São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Economia

Inflação em 2015 encosta em 9% no relatório Focus
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O patamar dos preços administrados não para de subir e as projeções para a Selic alcançam 14,25% no ano

Depois dos resultados surpreendentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio e do IPCA-15 de junho, ambos acima das estimativas, analistas consultados pelo Banco Central para o Relatório de Mercado Focus elevaram mais uma vez suas previsões para o índice.

Pela 10ª rodada consecutiva, a estimativa para o indicador deste ano avançou de 8,79% da semana anterior para 8,97% agora. Há um mês, essa projeção estava em 8,37%.

Apenas no Top 5, representado pelo grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, houve refresco nas projeções para a inflação. Para este ano, a mediana das estimativas de 8,90% foi substituída pela de 8,83%. Está ainda, entretanto, maior do que a taxa aguardada há um mês, de 8,75%. No caso de 2016, houve estabilidade da previsão em 5,21%, menor do que a mediana apontada na pesquisa geral, de 5,50%.

O patamar das projeções para os preços administrados não para de subir. Para este ano, no relatório divulgado nesta segunda-feira, 22, a taxa passou de 14,00% para 14,50%. Há um mês, a mediana para esse conjunto de itens estava em 13,70%..

Segundo a mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), esse conjunto de itens apresentará elevação de 12,7% este ano, e não mais de 11,8% como constava na edição anterior. No documento de março, a estimativa era de 10,7%. A ata mais recente do BC revela que, para estimar a elevação dos administrados, a instituição considerou uma alta de 41% na tarifa de energia elétrica este ano.

Na edição de maio, a previsão era de 38,3%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê agora uma queda de 4,4% ante baixa de 4,1% da ata anterior. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 9,1% do preço da gasolina (antes estava em 9,8%) e de alta de 3% do preço do botijão de gás, substituindo um previsão de aumento de 1,9% na ata anterior. Uma nova rodada de mudanças para os preços administrados poderá ser vista no Relatório Trimestral de Inflação, que o BC divulgará na quarta-feira, 24.

PIB MENOR

Com mais uma semana ajustes negativos nas planilhas, analistas do setor privado passaram a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deve ter retração de 1,45%. Está pior do que a taxa de 1,35% calculada na semana passada. Há quatro semanas, a mediana era de -1,24%.

Para a produção industrial, a estimativa de queda de 3,20% em 2015 foi substituída no boletim Focus para baixa de 3,65%. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 2,80%.

Os analistas esperam que a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB encerre 2015 em 37,90%, mesmo patamar de quatro edições atrás do boletim Focus. Na semana passada, a mediana estava em 37,95%.

Em relação à taxa básica de juros a mediana das projeções aponta que encerre 2015 em 14,25% ano ante taxa de 14,00% vista até a semana passada. Há um mês, a estimativa observada no boletim era de que a Selic encerrasse 2015 em 13,75% ao ano.

A expectativa pela mudança se dá desde a decisão da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o ritmo de alta dos juros em 0,50 ponto porcentual e, principalmente, após a divulgação da ata desse encontro, considerada conservadora.

Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. Com a mudança, a taxa média para 2015 passou de 13,50% ao ano par 13,63% aa. Quatro semanas antes, essa taxa média estava em 13,38% ao ano.

Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o Top 5 no médio prazo, a mudança para 2015 foi no mesmo sentido: a Selic vai encerrar em 14,25% ao ano ante projeção anterior de 13,75%, a mesma vista também há um mês.

DÓLAR A R$ 3,40

O relatório vem mostrando poucas alterações para o mercado de câmbio. Desta vez, a principal foi na projeção para o dólar no final do ano que vem. De acordo com o documento, a cotação da moeda americana estará em R$ 3,40 no encerramento de dezembro ante perspectiva anterior mantida por 10 semanas de R$ 3,30.

Com isso, a cotação média do dólar ao longo de 2016 passou de R$ 3,27 para R$ 3,30. Quatro semanas atrás estava em R$ 3,25. Essa alta da cotação média nas últimas semanas já indicava que uma mudança nas projeções para o fim do ano iria ocorrer.

Já a mediana das estimativas para o dólar no encerramento de 2015 continuou em R$ 3,20 pela oitava vez seguida. Para este ano, a mediana para o câmbio médio sofreu um leve ajuste para baixo, passando de R$ 3,10 para R$ 3,09 - um mês atrás estava em R$ 3,07.

*Ilustração: Thinkstock



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