Economia

Inflação em São Paulo sobe em 12 meses


Alta do índice foi puxada pelo grupo de alimentação, cujos preços subiram de 0,34% em março para 1,12% em abril, de acordo com a Fipe


  Por Agência Brasil 04 de Maio de 2017 às 09:21

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, encerrou abril em alta de 0,61% ante 0,14% em março, elevando a taxa acumulada desde janeiro em 0,99% e, nos últimos 12 meses, de 3,71%. Essa elevação foi puxada pelo grupo alimentação que subiu de 0,34% para 1,12%.

A segunda maior pressão sobre o orçamento doméstico das famílias com renda entre um e dez salários mínimos foi constatada no grupo habitação (de 0,19% para 0,44%), seguida pelo grupo saúde (de 0,72% para 1,66%). No grupo despesas pessoais, a taxa acelerou de 0,17% para 0,48%.

Em transportes, houve reversão da queda de 0,17% para uma alta de 0,48% e, no grupo educação, o índice ganhou mais força ao passar de 0,06% para 0,18%. Já em vestuário, a variação mostra uma relativa estabilidade, mas com ligeira diminuição de intensidade de queda (de -0,04% para -0,02%).

ACELERAÇÃO 

A aceleração da inflação na capital paulista para 0,61% em abril (de 0,14% em março) deve ser pontual e a expectativa do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas, é de arrefecimento em maio.

Em seus cálculos, o IPC deve encerrar o mês em 0,28%, com o acumulado em 12 meses indo a 3,42%, depois de 3,71% em igual período concluído em abril. Para o ano, a projeção foi mantida em 4,26%.


"O comportamento do IPC no mês passado já era esperado e os motivos, já conhecidos.

A maioria dos vetores de alta é pontual", afirma. Ele cita como exemplo a pressão de alta em ônibus integração (7,62%), por causa de reajuste recente, e de remédios e produtos farmacêuticos (3,25%), também refletindo aumento no fim de março.

"Mas contrato de assistência médica deve seguir pressionando, pois há renovações desses serviços este mês, mas o reajuste pode ser a metade do que foi em 2016, de cerca de 14%", adianta.

Grande parte da descompressão esperada no IPC de maio deve-se à expectativa de queda em energia elétrica, em razão da devolução da cobrança indevida atrelada à usina de Angra 3 no passado.

Enquanto outros índices de preços já captaram o impacto em abril, o IPC-Fipe irá sentir tais efeitos com mais força este mês, por causa de diferenças metodológicas. Entre a terceira e a quarta quadrissemanas de abril, o item energia elétrica diminuiu o ritmo de alta de 2,03% para 1,24%, já sentindo os primeiros efeitos da devolução.

A estimativa de Chagas é que o recuo dê alívio de 0,24 ponto porcentual no IPC, ainda que também este mês as contas de luz sejam pressionadas pela bandeira vermelha patamar 1, com custo mais elevado.

Ou seja, se não fosse a devolução da cobrança, a previsão para o IPC de maio seria de 0,52%, diz, ficando muito parecida com a alta de 0,57% do quinto mês de 2016. Nesse cenário, a Fipe prevê deflação de 0,35% para o grupo Habitação no fim de maio, depois de inflação de 0,44% em abril.

O professor também espera que o ritmo de alta de Alimentação diminua ao longo deste mês, podendo encerrar em 0,75%, depois de 1,12% em abril.

Segundo ele, os preços dos alimentos industrializados, que têm maior peso no grupo, devem continuar com taxa modesta. No fim de abril, o segmento fechou com queda de 0,04%, na comparação com alta de 0,19% em março.

"A queda ocorreu principalmente devido aos impactos do recuo de 0,76% de derivados da carne, de 0,66% em panificados, de 0,96% em açúcar e adoçante e também queda de 0,96% em doces. Em contrapartida, derivados do leite subiram 1,46% e cafés, achocolatado e chás (2,12%). Tirando esses, os industrializados estão e devem continuar bem comportados", afirma.

Já os semielaborados, que atingiram taxa positiva de 2,40% em abril (de -0,31% em março), podem incomodar um pouco o grupo Alimentação, diz.

Segundo ele, a influência de alta deve advir das carnes, que avançaram em abril. A carne bovina ficou 3,83%, refletindo em parte a cobrança de ICMS este mês, explica Chagas. Os preços das carnes suína (3,05%) e de frango (5,74%) também subiram, assim como os pescados (3,94%). "O efeito da alta de ICMS seria até maior, se a demanda não estivesse reprimida", pondera.

Chagas observa ainda que as quedas registradas em leites e cereais, especialmente em leite longa vida, com recuo de 0,41%, e em feijão (-1,49%) e arroz (-1,64%), ajudaram e podem seguir limitando a pressão altista nos semielaborados.

Já os alimentos in natura desaceleraram o ritmo de alta para 2,25% em abril, na comparação com a terceira quadrissemana (3,88%), mas avançaram ante o fim de março (1,54%). Uma das principais influência de alívio da terceira para a ultima medição do mês, diz, foi o tomate (de 61,81% para 39,68%).

Já a batata ficou 28,57% mais cara, depois de 18,40% na terceira leitura. "O tomate já está caindo quase 5% no ponta (pesquisa recente). A expectativa é que o grupo Alimentação fique com alta bem mais comedida do que a esperada. A dúvida fica em relação a verduras, que normalmente sobem na época do frio. Vamos aguardar para ver como ficará o clima", avalia.

*FOTO: Thinkstock