São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Economia

Grécia é agora primeiro país desenvolvido a dar calote no FMI
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Apesar do calote, as tratativas continuarão nesta quarta-feira (1º), com a promessa do governo grego de enviar novas propostas ao Eurogrupo

 Após meses de negociações infrutíferas, a Grécia entrou em default às 19h (horário de Brasília) desta terça-feira. O país tinha até esse horário para pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Como não chegou a um acordo com seus credores para ter acesso a um pacote de ajuda de mais de 7 bilhões de euros, acabou dando um calote.

A possibilidade de um default havia ficado mais forte na última sexta-feira (26), após o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocar um referendo sobre austeridade para o dia 5 de julho. Na consulta, o povo grego dirá se o governo deve aceitar ou não as condições impostas pelos seus credores para liberar o plano de resgate.

Durante esta terça-feira (30), negociações de última hora tentaram evitar um calote, mas sem sucesso. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, chegou a apresentar um novo projeto para Atenas, que incluiria uma solução para sua elevada dívida, mas em troca de um apoio do premier ao "sim" no referendo.

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Tsipras respondeu com uma contraproposta que previa o início de um programa de resgate de dois anos e a reestruturação de seu débito, mas o Eurogrupo, que reúne os ministros de Finanças da zona do Euro, não aceitou.

Apesar do calote ao FMI, as tratativas continuarão nesta quarta-feira (1º), com a promessa da Grécia de enviar novas propostas ao Eurogrupo, que voltará a discutir a questão por meio de videoconferência.

CONSULTA

As últimas pesquisas sobre o referendo do próximo domingo apontam para uma vitória do "sim". Caso isso aconteça, o primeiro-ministro já sinalizou com uma possível renúncia. Por outro lado, se o "não" prevalecer, isso pode causar a saída da Grécia da zona do euro.

Para liberar o pacote de resgate a Atenas, o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu exigem um amplo plano de reformas, incluindo aumento de impostos e revisão de aposentadorias. Segundo os credores, essa é a única forma de o país controlar seus gastos.

Já o governo alega que as condições impostas pela ex-Troika são "intoleráveis" e apenas agravariam a crise econômica e social na nação. Em entrevista a uma emissora estatal na última segunda-feira (29), Tsipras chegou a acusar os credores de quererem tirar do poder "um governo que tem o apoio popular".

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Essa é a primeira vez em seus 71 anos de história que o FMI sofre um calote de uma economia desenvolvida, algo que joga o fundo em águas ainda desconhecidas e pode acarretar em consequências para suas políticas futuras.

De imediato, Atenas não terá acesso aos financiamentos da instituição enquanto não sanar sua situação. Além disso, o default se traduzirá em uma série de notificações e procedimentos que podem até culminar na perda do direito a voto do país no FMI ou, no caso mais extremo, em sua expulsão.

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