Economia

Investimentos recuam 3% em janeiro


Em dezembro do ano passado, o indicador havia registrado crescimento de 2,3%, de acordo com o Ipea


  Por Estadão Conteúdo 13 de Março de 2017 às 12:02

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Após esboçarem uma reação em dezembro do ano passado, os investimentos no país voltaram a recuar no início de 2017, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve queda de 3% em janeiro deste ano em relação ao mês anterior, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com janeiro de 2016, o indicador registrou queda de 4,9%. No acumulado de doze meses, a retração chega a 9%.

Em dezembro do ano passado, o indicador havia registrado crescimento de 2,3%, interrompendo uma sequência de cinco recuos consecutivos. De acordo com o Ipea, o recuo de janeiro reforça o comportamento instável dos investimentos.

Em nota no blog Carta de Conjuntura, o técnico de planejamento e pesquisa Leonardo Mello de Carvalho diz que o resultado reverteu o aumento verificado no período anterior, e deixa um carregamento estatístico (carryover) de -1,9% para o primeiro trimestre de 2017.

Ou seja, caso a FBCF apresente crescimento nulo nos meses de fevereiro e março, deverá encerrar o primeiro trimestre do ano registrando contração de 1,9% sobre o período anterior, também na série ajustada sazonalmente.

O recuo entre os meses de dezembro e janeiro foi consequência do mau desempenho do consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) - estimativa dos investimentos calculada pela produção industrial doméstica mais importações, menos as exportações.

Após a alta de 2,6% no período anterior, esse indicador caiu 6,6%. Já o indicador de construção civil avançou 0,6% frente a dezembro, ainda na comparação com ajuste sazonal.

Contra o mesmo mês do ano passado, tanto o Came quanto o indicador de construção civil apresentaram retração, com quedas de 9,8% e 2,7%, respectivamente.

De acordo com o Ipea, outro importante fator que ajuda a explicar o mau resultado na comparação mensal, também na série com ajuste sazonal, foi o comportamento das importações de bens de capital, que caíram 12,4% em janeiro, após alta de 10,2% em dezembro de 2016.

O Ipea ainda não enxerga sinais consistentes de retomada do investimento no Brasil. Além disso, a demanda doméstica deprimida e a alta ociosidade da indústria devem dificultar uma recuperação rápida dos investimentos.

"Pelo legado da recessão, a pior da história, a recuperação tende a ser bastante gradual", diz o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Leonardo Mello de Carvalho. A expectativa é que o indicador siga mostrando um comportamento instável nos próximos meses.

Atualmente a indústria de transformação brasileira trabalha com 74,3% de sua capacidade, bem abaixo da média histórica de 80,9% e três pontos porcentuais abaixo do nível de utilização da época da crise financeira global deflagrada em 2008, com reflexos no Brasil em 2009.

Isso significa que será possível responder a um eventual aquecimento da demanda - o que depende de uma melhora significativa do mercado de trabalho, ainda distante - apenas religando equipamentos parados, sem investimentos adicionais em um primeiro momento.

Fatores positivos para a FBCF, como os cortes na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, perspectiva de investimentos com as concessões em infraestrutura e melhora nos preços das commodities devem ter um efeito defasado sobre os investimentos.

Para Carvalho, os reflexos desses pontos dificilmente aparecerão antes do segundo semestre.

Apesar disso, o técnico do Ipea acredita que o fundo do poço do investimento já passou.

Em 2016, o Brasil registrou a pior taxa de investimento dos últimos 20 anos (16,4%), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

FOTO: Thinkstock