminui. Quando um país dá calote, os títulos passam a ser considerados como de lixo. O mesmo vale para as empresas.

MEDIDAS ADEQUADAS

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a reação do mercado foi positiva.

 “A nova meta de déficit era esperada e o mercado reagiu bem. Aliando-se isso ao teto de gastos e às mudanças na previdência, pode-se vislumbrar um equilíbrio a médio e longo prazo, nos próximos governos. É preciso manter sob controle as expectativas de ajuste fiscal: o tempo para o ajuste é muito curto”, diz Burti.

 Para ele, “as medidas são as mais adequadas para o momento” e qualquer solução de curto prazo ? como um pacote tributário ? seria ineficaz e prejudicaria a retomada. “Não se pode governar um país com aumento de carga tributária  a cada problema. Na falta dessa alternativa de emergência, optou-se pela acomodação dos gastos”.  

 “O que se espera e se almeja agora é a continuidade da queda da taxa básica de juros, o que reativará a economia”, conclui o presidente da ACSP.

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