São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Economia

Inflação na projeção do Focus dispara para 7,77%
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Há um mês, a projeção das estimativas para o indicador estava em 7,15%. Expectativa também é de alta de índice de preços no atacado, que desaceleraram no último mês

Depois de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro ter ficado bastante alto e o de fevereiro, acima das expectativas, analistas do mercado financeiro tiveram de rever suas projeções para a inflação. Houve mudanças para pior - muitas delas, fortes - em quase todos os indicadores no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 9, pelo Banco Central, principalmente para os de prazo menor.

A projeção para o IPCA de 2015 passou de uma alta de 7,47% para 7,77%. Há um mês, a estimativa para o indicador estava em 7,15%. Esta é a décima semana consecutiva em que há alta das previsões para o IPCA deste ano.

Boletim do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, avalia que há um paradoxo no comportamento do IPCA em relação ao que mede os preços no atacado, e que portanto é antecedente. 

De um lado, o IPCA de fevereiro acelerou 1,22%, puxado pelos preços administrados, enquanto o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com preços do atacado, desacelerou com alta de 0,53% no mesmo mês, frente 0,67% em janeiro. 

"O IGP-DI acumulado em 12 meses alcançou 3,74%, muito abaixo do IPCA. Mas pode voltar a subir se a cotação do dólar continuar aumentando. Essa menor taxa de inflação registrada pelo índice anterior tem como causa o menor crescimento dos preços no atacado, medido pela variação do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), seu principal componente do IGP-DI, cuja elevação no acumulado de 12 meses passou de 2,27% em janeiro para apenas 1,67% em fevereiro", informa o documento. 
 
No boletim, a avaliação é que os dados sugerem que a pressão da alta de preços no atacado ainda é baixa, mas pode se elevar devido à alta do dólar. 

Para os analistas de mercado que participam do relatório Focus, o IGP-DI também deve ser maior no encerramento deste ano. A projeção passou de 5,82% para 5,97% de uma semana para outra. Para o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), a estimativa permaneceu a mesma, de 5,66% no final de 2015.

PIOR NO CURTO PRAZO

No curto prazo, a avaliação dos participantes da Focus é negativa para inflação. A expectativa de que o BC não entregará, portanto, a inflação de 2015 sem estourar o teto de 6,50% da meta também pode ser vista no Top 5 de médio prazo, que é o grupo dos economistas que mais acertam as previsões. 

Para esses profissionais, o IPCA deste ano segue acima da banda superior da meta e a projeção passou de 7,51% na semana passada para 7,97% agora. Quatro semanas atrás, estava em 7,12%.

Para o final de 2016, a projeção para o IPCA foi levemente ampliada de 5,50% para 5,51%. No Top 5, a expectativa para a inflação no final do ano que vem foi mantida em 5,45% - um mês antes estava em 5,65%.

O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano, mas conta com um período de declínio mais para frente, levando o indicador a ficar no centro da meta de 4,5% no encerramento de 2016.

Apesar desse prognóstico mais positivo para o médio prazo, as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente seguem elevadas. Tiveram, no entanto, a terceira redução conta-gotas, passando de 6,54% para 6,53% de uma semana para outra, ante 6,56% de um mês antes.

É no curto prazo que os preços mostram mais descontrole. Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de 1,22% em fevereiro, a projeção para a taxa em março também está acima de 1% agora.

De acordo com o boletim Focus, a mediana das estimativas passou de 0,95% para 1,14% - um mês antes, estava em 0,65%. Algum refresco para a inflação mensal é aguardado apenas para abril, quando o índice deve ter alta de 0,58%.



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