São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Economia

Mercado financeiro espera inflação de 8,12% para 2015
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Analistas de instituições financeiras voltam a mexer nas projeções de inflação para cima. O ministro Nelson Barbosa minimizou as expectativas

Há 12 semanas consecutivas o mercado financeiro vem revisando as projeções para a inflação neste ano. Nesta segunda-feira (23/3), o relatório Focus, que traz os prognósticos das principais instituições financeiras do país, trouxe mais uma correção nas expectativas dos especialistas. Para eles, a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), deve chegar a 8,12% no final deste ano. 

Essa revisão tem a ver com a última parcial do índice. O IPCA-15 de março, que coleta preços do dia 16 de fevereiro a 15 de março, apontou uma alta de 1,24% nos preços. Com isso, as previsões do IPCA para o ano saltaram de 7,93% para 8,12%. 

O grupo de economistas que mais acerta as previsões, o chamado Top 5, não acredita em uma inflação dentro do teto da meta, de 6,5%, para 2015. Esses profissionais, inclusive, esperam inflação de 8,33% no fim do ano – ligeiramente acima da média das previsões. 

No curto prazo, os preços mostram mais descontrole. O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano.

A expectativa é a de que a pressão dos preços administrados se concentre no primeiro trimestre deste ano. De qualquer forma, o foco do BC em relação à meta é apenas para 2016, quando promete entregar uma inflação de 4,5%. Para 2016, a previsão do IPCA no Focus é de 5,61%.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, minimizou a previsão do mercado de que a inflação poderá superar o patamar dos 8% em 2015. Para Barbosa essa é uma expectativa "de mercado", que pode ser revista. 

"O governo trabalha para trazer a inflação para o centro da meta o mais rapidamente possível. O ano está começando tumultuado, com preços flutuando", diz. "A expectativa de mercado é volátil, não significa que será nesse patamar".

O ministro disse que o aumento é temporário e deve cair rapidamente, uma vez que o próprio mercado já vê uma "pequena redução" para 2016. 

MERCADO FICA DIVIDIDO SOBRE A SELIC

A projeção do mercado financeiro de que a taxa básica de juros (Selic) subiria menos na reunião de abril e assim permaneceria até o final do ano foi abandonada por uma parte dos analistas.

A projeção dos analistas que participam da Focus é que a Selic encerre o ano em 13%, mas isso não é um consenso. 

Para os analistas do Top 5 (que trabalham nas cinco instituições que mais acertam as projeções), a taxa básica de juros chegará a 13,25% ao ano no curto prazo.

A dúvida, portanto, é sobre se o colegiado optará pelo mesmo ritmo de alta que vinha mantendo agora ou se dividirá a dose em dois encontros. Para o encerramento do ano, o mesmo grupo projeta a Selic em 13,75%. 

Pelas séries estatísticas do BC obtidas com os economistas, a Selic ficará 13,25% até a reunião de outubro.

Apenas na última edição do encontro deste ano, em novembro, é que voltaria a ceder para 13%. Em março, o colegiado aumentou a taxa básica de juros de 12,25% ao ano para 12,75%, conforme o esperado. 

DÓLAR PASSA DE R$ 3 EM 2015 E EM 2016

Com a contínua alta do dólar frente ao real nos últimos dias, as previsões para o comportamento do câmbio neste e no próximo ano mostraram variações expressivas no relatório Focus. A média das estimativas para o dólar passou de R$ 3,06 para R$ 3,15. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em R$ 2,90. 

Já para o fim de 2016, a cotação esperada subiu de R$ 3,11 para R$ 3,20 de uma semana para outra. Quatro semanas atrás, a expectativa média para o próximo ano estava em R$ 3.

Para o grupo Top 5, a projeção no curto prazo é que o dólar chegue a R$ 3,25 neste ano. No médio prazo, os analistas desse grupo estimam uma cotação de R$ 3,10 para 2015.

 



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