São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Economia

Há chance de melhora na economia no segundo semestre, diz Levy
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O ministro da Fazenda afirma nos EUA que ICMS é uma "trava ao crescimento". Para o economista Armínio Fraga, sem as medidas adotadas, a recessão seria ainda mais grave

O Brasil tem condições de ter um segundo semestre favorável para a economia, afirmou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na sede do Fundo Monetário Internacional. "Eu acho que, se nós tomarmos as providências necessárias com rapidez, temos bastante chance de ver um segundo semestre favorável para a economia", afirmou.

"No momento, temos de começar a focar cada vez mais em reformas do lado da oferta", afirmou. "Durante um tempo, se achou que bastava apoiar a demanda, dar incentivos. Ficou evidente que isso não está mais nos levando para a frente", completou, destacando a necessidade de ter os preços no "lugar certo", além de mudanças nos impostos, citando o PIS/Cofins, entre outros tributos.

"Tem toda uma discussão muito importante com todos os governadores na questão do ICMS. O ICMS é hoje uma trava do crescimento. Não traz dinheiro suficiente para os governadores e faz as empresas não quererem investir", disse. "Nós temos de transformar isso, colocar o ICMS de uma maneira que ajude os Estados."

Questionado sobre as razões de os economistas não estarem tão otimistas com o setor privado, como mostrado na nova revisão para baixo nas previsões de crescimento do PIB no Boletim Focus, do Banco Central, Levy afirmou que há um período de "mergulho" e depois começa a "recuperação".

"Talvez, em parte, algumas das discussões (do ajuste fiscal) tenham demorado um pouquinho mais do que o previsto inicialmente e isso tenha levado a essa atualização do mercado", disse ele, citando as discussões no Congresso e em outros lugares sobre o ajuste fiscal. "O importante é a gente continuar avançando, o governo está se dedicando para anunciar as coisas que têm de ser anunciadas."

FÔLEGO

O ministro citou ainda a nova rodada de concessões que a presidente Dilma Rousseff deve anunciar nesta semana e ressaltou também que deve ser divulgado o novo plano de safra do governo, que será "muito robusto" e em um "volume muito significativo". "Acho que tudo isso vai dando a direção e o fôlego para a nossa economia passar esta fase de travessia."

Levy ressaltou também a importância de o setor privado entender que o país passa por um momento de transição. Toda a América Latina, afirmou, está tendo novos desafios e o Brasil tem tudo para sair na frente.

Levy teve na segunda-feira (1) um encontro fechado com o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew. Segundo o ministro, um dos temas tratados foi a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, no final do mês. "Há uma grande expectativa sobre a visita", disse. Outro tema foi o investimento e o financiamento em infraestrutura, que também é um desafio para os americanos, ressaltou.

ARMÍNIO

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Gávea Investimentos, afirmou, em palestra no Fundo Monetário Internacional (FMI), que o ajuste fiscal na economia brasileira não é suficiente, mas que, sem as medidas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a recessão seria muito maior.

De acordo com Armínio Fraga, Levy está tentando fazer o melhor que pode, mas o ajuste pode não ser suficiente. "Mas se ele não estivesse fazendo isso, você não teria ideia do quão ruim seria a recessão", afirmou. Levy está tentando fazer com que a recessão seja o menos pior possível, afirmou Fraga, mas a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha contração este ano. "Se ele não estivesse fazendo isso, poderíamos ir para baixo mais profundamente", completou.

 



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